quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Juros do crédito sobem pelo 14º mês seguido, mostra Anefac

Juro do cartão já se aproxima de 380% ao ano, mostra pesquisa.
No cheque, taxa de 233,56% é a maior desde 1999.

Os juros do crédito no Brasil já passaram do patamar do proibitivo. Em novembro, as taxas subiram pelo 14º mês seguido, segundo levantamento divulgado hoje 10/12 pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac). E a tendência, "tendo em vista o cenário econômico atual", é que as taxas voltem a subir nos próximos meses.

TAXAS DE JUROS

Para as pessoas físicas, a taxa média geral alcançou 136,32% ao ano – a maior desde fevereiro de 2009. Em outubro, estava em 132,91%.

No cartão de crédito, os juros já se aproximam de 380% ao ano. No mês passado, a taxa média ficou em 378,76%, ante 368,27% vistos em outubro. A taxa é a maior em quase 20 anos – desde março de 1996, quando estava em 385,86%.

No cheque especial, os juros de 233,56% ao ano são os maiores desde setembro de 1999, quando eram de 241,98%. Em outubro, a taxa estava em 226,39%.

Todas as modalidades de crédito para a pessoa física pesquisada pela Anefac mostraram alta em novembro. No comércio, os juros passaram de 86,9% para 89,004%. No financiamento de automóveis, a taxa subiu de 30,15% ao ano em outubro para 30,76% em novembro.

Já o empréstimo pessoal ficou mais caro tanto em bancos (de 64,59% para 66,5%) quanto em financeiras (de 149,03% para 151,82%).

Empresas

A Anefac também apontou alta nas taxas de juros cobradas das pessoas jurídicas. Em novembro, a taxa médica ficou em 64,2% ao ano, ante 63,08% em outubro – a maior desde março de 2009.


domingo, 15 de novembro de 2015

A taxa de juros e a Economia Política do Brasil

Evidente que defender a imediata redução da taxa de juros está além de uma questão de princípios, passando por uma séria questão de ordem pública. Aliás, para este tipo de discussão, além de princípios, devem vir questões de ordem racional.
Por Elias Jabour*

A bandeira da redução da taxa de juros não deve se misturar com sentimentos morais, típicos de um comportamento pequeno burguês que nos cerca e atormenta o tempo todo. É preciso ter clareza que o resultado em nível de crescimento econômico, com a redução desta taxa, não é algo imediato. O crescimento econômico é resultado, também, de variáveis mais profundas e que fogem da análise da economia como um fim em si mesmo.

O investimento produtivo é produto de expectativas empresariais em torno da própria lucratividade e da certeza de um mínimo ambiente macroeconômico capaz de garantir pouco risco e retorno. Juros e câmbio previsíveis no médio prazo são essenciais à garantia do investimento. Neste aspecto, são fundamentais ao investimento algumas variáveis: 1) com empresários sem grandes opções de portfólio; 2) com um sistema financeiro restrito, controle da conta de capitais, metas de inflação com maior temporalidade de cumprimento, um Banco Central com duplo mandato (emprego e estabilidade de preços); 3) crédito de longo prazo baseado em leis de mercado, câmbio de equilíbrio industrial mínimo e, 4) principalmente, estabilidade política e existência de um projeto de longo alcance.

O último item (estabilidade política e projeto de longo alcance) é fundamental, pois envolve as variáveis políticas e institucionais necessárias a um projeto em que desenvolvimento seja o objetivo.

Atualmente, no Brasil, as taxas de juros e de câmbio não são funcionais ao desenvolvimento por uma simples razão: a pauta estratégica nacional deixou de ser o desenvolvimento, com instituições congêneres, e passou a ser a da estabilidade monetária. O Plano Real (1994) e a política de metas de inflação (1999) forjaram instituições à sua imagem e semelhança. Sendo a anualidade para o cumprimento das metas de inflação seu maior símbolo. Numa realidade econômica onde a variação de preços, principalmente de alimentos, tem grande sazonalidade, a taxa de juros será utilizada a torto e à direito. Tudo no sentido da entrega da inflação no centro da meta, ao final do ano. Ao lado da taxa de juros, o mesmo ocorre com a taxa de câmbio forçada à valorização como resposta à ascensão da demanda e como resposta, também, a históricas e elevadas taxas de juros. E é sob a expectativa de juros altos que a mente de um investidor trabalha. Contando sempre com a, real, tendência de alta e preferindo títulos da dívida a investimentos de longo prazo. Sabem que a queda da taxa de juros é algo temporário.

