quinta-feira, 26 de março de 2015

Juro bancário de pessoa física avança em fevereiro e bate recorde

No mês passado, taxa atingiu 54,3% ao ano, contra 52% em janeiro.

Série histórica revisada do Banco Central começa em março de 2011.

Os juros bancários cobrados pelos bancos nas operações com pessoas físicas, excluindo o crédito imobiliário e rural, continuaram subindo em fevereiro, segundo informações divulgadas pelo Banco Central nesta  na quarta-feira 25/03/15.

A taxa média de juros cobrada pelos bancos nestas operações, de acordo com o BC, registrou aumento de 2,3 pontos percentuais no mês passado, para 54,3% ao ano, contra 52% ao ano em janeiro (número revisado).

Trata-se do maior patamar desde o início da série histórica, em março de 2011, ou seja, em quase quatro anos. Até então, a maior taxa de juros já registrada para pessoas físicas nas operações com recursos livres havia sido registrada janeiro deste ano.

No mês passado, a autoridade monetária alterou a metodologia do cálculo dos juros bancários. De acordo com a instituição, a mudança insere-se no processo permanente de aprimoramento das estatísticas.

Juro bancário subiu mais que taxa básica

O aumento dos juros bancários acompanha a alta da taxa básica da economia, fixada pelo Banco Central a cada 45 dias para tentar conter as pressões inflacionárias. Desde outubro do ano passado o BC vem subindo os juros ininterruptamente. Naquele momento, a taxa estava em 11% ao ano. Em janeiro, já havia avançado para 12,25% ao ano, um aumento de 1,25 ponto percentual.

Os números mostram que os bancos elevaram suas taxas de juros ao consumidor de maneira mais intensa. Em setembro do ano passado, antes do reinício do ciclo de elevação dos juros básicos pela autoridade monetária, os juros bancários para pessoas físicas estava em 49,2% ao ano, avançando para 54,3% ao ano em fevereiro. Um aumento de cinco pontos percentuais, ou seja, quatro vezes a alta da taxa Selic.

Segundo um levantamento feito pela consultoria Economatica para a BBC Brasil, apesar da desaceleração econômica, a rentabilidade sobre patrimônio dos grandes bancos de capital aberto no Brasil foi de 18,23% em 2014 –mais que o dobro da rentabilidade dos bancos americanos (7,68%)

Taxa de todas as operações e de empresas

Já a taxa de juros média de crédito de todas operações (pessoas físicas e empresas), ainda com recursos livres, ou seja, sem contar crédito habitacional, rural e do BNDES, subiu de 39,1% ao ano em janeiro para 40,6% ao ano em fevereiro deste ano – também o maior patamar da série histórica, que tem início em março de 2011.


segunda-feira, 23 de março de 2015

Gasolina sobe menos, e inflação pelo IPC-S perde força em prévia de março

Alta de preços do combustível diminuiu de 6,48% para 4,56%.
Considerando todos os grupos de despesa, IPC-S ficou em 1,47%.

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) perdeu força da segunda para a terceira semana de junho, ficando em 1,47%, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).

A desaceleração do indicador foi influenciada pela alta menor dos preços da gasolina, que passaram de 6,48% para 4,56%.

Entre os grupos de despesas analisados pela pesquisa, o de transportes exerceu a maior contribuição para o comportamento do IPC-S. A taxa diminuiu de 2,05% para 1,42%.

Também registraram decréscimo em suas taxas de variação os grupos alimentação (de 1,25% para 1,09%); educação, leitura e recreação (de 0,94% para 0,68%); vestuário (de -0,09% para -0,22%); despesas diversas (de 0,99% para 0,83%); e comunicação (de 0,07% para -0,06%).

Na contramão, ficaram mais altos os preços dos grupos habitação (de 2,58% para 3,19%) e saúde e cuidados pessoais (de 0,71% para 0,83%).

