quarta-feira, 3 de junho de 2015

De acordo com o IBGE o desemprego fica em 8% no trimestre de 2015

 
É a maior taxa para o trimestre desde o início da pesquisa, em 2012.
No trimestre encerrado em abril, havia 8 milhões de pessoas desocupadas.

A taxa de desemprego subiu nos últimos três meses até abril deste ano e chegou a 8%, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mesmo trimestre de 2014, o índice foi de 7,1%, no trimestre encerrado em janeiro deste ano, em 6,8%, e nos primeiros três meses de 2015, em 7,9%.

Cimar Azeredo - IBGE
“Um número maior de pessoas procurou trabalho do que a gente observou em períodos anteriores”, afirmou o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

De acordo com o IBGE, é a maior taxa para o trimestre encerrado em abril desde o início da pesquisa, que começou em janeiro de 2012. Naquele ano, o índice de desemprego ficou em 7,8%, se repetindo em 2013.

Na comparação com todos os trimestres, é o maior resultado desde janeiro a março de 2013, quando a taxa também foi de 8%.

Segundo Azeredo, no trimestre até abril de 2013 para 2014, a população ocupada aumentou 1,9%. Já no mesmo período de 2014 para 2015, cresceu apenas 0,7% - a menor geração de postos de trabalho da série.

Os números fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que substitui a tradicional Pnad anual e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME). São investigados 3.464 municípios e aproximadamente 210 mil domicílios em um trimestre, informou o coordenador do IBGE.
 
Ocupação

No trimestre encerrado em abril, havia 8 milhões de pessoas desocupadas. A estimativa no trimestre de novembro a janeiro de 2015 era de 6,8 milhões, o que aponta alta de 18,7% (1,3 milhão de pessoas a mais). No confronto com igual trimestre do ano passado, essa estimativa sobe 14% (985 mil pessoas a mais).

Já o número de pessoas ocupadas foi estimado em 92,2 milhões. No confronto com o trimestre de novembro a janeiro deste ano, houve redução de 511 mil pessoas (-0,6%). Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, a estimativa sobe 0,7%, (629 mil pessoas a mais).

“Em anos anteriores, ela [população ocupada] ficou estável. Agora, ela apresenta um início de queda de 0,6%. O que significa isso? A geração de vagas, de postos de trabalho, de oportunidade de emprego reduziu e consequentemente um número de pessoas buscando trabalho acabou aumentando”, diz Azeredo.
 
O nível da ocupação foi estimado em 56,3% no trimestre terminado em abril - declínio de 0,5 ponto percentual frente ao trimestre de novembro a janeiro. Comportamento semelhante foi observado quando na comparação com igual trimestre do ano anterior. Segundo o IBGE,  isso ocorre devido ao acréscimo da população em idade de trabalhar (1,7%) ter sido superior ao da população ocupada (0,7%).

“A população ocupada subiu 0,7% e a população em idade de trabalhar subiu 1,7%, ou seja, entrou mais gente do que cresceu a população ocupada, consequentemente, o nível da população vai aumentar e consequentemente a fila da desocupação vai aumentar também”, prevê o coordenador.

Azeredo analisa que há uma perda de emprego e da qualidade do emprego, o que leva pode levar a um aumento da informalidade.

“A desocupação aumenta baseada num movimento sazonal só que ela vai além do sazonal, teve intensidade maior. A população ocupada, que até então estava estável, deixou de estar estável, apresentou queda. Ela, num período mais curto, caiu meio milhão. O reflexo foi na população desocupada. Nesse início do ano com final do ano ficou aquela expectativa de quanto o mercado vai reter de população ocupada, e ele não reteve nada, ele botou para fora”, diz Cimar Azeredo.

Setores

No setor privado, houve redução de empregados em relação ao trimestre de novembro a janeiro de 2015 de 1,1% entre os que têm carteira de trabalho e de 3,6% entre os sem carteira assinada. Mesma situação ocorre em relação ao trimestre de fevereiro a abril de 2014 (com carteira, de -1,5%, e sem carteira, de -3,7%). De acordo com o IBGE, em um ano, o contingente de empregados no setor privado com carteira assinada perdeu 552 mil pessoas.

“Você tem perda de emprego tanto no emprego registrado quanto no não registrado. Aquelas pessoas que são arrimo de família e precisam de emprego imediato para se sustentar procuraram um caminho que foi o emprego por conta própria, a informalidade. E parte dos que são sustentados por outras pessoas ou não são arrimo de família pode ter a opção de ir para a fila da desocupação. Agora, que houve perda do emprego, houve”, afirma Azeredo.