E qualquer tentativa de mudança de fins será procedida por temporais políticos como o que vivemos hoje, pois a unidade de contrários entre política de Estado de um lado, e de governo no outro, chegou ao ponto do insuportável. Explico melhor, em 2003 – sobretudo a partir do segundo mandato do presidente Lula – as bases à superação das instituições de 1994/1999 foram lançadas, sobretudo com o papel ativo do BNDES, as primeiras experiências de concessões de serviços públicos à iniciativa privada, fulcros de planejamento de comércio exterior e ênfase na política de conteúdo nacional. A partir de 2012, já com Dilma, o processo acelera-se com a colocação dos bancos públicos no mercado de crédito e a abrupta taxa de juros. Esse choque entre política de Estado e política de governo provocou o rompimento da unidade de contrários condensada com Lula. O resultado está aí: greve de investimento e golpismo escancarado. A ameaça de proscrição do “modelo” de liberalização soou o sino político, anunciando sua radicalização.

Todo problema econômico é, antes de tudo, um problema institucional. O desenvolvimento – contínuo – das forças produtivas demandam ciclos de inovações institucionais, significando que a superestrutura é condicionante, em primeira instância, da base econômica e seu alargamento. Ou seu retrocesso. Evidente que a desindustrialização inaugurada na década de 1990 é fruto de uma apostasia política e institucional que proscreveu suas congêneres surgidas, no pós-Revolução de 1930, no intuito de ser base ao país com crescimento econômico e industrial quase ininterrupto entre 1930 e 1980. As mudanças institucionais propostas por Ignácio Rangel (ler o posfácio à 5ª edição de “A Inflação Brasileira”), pretendiam a formação de um sistema financeiro nacional pronto à transferência Intersetorial de recursos, concessões à iniciativa privada nacional das infraestruturas estranguladas e tomada, em outro patamar, do papel do Estado sob forma de agente à planificação do comércio exterior, quebrando, assim, o círculo vicioso da tendência/lei da deterioração dos termos de troca. A contrarrevolução da década de 1990 urgiu o caminho oposto da proposta rangeliana. O Plano Real e a política de metas de inflação são determinações de um profundo processo ainda não revertido.

Evidente que a redução da taxa de juros e a atual taxa de câmbio são essenciais tanto no rumo de uma finança nacional funcional ao crescimento e a uma maior competitividade da indústria nacional. Evidente. Porém, a inflação no centro da meta anualizada é uma exigência institucional a ser superada. Escrevo esses prolegômenos para deixar um pouco mais claro que a taxa de juros é apenas a superfície do problema, que sua queda abrupta em 2012 atiçou a finança e seu braço político (imprensa) para uma campanha que desembocou em greve do investimento e golpismo escancarado. Repetir o mesmo erro seria fatal. Logo, faz-se necessária uma completa mudança de foco e análise. Deve ser mantida, sim, a bandeira da reversão de alta da taxa de juros. E, gostemos ou não, o sucesso de ajuste fiscal é uma razoável necessidade, dolorida. Os últimos anos foram suficientes para percebermos o óbvio para qualquer marxista. O tecido social rompeu-se. O desemprego chegará a 10%. O alvo deve ser claro. Formar ampla maioria política capaz de proscrever as institucionalidades criadas na década de 1990. A antessala do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento deve ser baseado na elaboração de uma chamada Economia Política do Brasil.


* Elias Jabbour é professor Adjunto da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCE-UERJ). Membro do Comitê Central do PCdoB.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

COPOM aponta efeitos negativos da indefinição na política fiscal

Os integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) forneceram poucos elementos adicionais para tornar mais precisas as condições em que pretendem trazer a taxa de inflação ao centro da meta de 4,5%. Na ata divulgada hoje sobre a reunião que manteve a Selic em 14,25% ao ano, reafirma-se apenas que a política monetária deve se manter vigilante para assegurar a convergência da inflação para a meta “no horizonte relevante”. Isso significa atuar com foco ampliado para o intervalo de dois anos, diante da frustração do objetivo inicial de conter a inflação no limite central até o final de 2016.

As explicações para essa postura vaga podem ser detectadas na abordagem do Copom sobre a política fiscal, marcada por incertezas e constantes alterações neste primeiro ano do mandato renovado da presidente Dilma Rousseff. Prova disso é o fato de que os indicadores fiscais em que os integrantes do comitê se basearam na semana passada para sua decisão perderam a validade. Trata-se da terceira alteração na meta fiscal estabelecida para este ano, a pouco mais de dois meses para o encerramento de 2015.

O superávit primário de 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB) projetado para este ano transformou-se, como se soube na última terça-feira, em déficit de 0,85%, que ainda pode ser ampliado para 1,04% se o governo não obtiver as receitas estimadas com concessões públicas. Ou, pior ainda, chegar a um número deficitário em torno de 1,7% do PIB, caso o Tribunal de Contas da União (TCU) entenda que as despesas com as chamadas pedaladas fiscais, a postergação de despesas para melhorar artificialmente os resultados fiscais, devam ser colocadas em dia, de uma só vez e ainda neste ano.