Veja o comportamento de preços de alguns itens:

Tarifa de eletricidade residencial (de 13,29% para 18,36%)
Artigos de higiene e cuidado pessoal (de 1,45% para 2,07%)
Hortaliças e legumes (de 8,38% para 6,24%)
Salas de espetáculo (de 2,26% para 1,19%)
Roupas femininas (de -0,29% para -0,61%)
Cigarros (de 0,84% para 0,49%)
Mensalidade para TV por assinatura (de 0,55% para 0,15%)


segunda-feira, 16 de março de 2015

'O Planejamento é mais importante que a Fazenda'
Prof. Cosenza da COPPE/UFRJ
Professor Emérito da UFRJ e titular da Coppe, Carlos Alberto Cosenza diz que é o Planejamento que define metas de crescimento para o país
O sr. é um crítico do ajuste fiscal implementado pelo ministro Joaquim Levy. Qual é o motivo principal? 
Esse ajuste fiscal vai retirar dinheiro do sistema, porque está ligado aos “dez mandamentos da lei de ortodoxia econômica”. Ao se começar o ajuste, retira-se dinheiro do sistema, que compõe uma demanda agregada. Ao se subtrair moeda do sistema, vai-se diminuir o poder de compra e a liquidez do sistema, e a oferta de moeda cai. Acoplado ao ajuste, vêm outras reações, como o aumento do depósito compulsório dos bancos. Trabalhei no Ipea, no BNDES, até no gabinete do ministro Roberto Campos, e tive a oportunidade de ver qual é a repercussão sistêmica de tudo isso. Após esse aumento do depósito compulsório — que vai acontecer por conta da redução e encarecimento do crédito, já que o dinheiro tem um preço —, você vai perceber que o aumento da taxa de juros vai afetar a velocidade de renda a curto prazo, inibindo o investimento. A taxa de juros não resolve nenhum problema de inflação. Existem vários tipos de inflação. Ela vai inibir a dos bens supérfluos e, principalmente, alguns projetos cuja taxa de retorno estão em torno de 14%, 15%, porque, com a taxa de juros rondando os 13%, ninguém vai investir volumes dessa natureza.
Na visão do governo, o ajuste seria necessário para corrigir um desequilíbrio das contas públicas. O sr. discorda?
Sim. Que ajuste é esse? Está colocado? Que contas estão desnorteadas? Ajuste não significa cortar verbas para várias áreas. Eu ouço dizerem que “o governo deve cortar seus gastos”. Isso não tem sentido. O governo deve melhorar os seus gastos, isso sim vai ter um efeito extraordinário e multiplicador na renda nacional. Quando se corta gastos, tira-se dinheiro do sistema. 
Em que medida?
Observe os resultados dos pequenos gastos cortados agora no Ministério da Educação, que afetaram a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Estamos sem limpeza, segurança. O Congresso Nacional deve estar com um gasto de R$ 9 bilhões, ou em torno disso, e o orçamento da universidade deve estar em R$ 438 milhões. O Congresso, com aqueles prédios e o número de pessoas lá dentro, que deve ser mais ou menos o número de professores da UFRJ, gasta R$ 9 bilhões, e nós estamos com esse orçamento. E quase metade de nossa verba é gasta com serviços terceirizados, cujas empresas desempregaram todos. 
O sr. afirmou que, em reunião recente em Dublin, os economistas estrangeiros mostraram certa estranheza com a opção feita pelo Brasil.
Até mesmo um colega meu da UFRJ, César das Neves, que era apoiador das ideias de Cavaco Silva (economista e atual presidente de Portugal) e foi colega dele na York University, ficou surpreso com o número de desempregados agora, em Portugal. Como jornalista, ele mesmo ficou desempregado. Ele diz que entende que, hoje, no politicamente correto, tudo é admissível. E fala que a mídia na Europa, de alguma forma, está muito associada ao poder, com amplo domínio sobre a opinião pública e estreitas relações com o poder econômico. No nosso caso, eu fiquei preocupado, principalmente, quando ele coloca que o ministro das Finanças é imposto pelo mercado. Essas medidas estão vindo do mercado. Mas o próprio mercado nunca se definiu bem. O Brasil cresce 0% e um banco tem lucro de 26%. Há de se convir que quebrou toda a correlação existente de crescimento homogêneo.
A escolha de Levy não teria sido da presidenta, então? 
Eu acredito que foi para agradar ao mercado, porque ele tem uma formação... Levy é engenheiro. Por isso afirmei que, no Brasil, colocam as pessoas erradas nos lugares errados. O engenheiro quer ser economista; o economista quer ser cientista político; o cientista político quer ser filósofo, e o filósofo quer ser Deus. Então, estamos com um problema muito sério.
Para o sr., o ministro Levy é uma escolha errada?