Nos grupamentos por atividade, em relação ao trimestre de novembro a janeiro de 2015, houve grande variação apenas no setor de construção (-3,7%). Frente ao trimestre de fevereiro a abril de 2014, houve redução no contingente de trabalhadores na administração pública, defesa e seguridade social (-9,5%) e na construção (-7,6%). Já nos setores de educação, saúde e serviços sociais, e de serviços prestados às empresas, houve aumento na ocupação de 7,2% e 6,7%, respectivamente.

“A construção foi a única que apresentou queda significativa do ano 2014 para 2015. Foi uma mudança de patamar importante. Na indústria você tem queda, mas começa a apresentar processos de recuperação”, analisou Cimar Azeredo.

Rendimento

O rendimento médio real (todos os ganhos recebidos no mês) de todos os trabalhadores ocupados foi estimado em R$ 1.855, estável frente ao trimestre de novembro a janeiro de 2015 (R$ 1.864) e em relação ao mesmo trimestre do ano passado (R$ 1.862).

 

terça-feira, 2 de junho de 2015

Confiança é condição para recuperação

Por Thaís Herédia

A indústria amarga queda de 7,6% entre abril deste ano e o passado, segundo dados divulgados pelo IBGE.  Em 2009 todo, o setor teve queda de 7,4% – a pior em 19 anos. Não é só a produção industrial que alcança comparação com o pior momento da atividade econômica no milênio – o emprego na fábricas também está com desempenho tão negativo quanto aconteceu há seis anos. Em 2014 já teve queda de 3,2%. Nos três primeiros meses de 2015, o quadro acentuou-se para uma redução de 4,6% no nível de emprego do setor.

Quando o tema é expectativa, as comparações negativas vão bem mais longe. O índice de confiança dos empresários da indústria, calculado pela Fundação Getúlio Vargas, está no menor nível em 10 anos. O indicador sinaliza preocupação com o presente e pessimismo com o futuro, ou seja, a virada ainda está distante. Quando olham para dentro da fábrica, os empresários veem seu custo subindo e a produção baixando, com nível de ociosidade em alta.

Vou me ater à questão da confiança, como condição indispensável para a recuperação da economia. A sondagem de confiança do comércio, também calculada pela FGV, já acumula queda de mais de 15% entre dezembro passado e março. O pessimismo está mais forte com a situação atual e, a expectativa para os próximos seis meses melhorou refletindo alguma esperança dos empresários para o segundo semestre do ano – estão mais positivos do que os colegas da indústria.

A Fundação Getúlio Vargas também acompanha a evolução da confiança da construção civil. Qualquer pontuação abaixo de 100 sinaliza uma percepção negativa da economia. Em maio, o indicador sobre a avaliação da situação atual estava em 59,4, e em 86,4 pontos para as expectativas futuras – menos pior. Para os empresários consultados, tudo que depende de crédito e de obras públicas está fadado a paralisar. 

A confiança do consumidor não está diferente de nenhuma das categorias citadas. Em maio, os brasileiros fizeram a pior avaliação sobre sua condição financeira em 10 anos. Foi o que mostrou o levantamento feito também pela FGV. Assim como acontece entre os industriais, os comerciantes e os empresários da construção civil, a percepção dos consumidores sobre a situação atual é pior do que a expectativa para os próximos meses. Ainda assim, as duas visões estão em baixa histórica.

O “ser” mais sensível é o tal do “mercado financeiro”. Ele é sempre o primeiro a mostrar o que sente – para o bem ou para o mal. A movimentação no preço dos ativos financeiros sinaliza a confiança dos investidores – devidamente representados por instituições financeiras – no país e na situação corrente. O “mercado” já passou da fase mais pessimista, vide a recente recuperação da bolsa de valores. O comportamento do dólar, apesar da alta recente, não demonstra ruptura ou risco de.

“Está se formando, não um consenso, mas uma corrente majoritária de opinião de que o governo será relativamente bem sucedido nos ajustes, não só das contas públicas mas também dos preços relativos (conta de luz, por exemplo), num cenário em que o país não está mais no caminho do desastre. Ninguém espera nada de brilhante. Nem significa que não vai haver volatilidade e turbulências à frente. Tudo vai depender de como o governo vai trabalhar as expectativas”, disse ao blog o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola.

Entre as turbulências e a volatilidade, a confiança do consumidor vai piorar antes de melhorar. “O emprego vai continuar tendo uma dinâmica negativa. E no mercado de trabalho, quando a economia retoma, e não vai retomar tanto assim, o emprego não volta ao nível anterior.  As empresas se acostumam a trabalhar com menos gente. A produtividade deve crescer antes do emprego se recuperar”, explica Loyola.