Mesmo no tom contido adotado no texto da ata do Copom, os problemas decorrentes da política fiscal hesitante do governo estão abordados por inteiro: “(...) indefinições e alterações significativas na trajetória de geração de superavit primários, bem como na sua composição, impactam as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação e contribuem para criar uma percepção negativa sobre o ambiente macroeconômico”. Em outras palavras, não há confiança que resista numa política econômica que muda a todo momento as metas fiscais.

Em outro trecho, a ata ainda se refere às “incertezas associadas ao balanço de risco, principalmente, quanto à velocidade do processo de recuperação dos resultados fiscais e à sua composição”. Tudo isso na contramão do que as melhores práticas internacionais recomendam: “um desenho de política fiscal consistente e sustentável, de modo a permitir que as ações de política monetária sejam plenamente transmitidas aos preços”. A tradução em linguagem mais franca é que uma política fiscal inconsistente impede que a política monetária produza plenamente os efeitos esperados.

Dominância fiscal

Banco Central não cede, no entanto, à visão de que a política monetária perdeu sua funcionalidade diante de um cenário de dominância fiscal, como apontam vários economistas do meio acadêmico e do mercado. Se o fizesse, estaria reconhecendo que a fragilidade fiscal chegou a tal ponto no Brasil que o instrumento da elevação da taxa de juros apenas contribui para uma maior deterioração e até mesmo para um efeito perverso no aumento da inflação. Limita-se a reafirmar sua visão de que a política monetária “pode, deve e está contendo os efeitos de segunda ordem” dos ajustes de preços relativos, ou seja, o realinhamento dos preços internos em relação aos internacionais e dos preços administrados em relação aos livres.

Nesse ponto, vale destacar o reconhecimento do Copom de que “o processo de realinhamento de preços relativos mostra-se mais demorado e mais intenso do que o previsto” - um dos fatores mais decisivos para ampliação das taxas de inflação previstas neste e no próximo ano. O que pesa nesse processo é o represamento de preços administrados posto em prática pelo governo no período da campanha eleitoral, no ano passado, e que ainda não foi completamente absorvido. O país paga, portanto, um preço caro pela estratégia que ajudou a presidente Dilma Rousseff a conquistar um segundo mandato. É uma herança negativa que não se resolve num passe de mágica.


Por fim, resta a promessa manifestada na ata de que a autoridade monetária se manterá “vigilante” para atingir os seus objetivos – mesmo que eles não tenham sido mais explicitados no texto. Ou “especialmente vigilante”, como se afirma em outro trecho, para garantir que as pressões inflacionárias não se propaguem para horizontes mais amplos. O cenário de referência com que trabalha o Banco Central é aquele em que a taxa Selic permanecerá em 14,25% em todo o horizonte relevante para a política monetária. Em outras palavras, longa vida aos juros mais altos do mundo praticados no Brasil.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Angus Deaton vence o Prêmio Nobel de Economia

Justificativa foi 'sua análise do consumo, pobreza e bem-estar'.
Deaton é professor na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos.

Angus Deaton venceu o Prêmio Nobel de Economia 2015. A justificativa foi "sua análise do consumo, pobreza e bem-estar", que ajudou governos a melhorar suas políticas por meio de ferramentas como pesquisas residenciais e alterações tributárias. O anúncio foi feito na manhã de ontem segunda-feira 12 de outubro em Estocolmo, na Suécia.

Deaton é cidadão britânico e norte-americano. Nasceu em 1945 em Edimburgo, na Escócia. PhD em economia pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, ele é professor de economia e relações internacionais na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, desde 1983.

O Nobel de Economia tem uma recompensa de 8 milhões de coroas suecas (US$ 950 mil, o equivalente a mais de R$ 3 milhões).

A Academia Real de Ciências da Suécia disse que o trabalho do microeconomista tem tido grande influência na formulação de políticas públicas, auxiliando, por exemplo, a determinar como grupos sociais diferentes são afetados por mudanças específicas em tributação.

"Para projetar uma política econômica que promova o bem-estar e reduza a pobreza, devemos primeiro entender as escolhas de consumo individuais", disse o corpo premiações ao anunciar o prêmio. "Mais do que ninguém, Angus Deaton tem reforçado esse entendimento."

"Ao vincular as escolhas individuais detalhadas e resultados agregados, sua pesquisa tem
ajudado a transformar os campos da microeconomia, macroeconomia e economia do desenvolvimento", destacou ainda a justificativa da Academia Real das Ciências da Suécia.

O trabalho pelo qual Deaton foi premiado é baseado em três questões centrais: como os consumidores distribuem seus gastos entre diferentes bens? Quanto da renda da sociedade é gasto e quanto é poupado? Como podemos medir e analisar melhor o bem-estar e a pobreza?

Reação do premiado

Em seus primeiros comentários públicos depois que recebeu o Nobel, Deaton declarou que, embora a pobreza extrema tenha diminuído drasticamente nos últimos 20 a 30 anos e ele espere que essa tendência se mantenha, não quer parecer um "otimista cego".

