segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Mercado estima mais inflação e queda maior do PIB 

Expectativa de inflação subiu para 9,46% neste ano e para 5,87% em 2016. Previsão de contração do PIB passou para 2,8% em 2015 e 1% em 2016.

As previsões para a inflação e para o nível de atividade da economia brasileira voltaram a piorar para 2015 e também para 2016. Os dados estão no relatório de mercado, conhecido como FOCUS, que é fruto de pesquisa do Banco Central com mais de 100 instituições financeiras na semana passada, e que foi divulgado  hojea segunda-feira (28/9).
  
Para o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, os analistas passaram a estimar, na semana passada, uma retração de 2,8%. Foi a décima primeira queda seguida deste indicador. Até então, a expectativa do mercado era de um recuo de 2,7% para o PIB de 2015. Se confirmado, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%.

Para 2016, os economistas das instituições financeiras passaram a prever uma contração de 1% na economia do país – na oitava revisão para baixo seguida. Na semana anterior, os analistas haviam estimado uma retração de 0,8% para a economia no próximo ano. Para se ter uma ideia, no início de 2015, a previsão dos economistas era de uma expansão de 1,8% para a economia brasileira no ano que vem.


Se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do IBGE, tem início em 1948. O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

Recentemente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a economia brasileira registrou retração 1,9% no segundo trimestre de 2015, em relação aos três meses anteriores, e o país entrou na chamada "recessão técnica", que ocorre quando a economia registra dois trimestres seguidos de queda. De janeiro a março deste ano, o PIB teve baixa de 0,7% (dado revisado).

Inflação

A estimativa dos economistas dos bancos é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano de 2015 em 9,46% – na semana anterior, a taxa esperada era de 9,34%. Mesmo com a queda na previsão, se confirmada, representará o maior índice em 13 anos, ou seja, desde 2002 – quando somou 12,53%. O BC informou na semana passada que estima um IPCA de 9,5% para este ano.

Segundo economistas, a alta do dólar e, principalmente, dos preços administrados (como
telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros) pressiona os preços em 2015. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada.

Para 2016, os economistas das instituições financeiras elevaram sua expectativa de inflação de 5,70% para 5,87% na última semana. Foi a oitava alta seguida do indicador – que continua se distanciando da meta central de 4,5% fixada para o ano que vem.

Pelo sistema que vigora no Brasil, a meta central para 2015 e 2016 é de 4,5%, mas, com o intervalo de tolerância existente, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida. Com isso, a inflação deverá superar o teto do sistema de metas em 2015, algo que não acontece desde 2003.

Taxa de juros

Após o Banco Central ter mantido os juros estáveis em 14,25% ao ano no começo de setembro, o maior patamar em nove anos, o mercado manteve a estimativa de que não devem ocorrer novos aumentos de juros em 2015. Para o fim de 2016, a estimativa subiu de 12,25% para 12,50% ao ano - o que pressupõe reduções da taxa Selic ao longo do ano que vem.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. Pelo sistema de metas de inflação brasileiro, a instituição tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. As taxas mais altas tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços.

Câmbio, balança e investimentos

Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2015 avançou de R$ 3,86 para R$ 3,95 por dólar. Para o término de 2016, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio permaneceu em R$ 4.

A projeção para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2015 subiu de US$ 10 bilhões para US$ 11 bilhões de resultado positivo. Para 2016, a previsão de superávit avançou de US$ 21,3 bilhões para US$ 23,5 bilhões.

Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil permaneceu em US$ 65 bilhões. Para 2016, a estimativa dos analistas para o aporte recuou de US$ 63 bilhões para US$ 62,3 bilhões.


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Mesmo com intervenção do Banco Central dólar opera em alta

Na terça feira 22/9, o BC reforçou em R$ 5 bilhões sua intervenção no câmbio mas não conseguiu conter a alta


O dólar comercial opera em alta pela sexta sessão consecutiva nesta quinta-feira, avançando 2,24% contra o real. A divisa americana opera cotada a R$ 4,233 para compra e a R$ 4,235 para venda. Na máxima da sessão, a divisa já atingiu R$ 4,242. Durante os últimos dias, os analistas atribuíram a alta do dólar ao temor de um novo rebaixamento da nota de crédito soberano do Brasil e ao impasse político que emperra a aprovação do ajuste fiscal. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), por sua vez, registra baixa de 2,34%, aos 44.278 pontos.