Não, eu acho que ele é um sujeito competente. Mas a primeira coisa que se deve fazer é manter as conquistas. Nós conseguimos ser, segundo pesquisas, o 20º país de consumo do mundo. Em Dublin, os economistas estavam impressionados com as medidas que poderiam fazer esse estágio de avanço regredir. Não tinha sentido, porque eles estavam sob a troika (Comissão Europeia, BC Europeu e Fundo Monetário Internacional) e nós estávamos inventando uma austeridade na qual nada estava claro, em termos de estatística econômica. Mesmo as contas nacionais, o que vai arrumar? É cortar na educação, na saúde, na segurança. Cortes dessa natureza são delituosos. A primeira coisa que o Levy deveria fazer era uma modelagem garantindo o que já se conseguiu. Aí, ele pode arrumar a casa, sim, mas não fazer com que haja regressão.
Basicamente, seria cortar despesas em outros setores?
Não cortar os gastos, mas melhorar a qualidade dos gastos. Com isso, aumenta-se o multiplicador na renda nacional dos gastos do governo, que é tão importante quanto consumo e investimento. Com relação ao investimento, é interessante que, nas estatísticas, ele ficou estagnado em 18,5%, com tantas obras no Brasil. Eu nunca entendi isso. E olhe que tanto o chefe das Contas Nacionais como a presidente do IBGE foram meus alunos na Coppe...
Sem falar dos aportes do BNDES, cada vez maiores...
Sim. E você pode escrever: ninguém sabe qual é o PIB nacional. É tão difícil entender a magnitude do PIB, que basta mudar a metodologia para que ele se altere. O PIB é o quê? Uma figura abstrata? Na realidade, o Brasil está à frente da Inglaterra na formação bruta de capital. Só que a desvalorização do real nos joga para trás. Nossa posição no mundo está dependendo da desvalorização ou valorização do real. Não é um problema de produção.
E a elevação da taxa de juros, que deve continuar?
A taxa de juros não combate a inflação. Há vários tipos de inflação, e nenhuma delas é tocada pela taxa de juros. É lógico que, a longo prazo, ela vai conseguir frear tudo, não só os preços. Altas dos juros são importantes para gerar excedentes para a classe alta e rica. Vai gerar esse excedente, mas criar um problema. No segundo ano, a gente já ensina para os alunos que a taxa de juros tem uma correlação inversa ao investimento. O investimento ainda tem o problema do risco e da maturação. A taxa de juros regula tanto o mercado financeiro, quanto o produtivo. Quando ela aumenta, tira dinheiro do sistema produtivo e vai para o financeiro. A taxa de juros serve para atrair um capital especulativo. Isso faz com que os fundos dos Estados Unidos e da Europa que aplicam dinheiro fiquem exultantes, porque a taxa de juros facilita a captação de recursos que não são, necessariamente, voltados para o investimento. Ainda se faz confusão quando se compra uma empresa nacional, diz-se que foi um investimento, quando foi uma transferência. É uma série de erros conceituais, que é importante discutirmos. O Brasil Econômico é um dos jornais que eu levo para sala de aula para discutir. Tem outros que nem vale a pena, porque os erros conceituais são de tal ordem, que os alunos vão ficar preocupados.
Mas a elevação dos juros vai ajudar a combater a inflação?
De jeito nenhum. Tem vários tipos de inflação. A taxa de juros combate a dos bens supérfluos e inibe o investimento. Ninguém que tenha uma taxa de retorno de 14%, 15%, que é mais ou menos o normal de um volume muito grande de recursos, arrisca-se a fazer esse investimento com uma taxa de juros perto de 13%. Eu sou responsável pela área de projetos da Coppetec, e já vi que vamos perder uma série de projetos nesse caminho. Eu tenho que ficar quieto, para não aconselhar o indivíduo que tem R$ 500 milhões para aplicar a ir para o mercado financeiro. E o projeto envolve estudo de mercado, escala, localização, um conjunto de riscos e o prazo de maturação do investimento. Fala-se que o Estado tem que sair e o mercado entrar. Se o Estado sair, até as multinacionais que usam os recursos disponibilizados pelo BNDES não terão mais onde pegar dinheiro.
O erro do governo seria de diagnóstico ou da dosagem do remédio?
Você citou a palavra mágica: diagnóstico. Nos anos 70, eu estava trabalhando no BNDES e fui convidado pelo João Paulo dos Reis Veloso para coordenar uma parte do planejamento regional para o Plano Nacional de Desenvolvimento. Era no Epea (Escritório de Pesquisa Econômica Aplicada), o gabinete de suporte ao ministro do Planejamento na época, Roberto Campos. O que se fez antes de qualquer tomada de decisão do Planejamento? Um diagnóstico completo do Brasil. Você não pode tomar nenhuma medida sem diagnóstico. Tem que ver como está o Nordeste, o Sudeste, o Centro-Oeste e fortalecer as instituições de fomento regional. No plano que fiz tanto para o Brizola quanto para o Cristovam Buarque, a ênfase era regional, no sentido de canalizar os investimentos para as regiões cujos recursos