O economista afirmou que passa "muito tempo explicando que o mundo está-se tornando um lugar melhor", mas que "ainda há muito que fazer".

Ele afirmou ter sido surpreendido pelo telefonema informando que tinha sido o vendedor do Nobel 2015.

"Sabia que meu nome estava na lista, mas há muitos nomes nesta lista, e nunca pensei que fosse provável receber o prêmio", declarou durante uma coletiva de imprensa na Universidade de Princeton.

Estudos sobre consumo

Segundo os estudos de Deaton, avaliar a distribuição de gastos dos consumidores é importante não apenas para explicar e prever padrões de consumo, mas também para avaliar a forma pela quais reformas políticas, como mudança em impostos, afeta o bem-estar das pessoas em diferentes grupos sociais.

Nos anos 80, o professor desenvolveu o "sistema de demanda quase ideal", como forma de estimar como a demanda por cada mercadoria depende do preço de todos os produtos e rendimentos individuais.

Renda gasta e poupada

Para explicar a formação de capital e as magnitudes dos ciclos de negócios, é necessário entender a interação entre renda e consumo ao longo do tempo, destacou a Academia Real das Ciências da Suécia. Em estudos realizados nos anos 90, Deaton apontou que a teoria de consumo prevalecente não poderia explicar as relações reais do assunto se o ponto de partida fosse a renda e o consumo agregados.

Em vez isso, segundo o professor, deve-se analisar como as pessoas adaptam seus hábitos de consumo à sua renda individual, que flutua de maneiras diferentes.

De acordo com a Academia sueca, essa pesquisa demonstra claramente que a análise de dados individuais é a chave para desembaraçar padrões em dados agregados, com uma abordagem que desde então se tornou amplamente adotada na macroeconomia moderna.

Bem-estar e pobreza

Em suas pesquisas mais recentes, Deaton destaca como medidas confiáveis de níveis individuais de consumo das famílias podem ser usadas para discernir mecanismos por trás do desenvolvimento econômico. O estudo aponta que há "armadilhas" quando se compara a extensão da pobreza em diferentes épocas e locais.

A análise de Deaton exemplifica como o uso inteligente de dados domiciliares pode lançar luz sobre questões como as relações entre renda e consumo de calorias, além da extensão da discriminação de gênero nas famílias.

Segundo a Academia sueca, o foco de Deaton em pesquisas domiciliares ajudou a transformar a economia do desenvolvimento de um campo teórico com base em dados agregados em um campo empírico com base em dados individuais detalhados.

Últimos vencedores

Veja abaixo a lista dos 10 últimos ganhadores do Prêmio Nobel de Economia, com informações da agência France Presse:

2015: Angus Deaton (Reino Unido-Estados Unidos)
2014: Jean Tirole (França)
2013: Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Shiller (Estados Unidos)
2012: Lloyd Shapley e Alvin Roth (Estados Unidos)
2011: Thomas Sargent e Christopher Sims (Estados Unidos)
2010: Peter Diamond e Dale Mortensen (Estados Unidos), Christopher Pissarides (Chipre/Reino Unido)
2009: Elinor Ostrom e Oliver Williamson (Estados Unidos)
2008: Paul Krugman (Estados Unidos)
2007: Leonid Hurwicz, Eric Maskin e Roger Myerson (Estados Unidos)
2006: Edmund Phelps (Estados Unidos)


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Sancionada a Lei que aumenta a tributação dos bancos

A presidente Dilma Rousseff sancionou com vetos a lei que eleva a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de bancos de 15% para 20% até o final de 2018. O texto foi publicado no "Diário Oficial da União" hoje dia 7/10. A medida, que integra o pacto de ajuste fiscal do governo, vale para bancos, seguradoras, administradoras de cartões de crédito, corretoras de câmbio, entre outras instituições.

A alíquota do tributo passa a ser de 20% para o período entre 1º de setembro de 2015 e 31 de dezembro de 2018, voltando a 15% a partir de 1º de janeiro de 2019, no caso das pessoas jurídicas de seguros privados e das de capitalização.

A lei também prevê elevação de 15% para 17% da CSLL cobrada de cooperativas de crédito entre 1º de outubro de 2015 e 31 de dezembro de 2018, voltando a 15% a partir de 1º de janeiro de 2019.

Ao explicar os vetos, Dilma citou que "os dispositivos resultariam em significativa renúncia de receita não condizente com o contexto econômico atual". Além disso, explicou que as medidas não vieram acompanhadas das estimativas de impacto orçamentário-financeiro e das compensações necessárias.

O aumento da tributação dos bancos faz parte da estratégia de reequilibrar as contas públicas para tentar estimular a confiança dos empresários e evitar a perda do grau de investimento junto às agências de classificação de risco.

Crise econômica

Nos últimos meses, o governo anunciou uma série de medidas para melhorar a arrecadação e o resultado das contas públicas – que registraram déficit primário (receitas menos despesas sem inclusão de juros) inédito em 2014. No entanto, a previsão é de que 2016 também seja um ano de retração da economia, com déficit de pelo menos R$ 30,5 bilhões, o que representa 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

No fim do ano passado, a equipe econômica fixou uma meta de superávit primário de 1,2% do PIB para este ano e de, ao menos, 2% do PIB em 2016 e 2017. Porém, mesmo com vários aumentos de tributos e cortes de gastos, principalmente de investimentos, as contas públicas não melhoraram. A explicação do governo é de que o fraco ritmo de atividade da economia, atualmente em recessão, impactaram para baixo a receita, que registrou queda até julho e o pior desempenho para os sete primeiros meses de um ano desde 2010.

Lucro dos bancos

Em um cenário de juros altos, os principais bancos do país têm registrado aumento no seu lucro nos primeiros meses deste ano.
O Bradesco, por exemplo, encerrou o primeiro trimestre de 2015 com lucro líquido contábil de R$ 4,24 bilhões, um crescimento de 6,3% com relação ao resultado do quarto trimestre de 2014 e de 23,3% frente ao mesmo período do ano anterior.

O Banco do Brasil, maior banco do país em ativos, anunciou recentemente que teve lucro líquido de R$ 5,81 bilhões no primeiro trimestre, alta de 117,3% ante igual período de 2014.

Já o Itaú-Unibanco registrou lucro líquido contábil de R$ 4,41 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Foi registrado crescimento de 27,3% sobre os R$ 3,472 bilhões do primeiro trimestre de 2013.

Segundo um levantamento feito pela consultoria Economática para a BBC Brasil, apesar da desaceleração econômica, a rentabilidade sobre patrimônio dos grandes bancos de capital aberto no Brasil foi de 18,23% em 2014 – mais que o dobro da rentabilidade dos bancos americanos (7,68%).

Reportagem publicada no recentemente pelo jornal norte-americano “The New York Times” diz que os juros praticados em algumas linhas de crédito no Brasil “fariam um agiota americano sentir vergonha”, citando os dos cartões de crédito em mais de 240% ao ano e de 100% cobrados pelos empréstimos bancários.

Em maio, segundo o Banco Central, os juros do cheque especial subiram novamente e atingiram a marca de 232% ao ano, o maior patamar desde dezembro de 1995. Já os juros do cartão de crédito rotativo, que incidem quando os clientes não pagam a totalidade de sua fatura, atingiram expressivos 360,6% ao ano em maio – a mais alta de todas as modalidades de crédito.


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Mercado estima mais inflação e queda maior do PIB 

Expectativa de inflação subiu para 9,46% neste ano e para 5,87% em 2016. Previsão de contração do PIB passou para 2,8% em 2015 e 1% em 2016.

As previsões para a inflação e para o nível de atividade da economia brasileira voltaram a piorar para 2015 e também para 2016. Os dados estão no relatório de mercado, conhecido como FOCUS, que é fruto de pesquisa do Banco Central com mais de 100 instituições financeiras na semana passada, e que foi divulgado  hojea segunda-feira (28/9).
  
Para o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, os analistas passaram a estimar, na semana passada, uma retração de 2,8%. Foi a décima primeira queda seguida deste indicador. Até então, a expectativa do mercado era de um recuo de 2,7% para o PIB de 2015. Se confirmado, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%.

Para 2016, os economistas das instituições financeiras passaram a prever uma contração de 1% na economia do país – na oitava revisão para baixo seguida. Na semana anterior, os analistas haviam estimado uma retração de 0,8% para a economia no próximo ano. Para se ter uma ideia, no início de 2015, a previsão dos economistas era de uma expansão de 1,8% para a economia brasileira no ano que vem.


Se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do IBGE, tem início em 1948. O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

Recentemente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a economia brasileira registrou retração 1,9% no segundo trimestre de 2015, em relação aos três meses anteriores, e o país entrou na chamada "recessão técnica", que ocorre quando a economia registra dois trimestres seguidos de queda. De janeiro a março deste ano, o PIB teve baixa de 0,7% (dado revisado).

Inflação

A estimativa dos economistas dos bancos é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano de 2015 em 9,46% – na semana anterior, a taxa esperada era de 9,34%. Mesmo com a queda na previsão, se confirmada, representará o maior índice em 13 anos, ou seja, desde 2002 – quando somou 12,53%. O BC informou na semana passada que estima um IPCA de 9,5% para este ano.

Segundo economistas, a alta do dólar e, principalmente, dos preços administrados (como
telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros) pressiona os preços em 2015. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada.

Para 2016, os economistas das instituições financeiras elevaram sua expectativa de inflação de 5,70% para 5,87% na última semana. Foi a oitava alta seguida do indicador – que continua se distanciando da meta central de 4,5% fixada para o ano que vem.