locacionais eram mais adequados. E evitar que os incentivos fiscais distorcessem o encaminhamento dos investimentos para recursos locais. Isso, realmente, não aconteceu e os incentivos se perderam naquela ocasião. De São Paulo, investia-se em empresas no Nordeste que deveriam estar melhor em São Paulo. Os recursos iam do Sudeste/Sul para o Nordeste, em escala muito maior, porque eram projetos novos, mas o mercado estava aqui. Além da rede bancária comercial, que agia como uma ventosa. Quando se coloca recursos em um banco regional, eles têm que ficar lá para sustentar o produto lá gerado. Mas a rede bancária traz os recursos para as regiões de maior rentabilidade do capital, porque não há uma legislação de manter os recursos no local.
E a resistência do Congresso em relação às medidas de ajuste?
São reações políticas, muito de interesse pessoal. Eles não estão combatendo as medidas do governo com uma sustentação teórica, consistente, apenas politicamente. Veja o que vai acontecer com a demanda: a desvalorização cambial torna os produtos mais baratos para os consumidores estrangeiros, o que poderia vir a estimular as exportações, mas a indústria brasileira não consegue nem se apropriar disso. Se as exportações fossem estimuladas, diminuir-se-ia ainda mais a oferta interna. E a desvalorização cambial encarece as importações. A própria indústria, que pediu que o dólar se valorizasse, está com problemas na importação de insumos e componentes. Realmente as ações não são feitas com planejamento. Era algo que o João Paulo dos Reis Veloso fazia com grande sabedoria.
O sr. acha que, hoje, está se tratando apenas de um problema de caixa?
Um problema de caixa, pontual, sem considerar que o processo é sistêmico. Nenhuma medida fica impune. A autoridade monetária vai promover uma retração monetária através de venda de títulos públicos no mercado, algo que está dentro desse pensamento neoliberal. Ela retira mais moeda de circulação e vai desidratar ainda mais a demanda agregada e, assim, desaquecer a economia. Observe um paradoxo: a teoria neoliberal se fixa neuroticamente na inflação de demanda, como a indústria não responde, não se sensibiliza, vai se diminuir a inflação, diminuindo a quantidade de pessoas que vai ficar no mercado pressionando a oferta. Quando se diminui a demanda, com essas medidas, o sistema produtivo começa a apresentar capacidade ociosa e a capacidade ociosa está ligada ao custo médio. Logo, combate-se inflação de demanda e gera-se inflação de custo. Você vai perceber a coisa ficar mais apertada quando o comércio começar a fazer liquidações. No momento em que ele liquida, ele não faz renovações ao sistema produtivo, que vai começar a fazer estoques e a ter custos de estoques e capacidade ociosa, porque ele não vai continuar produzindo quando o mercado está liquidando. É um fenômeno quando se começa a adotar políticas neoliberais.
E isso vai acontecer?
Já aconteceu nos anos 90, por que não iria acontecer agora, se as medidas seriam as mesmas? Os bancos também podem perder fontes de recursos, que financiam operações de crédito de longo prazo. Nem sempre as condições internacionais permitem tomar dinheiro no exterior e os bancos menores terão problemas. Quando grandes bancos têm lucros absurdos em momentos em que o país não cresce, alguém tem que prestar atenção a isso.
Neste cenário, sua previsão para a economia em 2015 e 2016 é de recessão?
Não chega a ser recessão, é um desaquecimento. Digo para os meus alunos que o desaquecimento é quando o cara da esquina fica desempregado. Recessão é quando teu vizinho fica desempregado e depressão é quando você fica desempregado. É uma brincadeira, sem nenhum sentindo teórico, mas eu não tenho dúvida de que o pessoal de CLT vai ter problemas. Eles terão que aumentar a produtividade. E a produtividade que o pessoal conhece para tentar readquirir é através da reengenharia. E se voltarmos com a reengenharia, vamos acabar com a solidariedade dentro das empresas. A reengenharia faz com que saiam 10 caras e 4 passem a tocar o barco. Eu tenho medo dessa volta. Espero que Levy consiga equilibrar isso, na medida em que faça um diagnóstico correto, para tomar ações corretas, e não pontuais. Porque o ambiente é sistêmico e nada fica impune. Vai ter repercussões.
Que repercussões seriam essas?
Vai haver redução sistemática da oferta de dinheiro, independentemente da taxa de juros. Essas medidas vão deslocando a demanda agregada para baixo e para a esquerda. Isso vai fazendo com que o sistema produtivo se equilibre num preço menor, mas como a capacidade ociosa gera custos mais altos, algumas empresas vão quebrar. Não se pode abaixar preços em cima da demanda. E as empresas vão se adequar à nova demanda, com a redução de sua capacidade de produção. Mas o período de capacidade ociosa fará com que muitas empresas não consigam cobrir seus custos em função dos preços que se praticam no mercado.