Pelo sistema que vigora no Brasil, a meta central para 2015 e 2016 é de 4,5%, mas, com o intervalo de tolerância existente, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida. Com isso, a inflação deverá superar o teto do sistema de metas em 2015, algo que não acontece desde 2003.

Taxa de juros

Após o Banco Central ter mantido os juros estáveis em 14,25% ao ano no começo de setembro, o maior patamar em nove anos, o mercado manteve a estimativa de que não devem ocorrer novos aumentos de juros em 2015. Para o fim de 2016, a estimativa subiu de 12,25% para 12,50% ao ano - o que pressupõe reduções da taxa Selic ao longo do ano que vem.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. Pelo sistema de metas de inflação brasileiro, a instituição tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. As taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços.

Câmbio, balança e investimentos

Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2015 avançou de R$ 3,86 para R$ 3,95 por dólar. Para o término de 2016, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio permaneceu em R$ 4.

A projeção para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2015 subiu de US$ 10 bilhões para US$ 11 bilhões de resultado positivo. Para 2016, a previsão de superávit avançou de US$ 21,3 bilhões para US$ 23,5 bilhões.

Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil permaneceu em US$ 65 bilhões. Para 2016, a estimativa dos analistas para o aporte recuou de US$ 63 bilhões para US$ 62,3 bilhões.


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Mesmo com intervenção do Banco Central dólar opera em alta

Na terça feira 22/9, o BC reforçou em R$ 5 bilhões sua intervenção no câmbio mas não conseguiu conter a alta


O dólar comercial opera em alta pela sexta sessão consecutiva nesta quinta-feira, avançando 2,24% contra o real. A divisa americana opera cotada a R$ 4,233 para compra e a R$ 4,235 para venda. Na máxima da sessão, a divisa já atingiu R$ 4,242. Durante os últimos dias, os analistas atribuíram a alta do dólar ao temor de um novo rebaixamento da nota de crédito soberano do Brasil e ao impasse político que emperra a aprovação do ajuste fiscal. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), por sua vez, registra baixa de 2,34%, aos 44.278 pontos.

Em escala global, porém, dólar opera em leve queda. O índice Dollar Spot da Bloomberg, que mede a força da divisa contra uma cesta das dez principais moedas do mundo, recua 0,13%.

A postura do Banco Central (BC) de deixar o câmbio flutuar está dando margem aos grandes players para especular em cima do câmbio. Ataque especulativo é um termo muito forte ainda, mas é como se fosse isso. O mercado está, de certa forma, testando o BC. Se ele não agir de forma mais efetiva, veremos o dólar passar R$ 4,50 e chegar, quem sabe, a R$ 5 — afirmou Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos. — A desvalorização do real tem fundamentos, é claro, mas não nesses níveis. Pode estar havendo um efeito manada.

Hoje (quinta feira 24/9) o BC fará nova oferta de até 20 mil contratos de swap cambial (que funcionam como uma venda de moeda no futuro) equivalentes a US$ 1 bilhão. Ontem, a intenção da autarquia era também oferecer 20 mil contratos mas só encontrou demanda junto aos bancos para 4,4 mil. Além da oferta de novos contratos de swap, o BC faz a rolagem de 9.450 contratos que venceriam em outubro, como vem fazendo nas últimas semanas.

Mas Zeno acredita que esse tipo de operação não será suficiente para conter o câmbio. Para ele, a situação exige que o BC venda dólares à vista no mercado, hoje depositados nas reservas internacionais de US$ 370,8 bilhões da autarquia.

— Pode até ser que a venda de dólares à vista não contenha a disparada do câmbio, mas ela geraria no mercado a noção de que ele o BC está intervindo. Além disso, o órgão comprou reservas em momentos em que o dólar estava muito baixo. Faz sentindo vender parte desse montante para segurar um pouco o câmbio que, nos patamares atuais, não é interessante para ninguém — recomendou o especialista. — A sinalização até agora do BC, porém, não é nesse sentindo. Mas eu acho que a moeda vai subir ainda mais e ele vai acabar tendo que intervir com mais força.

INTERVEÇÃO MAIOR DO BC

Ontem (quarta feira 23/9), em pregão dominado por nervosismo, o Banco Central (BC) reforçou sua artilharia para tentar conter a volatilidade no mercado de câmbio. Foram anunciados dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra), no total de US$ 4 bilhões, e uma nova oferta de contratos de swap cambial de US$ 1 bilhão.

Mas essa intervenção de US$ 5 bilhões não foi suficiente para segurar a cotação do dólar comercial, que encerrou a R$ 4,145, com alta de 2,24%, um novo recorde desde o início do Plano Real, em 1994.

Fontes da equipe econômica consideraram que a oferta do BC de empréstimos em dólar foi a ação adequada para tentar acalmar o mercado financeiro, além de aliviar a pressão sobre os cupons cambiais. Como não quer queimar reservas, o BC usou o leilão de linha para irrigar o sistema, combinado com operações de swap. Segundo essas fontes, não adiantaria vender dólares no mercado à vista, ou seja, sem o compromisso de recompra.

MAU HUMOR NAS BOLSAS EXTERNAS

No mercado de ações, o dia é negativo para as ações europeias. Os investidores operam com cautela, à espera de declaração, à tarde, da presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Janet Yellen. Contribui para o mau humor os desdobramentos do escândalo Volkswagen, depois de da revista alemã “Autobild” dizer que o carro esportivo X3, dessa vez da BMW, excede os limites de emissão de poluentes da Europa. A BMW emitiu comunicado negando qualquer manipulação de dados, mas suas ações chegaram a cair até 9,5%, maior tombo em quatro anos.


Com isso, a Bolsa de Frankfurt recua 2,23%, enquanto o pregão em Londres.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Dólar vira e volta a bater máxima histórica

Hoje 23/9, a moeda teve alta de 1,83%, vendida a R$ 4,0538.
No ano, o dólar já tem alta acumulada de 52,47%.

O dólar abriu o pregão de hoje quarta-feira (23/9) operando em queda. No entanto, minutos depois passou a subir em relação ao real e ultrapassou o recorde da véspera ao ser cotado a R$ 4,08. Nesta terça-feira, a moeda norte-americana atingiu, durante o pregão, a máxima de R$ 4,0681.

A cotação de fechamento desta terça foi a mais alta já registrada desde a criação do real. A maior até então havia sido registrada em 10 de outubro de 2002, quando o dólar chegou a ser vendido a R$ 4 durante o pregão, mas desacelerou a alta e fechou naquele dia a R$ 3,98.

Na época, a moeda norte-americana foi impulsionada, entre outros, pelas perspectivas de que o então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seria eleito, algo que não agradava o mercado financeiro.


No passado, houve um breve período em que R$ 1 chegou a valer mais que US$ 1 na carteira. Isso aconteceu entre 1994 e 1999, quando o governo passou a controlar artificialmente a cotação da moeda norte-americana para estabilizar a economia do país, recém-saída de uma hiperinflação.

Dólar turismo a mais de R$ 4,50

Nas casas de câmbio, a disparada do dólar já mostra seus reflexos. Na manhã desta terça-feira, a cotação chegava a R$ 4,50 no cartão pré-pago, com o IOF de 6,38% incluído, na Confidence Câmbio. Em espécie, a moeda sai por R$ 4,27. Na Cotação, o dólar chegava a R$ 4,489 no cartão e a R$ 4,276 em espécie (ambos com imposto incluído). Na Vips Turismo, os valores eram de R$ 4,22 e R$ 4,45, respectivamente.


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Entenda o que é a CPMF e como ela afeta sua vida

Imposto foi prorrogado por quatro vezes antes de ser extinto em 2007.
Governo quer recriar CPMF para cobrir gastos da Previdência Social.

O governo anunciou esta semana que vai propor a volta da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF), extinta há oito anos. A medida faz parte do anúncio de R$ 64,9 bilhões para equilibrar as contas públicas em 2016. O imposto deve gerar uma receita de R$ 32 bilhões aos cofres federais.

Por afetar as transações bancárias, a CPMF foi chamada de "imposto do cheque" e é considerada "impopular" e "antipática" por tributaristas. Diferentemente dos impostos cobrados sobre os preços de produtos e serviços, essa cobrança aparece no extrato bancário do contribuinte.

Mas nem todo mundo se lembra como a CPMF funciona. Há quem sequer faça ideia do significado desta sigla, especialmente os jovens da geração Z, nascidos após 1995.

O que é a CPMF?

A Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) foi um imposto que existiu até 2007 para cobrir gastos do governo federal com projetos de saúde. Agora, o governo propõe cobrar uma alíquota de 0,2% sobre todas as transações bancárias de pessoas físicas e empresas para ajudar a cobrir o rombo da Previdência Social. A proposta ainda precisa ser enviada ao Congresso Nacional para votação.

Quem pagará esse imposto?

Todas as pessoas ou empresas que transferirem qualquer valor por meio dos bancos e instituições financeiras. Isso vale tanto para quem saca o dinheiro do caixa eletrônico quanto para quem paga uma conta de telefone via boleto bancário ou a fatura do cartão de crédito. A CPMF chegou a ser chamada de “imposto do cheque”, porque também incide sobre essa forma de pagamento – que era muito mais usada naquela época.

A CPMF é cobrada sobre todas as transações bancárias?

Existiam algumas exceções. Entre elas, a compra de ações na Bolsa ou títulos de renda fixa, retiradas de aposentadorias, saques de seguro-desemprego, salários e transferência de recursos entre contas-correntes do mesmo titular. Movimentações em dinheiro vivo não pagam o imposto. Ainda não se sabe quais regras o governo vai propor na volta da CPMF.