Podemos ter aquelas falências purificadoras no mercado?
Sem dúvida nenhuma. O aumento de impostos tem uma certa inércia até atingir a demanda, mas a atinge.
Esse cenário todo contribui para a tensão reinante que estimula manifestações como as de sexta-feira e domingo?
Acho que há uma ignorância comovedora nesse meio. De várias pessoas, inclusive em vários níveis, que me impressiona. Me parece que essas manifestações vão misturar ideologias, só vão gerar mais inquietação. É o pessoal da CUT e mais à esquerda não concordando com as medidas, e os outros não concordando com a presidente. As pessoas ouvem as notícias e não têm capacidade de interpretá-las. 
Mas essa insatisfação que se vê não está ligada ao atual quadro da economia?
A moça que trabalha na minha casa ia de ônibus para o Nordeste e, agora, vai de avião. Hoje, quando se vai ao sertão de Mandacaru, se encontra motos no lugar de jegues. Acho que houve uma mudança extraordinária.
O grande foco de oposição hoje do governo não é o Nordeste, é São Paulo, com um padrão de vida diferente e um grande polo industrial...
Sim. Um grande polo industrial que vai correr riscos também. A partir do momento em que a demanda cair, essa queda se generaliza. Um comerciante que vende produtos naturais me disse que a demanda dele já caiu 10%, porque não é uma demanda de bem essencial. Mas não me consta que o nosso amigo do Morro do Salgueiro diga para a mulher não comprar feijão porque a taxa de juros está alta. A inflação que nos interessa combater é a de bens essenciais. Nós fizemos vários armazéns para estocar alimentos, grãos. Fizemos um projeto pela Coppe para o Porto de Sepetiba no mesmo sentido, de usar o porto para dinamizar regiões de áreas de influência.
Em discurso pelo Dia Internacional da Mulher, a presidenta reconheceu que havia motivos para irritação de parte da opinião pública.
Eu gostaria de saber em que ponto estão as insatisfações com a economia. Se é uma influência pela publicidade disso ou se sabe, exatamente, o que é. O povo de uma maneira geral não distingue nada. Não que ele seja ignorante, ele vai pelas opiniões. Como foi o caso do meu colega, o PhD, que repete que a “economia está uma droga”. Nada está bem esclarecido. E se fizermos um retrospecto e uma comparação temporal, nós nunca estivemos tão bem.
Esses problemas da economia de hoje seriam circunstanciais, como a presidenta classifica?
Eles não são só circunstanciais, são também da não organização do sistema econômico por parte do governo. Há ministérios exageradamente. Acredito que o Ministério da Fazenda tem que ter consonância com o Ministério do Planejamento. É o Ministério do Planejamento que define metas de crescimento e de desenvolvimento. Mas, em nosso país, isso nunca aconteceu. Sempre existiu um ministro de cortes e os restantes são contemplativos. Onde está o plano de metas dessas novas medidas que vão ser tomadas? Quando você toma medidas restritivas, tem que ter medidas compensatórias. É preciso apresentar um horizonte ao empresário. O Planejamento é mais importante que a Fazenda, que trabalha com política fiscal e monetária. É muito fácil se trabalhar com fórmulas de bolo. Se têm 10 medidas que vão levar ao desaquecimento e, se não tomarmos cuidado, esse desaquecimento vira recessão e depois cai na depressão, sem necessidade. Nós chegamos à classe média como o 20º país no mundo de consumo. Isso deve ser mantido. O que tem que ser incentivado é o setor industrial se reorganizar. Porque ele foi muito dirigido por incentivos fiscais e se localizou mal, se dimensionou mal e, hoje, não tem capacidade de competir. O governo pode dar qualquer tipo de incentivo que o setor não anda. E, agora, tirando as medidas favoráveis, vai ficar em uma situação pior.
O sr. falou do estímulo ao consumo. Esse modelo de crescimento seria viável ainda?
O consumo é fundamental. O que tem que ser feito é um diagnóstico do sistema produtivo.
No atual ambiente de negócios, se o sr. fosse empresário, investiria?
Em inovação, sem dúvida. E usaria a universidade. O que nós fazemos aqui, ninguém sabe. O trem de levitação magnética, a robótica submarina, a energia das ondas, a energia solar: projetos maravilhosos da Coppe. Hoje, se eu digo que sou cientista, o banco não me dá crédito.
O sr. acredita que a economia vai entrar nos eixos em 2016?
Vai depender de como vai ser atacado o programa de incentivos às indústrias para desenvolver pesquisas na área tecnológica e inovação.