Por que o governo quer recriar o imposto?

Para melhorar o resultado das contas públicas. Elas fecharam no vermelho em 2014 e tinham previsão de déficit no Orçamento de 2016, o que precipitou a perda do grau de investimento da nota de crédito do país pela Standard & Poor’s. A volta do imposto faz parte do conjunto de medidas fiscais no total de R$ 64,9 bilhões para garantir a meta de superávit primário (economia para pagar os juros da dívida pública) de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016.

Quanto o governo espera arrecadar com a CPMF?

Na proposta anunciada, o governo prevê um impacto na arrecadação federal de R$ 32 bilhões. O valor representa quase metade das medidas fiscais anunciadas para equilibrar as contas públicas, incluindo cortes de gastos (suspensão de concursos e fechamento de ministérios) e elevação de outros tributos. Enquanto existiu, o imposto injetou nos cofres do governo mais de R$ 222 bilhões.

Como saber quanto vou pagar de CPMF?

Basta multiplicar o valor que será movimentado por 0,002 (correspondente à alíquota de 0,2%). Por exemplo, se você retirar R$ 100 mil do banco para dar uma entrada em um imóvel, você pagará R$ 200 de imposto pela movimentação financeira. Ao comprar um carro no valor de R$ 30 mil à vista, o contribuinte vai desembolsar uma contribuição de R$ 60. Ao transferir R$ 1 mil para a conta de outra pessoa, você pagará CPMF de R$ 2.

O imposto tem data para acabar?

Como o próprio nome informa, a CPMF é uma contribuição provisória. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que a ideia é que a ela dure quatro anos e depois seja extinta. Mas, no passado, o imposto foi prorrogado quatro vezes. Na visão do tributarista Felipe Renault, da Renault Advogados Associados, a CPMF não deveria ter durado tanto tempo e a alíquota poderia ser reduzida de forma escalonada. “As chances de o governo se tornar dependente da CPMF, como foi no passado, são bem grandes”, diz.

Por que o imposto foi criticado?

Segundo Renault, a CPMF é um imposto de efeito cumulativo, porque ela incide sobre todos os agentes da cadeia produtiva. "Quanto mais complexa for essa cadeia e mais participantes ela tiver, maior será o impacto na carga tributária", diz o especialista. Isso vale para o produtor rural, para os intermediários que revendem seu produto para os distribuidores e para o consumidor final. "A CPMF é criticada porque ela tributa cada etapa dessa cadeia", explica.

Na cadeia de fabricação do pãozinho, por exemplo, isso significa que o produtor de trigo paga CPMF ao comprar insumos; o fabricante da farinha paga de novo ao comprar o trigo; o padeiro paga ao comprar a farinha; e o consumidor paga ao levar o pãozinho.

Quem deve pagar mais impostos?

A carga é igual para todos os contribuintes, em 0,2%, mas Renault lembra que o setor de produção de bens deve ser mais tributado que o de serviços, por envolver mais intermediários dentro da cadeia produtiva. “Serviços depende da atividade intelectual ou pela atividade gerada por uma empresa”, explica. Para o tributarista Samir Choaib, sócio do escritório Choaib, Paiva e Justo Advogados Associados, apesar de todos pagarem a mesma alíquota, a baixa renda deve sentir mais o peso dos impostos, proporcionalmente.

Quais os possíveis efeitos da CPMF na economia?

Na visão do tributarista Choaib, o efeito "cascata" do imposto, que incide sobre todos os participantes da cadeia produtiva, tende a ser repassado para os preços dos produtos ao consumidor final, pressionando a inflação. "Isso gera um aumento de preços e, ao final das contas, quem paga é a população", diz. O especialista também acredita que o imposto pode desestimular as movimentações financeiras, restringindo a circulação de dinheiro. "Pode haver uma circulação maior de dinheiro em espécie".

Como surgiu a ideia do imposto?

A CPMF foi criada em 1993, no governo Itamar Franco, com o nome de Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF) e uma alíquota de 0,25%. O objetivo era cobrir parte das despesas com saúde. O Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional a cobrança, que só pôde começar no ano seguinte, devido ao período de 90 dias entre sua aprovação e a entrada em vigor. O imposto durou até dezembro de 1994, como previsto, quando foi extinto.
Em 1996, a foi criada a CPMF com alíquota de 0,2%, no governo Fernando Henrique Cardoso. Em junho de 1999, a CPMF foi prorrogada até 2002 e a alíquota subiu para 0,38%. Esse 0,18 ponto adicional seria destinado a ajudar na Previdência Social. Em 2001, a alíquota caiu para 0,3%. Em março do mesmo ano, voltou para 0,38%, sendo que a diferença seria destinada ao Fundo de Combate à Pobreza. A contribuição foi prorrogada novamente em 2002 e, já no governo Lula, outra vez em 2004. O imposto foi extinto pelo Senado em 2007.