quarta-feira, 11 de março de 2015


Estácio lança linha de crédito em parceria com o PRAVALER para alunos que não podem pagar a graduação

Aluno paga metade do valor da mensalidade durante o curso sem juros e o restante depois de formado
Em um momento de grande incerteza para milhares de alunos em todo o país por conta das mudanças anunciadas pelo governo para o FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), a Estácio disponibilizou em todo o Brasil uma alternativa para alunos novos e veteranos de cursos de graduação presencial, exceto Medicina, o crédito universitário PRAVALER, considerado o maior programa privado do gênero do país.
A principal vantagem é que a Estácio vai subsidiar os juros para o aluno que escolher financiar seus estudos pelo PRAVALER, de modo que ele pagará o valor total do curso, corrigido apenas pela inflação do período, ao longo do dobro de tempo de duração de sua graduação. Cada mensalidade é dividida em duas parcelas iguais e o aluno paga metade da mensalidade por mês. Em um curso de Administração presencial, por exemplo, de quatro anos de duração e mensalidade de R$ 750,00, com o PRAVALER o aluno paga R$ 375,00 ao longo do curso e o restante depois de formado, por mais quatro anos, com os juros subsidiados pela Estácio.

“Os juros serão pagos pela própria instituição. Isso foi possível porque a Estácio entende
que, com o programa sem juros, é possível aumentar o acesso ao ensino superior e garantir que os alunos escolham o curso que realmente desejam. Com a parceria Estácio e PRAVALER, nossos alunos podem pagar a faculdade com uma mensalidade que cabe no bolso e estudar ainda neste 1º semestre de 2015”, explica Rafael Baddini, diretor de marketing da Ideal Invest, empresa gestora do PRAVALER.

Para contratar o financiamento, o aluno precisa atender três pré-requisitos: ter um garantidor com renda a partir de um salário mínimo e comprovar renda mínima de duas vezes o valor da mensalidade (uma composição com base na soma das rendas do garantidor e do aluno, sendo que o aluno pode não possuir renda alguma). Além disso, aluno e garantidor não podem ter restrições de crédito no SPC e SERASA.

Cumpridas estas exigências, o procedimento é simples: o aluno preenche um cadastro no site do PRAVALER (www.creditouniversitario.com.br), que analisa o crédito na hora. Na sequência, a Estácio avalia os alunos pré-aprovados e faz a confirmação dos dados acadêmicos. O aluno imprime o contrato no site do PRAVALER e envia pelos Correios para o endereço indicado pelo PRAVALER.

Para Alexandre Ferraz, diretor executivo de Marketing da Estácio, a parceria com o PRAVALER evoluiu rapidamente nas últimas semanas diante da grande crise que se instalou no setor com as mudanças anunciadas pelo governo para o FIES, que pegaram todos de surpresa: alunos, professores e instituições de ensino.

“O compromisso da Estácio com seu aluno só aumentou diante de todo este cenário de incerteza e desinformação sobre os rumos do FIES. Por isso agimos rápido para oferecer uma alternativa segura, simples e acessível.”

 

sexta-feira, 6 de março de 2015

Inflação oficial acumula alta de 7,7% em 12 meses, a maior taxa desde 2005

Fevereiro teve a maior taxa para o mês desde 2003: 1,22%.
O destaque do mês ficou com a gasolina; os preços subiram 8,42%.

A inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 1,22% em fevereiro, depois de avançar 1,24% em janeiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a maior taxa para meses de fevereiro desde 2003, quando ficou em 1,57%.

No acumulado de 12 meses, o indicador acumula alta de 7,7%, a mais elevada desde maio de 2005, quando atingiu 8,05%. Em fevereiro do ano passado, o índice foi de 0,69%. No acumulado de 2015, a inflação ficou em 2,48%, acima do percentual de 1,24% registrado em igual período de 2014.

“O aumento dos impostos [PIS, Cofins, IPI dos automóveis, imposto sobre cosméticos] teve influência significativa no IPCA de fevereiro”, afirma Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

Gasolina é destaque

O destaque do mês ficou com a gasolina. Os preços subiram 8,42%. Refletindo aumento nas alíquotas do PIS/Cofins, que entrou em vigor em 1º de fevereiro, a gasolina exerceu um impacto de 0,31 ponto percentual, sendo responsável, sozinha, por um quarto do IPCA, ou seja, 25,41%. Assim, os gastos com transportes subiram 2,2%, grupo que apresentou o mais elevado impacto no mês (0,41 ponto percentual), segundo o IBGE.

“O reflexo do aumento do imposto sobre as bombas ficou em 8,42%. A reboque da gasolina, o etanol também aumentou 7,19%. E neste ano, o diferencial foi que ao invés da educação tradicionalmente ser o item que mais se destaca nos meses de fevereiro, a gasolina estrelou mais, pressionou mais”, diz Eulina.

“A estimativa [do aumento da gasolina] era 22 centavos por litro. E os preços anteriores a esse eram inferiores a R$ 3, em termo de preço médio. E neste mês de fevereiro, o que vimos é que nenhuma região teve preço médio inferior a R$ 3,10”, diz a coordenadora.

De acordo com Eulina, o preço médio da gasolina em janeiro em Salvador era R$ 3,10 e passou a ser R$ 3,53 em fevereiro. No Rio, o preço médio era R$ 3,21 e em fevereiro ficou em R$ 3,38. Em São Paulo, passou custar R$ 3,10 e em janeiro era R$ 2,89. “Em Campo Grande o etanol aumentou 12,26%. Em Salvador, 13,92%. Ou seja, ficou bem mais caro encher o tanque”.

Cursos diversos, gasolina, cursos regulares, etanol, ônibus urbano, energia elétrica e automóvel novo, sozinhos, foram responsáveis com 0,90 ponto percentual do IPCA do mês, segundo Eulina.

Educação

Considerando os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, a variação mais elevada foi registrada no grupo educação, que atingiu 5,88%, refletindo os reajustes praticados no início do ano letivo, especialmente nos valores das mensalidades dos cursos regulares, que subiram 7,24%.

Habitação

Outro impacto veio do grupo habitação, cuja variação foi de 1,22%, com destaque para energia elétrica, que registrou variação de 3,14%. A variação de preços na conta de luz refletiu movimentos nos valores dos impostos e parcela residual da aplicação do Sistema de Bandeiras Tarifárias sobre as contas, a partir de 1º de janeiro.

Despesas e cuidados pessoais

O grupo despesas pessoais teve variação de 0,86%, e o item cigarro foi um dos destaques. Após reajustes desde o ano passado, a variação do item foi de 1,16%. Também se sobressaíram os itens excursão (6,93%), cabeleireiro (1,09%) e manicure (1,04%). No grupo saúde e cuidados pessoais, que teve variação de 0,6%, destacaram-se os serviços médicos e dentários (1,14%) e os artigos de higiene pessoal (0,89%).

Residência

No grupo dos artigos de residência, que variou 0,87%, a alta foi puxada pelos eletrodomésticos, cujos preços se elevaram em 2,15%, e pelos serviços de conserto e manutenção de equipamentos domésticos, que subiram 1,70%.

Alimentação

O grupo alimentação e bebidas variou 0,81% e, segundo o IBGE, observa-se redução no ritmo de crescimento de preços, comparando-se com a taxa de 1,48% registrada no mês anterior. Os alimentos consumidos fora de casa (0,95%) tiveram aumentos acima dos consumidos em casa (0,74%).

Queda

Dois grupos tiveram queda no índice de fevereiro: vestuário, de 0,6%, reflexo das promoções ocorridas no mercado, e comunicação, de 0,02%, devido à redução média de 22% nas tarifas de telefonia fixa para móvel, a partir de 24 de fevereiro, de acordo com o IBGE.

Por regiões

Nos índices regionais, a cidade do Rio de Janeiro teve a maior variação no acumulado de 12 meses: 9,02%. Goiânia e Porto Alegre vêm em seguida, com 8,95% e 8,18%, respectivamente. “Na ótica dos 12 meses, já temos regiões como o Rio de Janeiro que já foi para casa dos 9%, foram 9,02%. Assim como Porto Alegre. O Rio tem sido mais pressionado. A gente tem atribuído devido à demanda da Copa do Mundo, ano que vem tem as Olimpíadas, carnaval, então Rio tem sido pressionado pelo aumento de preços”, ressalta Eulina.

Acima da meta

Com isso, a estimativa do mercado para o IPCA de 2015 segue acima do teto do sistema de metas. A meta central de inflação para este ano e para 2016 é de 4,5%, com tolerância de dois pontos para mais ou para menos. O teto do sistema de metas, portanto, é de 6,5%. Em 2014, a inflação somou 6,41%, o maior valor desde 2011.

INPC

Nesta divulgação, o IBGE também apresentou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que apresentou variação de 1,16% em fevereiro, 0,32 ponto percentual abaixo do resultado de 1,48% em janeiro.

No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 7,68%, acima dos 7,13% dos 12 meses anteriores. Em fevereiro de 2014, o INPC foi de 0,64%.


Cristiane Cardoso e Marta Cavallini Do G1, no Rio e em São Paulo

quinta-feira, 5 de março de 2015

Quarto aumento consecutivo da taxa de juros movimenta a nossa economia em busca de contenção da inflação.

O Brasil reassumiu a liderança do ranking mundial de juros reais, segundo levantamento feito pela consultoria MoneYou. Nesta quarta-feira, o Banco Central promoveu o quarto aumento consecutivo nos juros básicos da economia, que subiram de 12,25% para 12,75% ao ano - o maior patamar em seis anos.
Em janeiro, logo após a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, a economia brasileira ainda figurava na segunda colocação do ranking.

. Os juros reais são calculados após o abatimento da inflação prevista para os próximos 12 meses e são a principal forma de comparação entre os países.

De acordo com o estudo da consultoria MoneYou, o Brasil, após a nova alta promovida pelo BC, tem juros reais de 5,28% ao ano. Está bem acima do segundo  e terceiros colocados, a China e a Índia, que possuem juros reais de 3,18% e de 3,17% ao ano, respectivamente. Em quarto e quinto lugares, figuram Taiwan (1,47% ao ano) e Filipinas (0,97% ao ano). A taxa média de juros das 40 economias pesquisadas na confecção do ranking está negativa em 1% ao ano.

"O Brasil ocupa em todos os cenários o primeiro lugar do ranking como melhor pagador de juros reais do mundo, acima dos maiores pagadores nominais [sem o abatimento da inflação prevista para os próximos 12 meses] da atualidade, a Venezuela e a Argentina", diz o levantamento. De acordo com o MoneYou, somente um corte de dois pontos percentuais nos juros brasileiros tirariam o país da liderança do ranking de juros reais.

O Brasil é a uma das poucas economias emergentes que está subindo os juros. Nos últimos dias, tanto a China quanto a Índia promoveram cortes nos seus juros básicos. A Turquia também está promovendo redução em sua taxa de juros - em um momento de fraco nível de atividade na economia internacional.

O México cortou os juros em junho do ano passado e, desde então, a taxa está estável em 3% ao ano. Até mesmo a Rússia, que havia subido os juros fortemente para 17% ao ano no fim do ano passado, baixou sua taxa para 15% ao ano nos últimos dias de janeiro.

Segundo o site Moneyou, somente o Brasil e mais seis países apresentaram projeções de inflação mais forte, enquanto a maioria demonstrou forte queda devido ao preço internacional do barril do petróleo.
Fonte: www.globo.com e www.http://moneyou.com.br/


segunda-feira, 2 de março de 2015

Veja os limites para as deduções do Imposto de Renda 2015

Deduções podem ser feitas somente no modelo completo de declaração. Para o modelo simplificado, desconto é de 20% da renda tributável.

Na declaração simplificada, o contribuinte tem um desconto "padrão" de 20% na renda tributável, limitado a R$ 15.880,89.

Quem teve gastos dedutíveis maiores, com dependentes e saúde, por exemplo, pode optar por fazer a declaração completa do Imposto de Rendo.

É possível deduzir até R$ 2.156,52 na declaração do IR deste ano.

Nas despesas com ensino infantil, fundamental, médio, técnico e superior (o que engloba graduação e pós-graduação), o limite individual de dedução é de R$ 3.375,83.

Não há limite máximo. Podem ser deduzidos pagamentos a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, hospitais, além de exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias.

O limite de abatimento é de R$ 1.152,88.
Esse valor corresponde à alíquota de 12% aplicada sobre o salário mínimo de R$ 724 vigente no ano passado. Caso o empregador pague mais de um salário mínimo, ele não pode abater todo o valor gasto com a contribuição patronal do INSS.

O abatimento referente a doações para incentivo à cultura, atividade audiovisual, desporto e estatuto do idoso estão limitadas a 6% do imposto devido.

O limite de dedução das contribuições é de 12% da renda tributável.