Em escala global, porém, dólar opera em leve queda. O índice Dollar Spot da Bloomberg, que mede a força da divisa contra uma cesta das dez principais moedas do mundo, recua 0,13%.

A postura do Banco Central (BC) de deixar o câmbio flutuar está dando margem aos grandes players para especular em cima do câmbio. Ataque especulativo é um termo muito forte ainda, mas é como se fosse isso. O mercado está, de certa forma, testando o BC. Se ele não agir de forma mais efetiva, veremos o dólar passar R$ 4,50 e chegar, quem sabe, a R$ 5 — afirmou Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos. — A desvalorização do real tem fundamentos, é claro, mas não nesses níveis. Pode estar havendo um efeito manada.

Hoje (quinta feira 24/9) o BC fará nova oferta de até 20 mil contratos de swap cambial (que funcionam como uma venda de moeda no futuro) equivalentes a US$ 1 bilhão. Ontem, a intenção da autarquia era também oferecer 20 mil contratos mas só encontrou demanda junto aos bancos para 4,4 mil. Além da oferta de novos contratos de swap, o BC faz a rolagem de 9.450 contratos que venceriam em outubro, como vem fazendo nas últimas semanas.

Mas Zeno acredita que esse tipo de operação não será suficiente para conter o câmbio. Para ele, a situação exige que o BC venda dólares à vista no mercado, hoje depositados nas reservas internacionais de US$ 370,8 bilhões da autarquia.

— Pode até ser que a venda de dólares à vista não contenha a disparada do câmbio, mas ela geraria no mercado a noção de que ele o BC está intervindo. Além disso, o órgão comprou reservas em momentos em que o dólar estava muito baixo. Faz sentindo vender parte desse montante para segurar um pouco o câmbio que, nos patamares atuais, não é interessante para ninguém — recomendou o especialista. — A sinalização até agora do BC, porém, não é nesse sentindo. Mas eu acho que a moeda vai subir ainda mais e ele vai acabar tendo que intervir com mais força.

INTERVEÇÃO MAIOR DO BC

Ontem (quarta feira 23/9), em pregão dominado por nervosismo, o Banco Central (BC) reforçou sua artilharia para tentar conter a volatilidade no mercado de câmbio. Foram anunciados dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra), no total de US$ 4 bilhões, e uma nova oferta de contratos de swap cambial de US$ 1 bilhão.

Mas essa intervenção de US$ 5 bilhões não foi suficiente para segurar a cotação do dólar comercial, que encerrou a R$ 4,145, com alta de 2,24%, um novo recorde desde o início do Plano Real, em 1994.

Fontes da equipe econômica consideraram que a oferta do BC de empréstimos em dólar foi a ação adequada para tentar acalmar o mercado financeiro, além de aliviar a pressão sobre os cupons cambiais. Como não quer queimar reservas, o BC usou o leilão de linha para irrigar o sistema, combinado com operações de swap. Segundo essas fontes, não adiantaria vender dólares no mercado à vista, ou seja, sem o compromisso de recompra.

MAU HUMOR NAS BOLSAS EXTERNAS

No mercado de ações, o dia é negativo para as ações europeias. Os investidores operam com cautela, à espera de declaração, à tarde, da presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Janet Yellen. Contribui para o mau humor os desdobramentos do escândalo Volkswagen, depois de da revista alemã “Autobild” dizer que o carro esportivo X3, dessa vez da BMW, excede os limites de emissão de poluentes da Europa. A BMW emitiu comunicado negando qualquer manipulação de dados, mas suas ações chegaram a cair até 9,5%, maior tombo em quatro anos.


Com isso, a Bolsa de Frankfurt recua 2,23%, enquanto o pregão em Londres.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Dólar vira e volta a bater máxima histórica

Hoje 23/9, a moeda teve alta de 1,83%, vendida a R$ 4,0538.
No ano, o dólar já tem alta acumulada de 52,47%.

O dólar abriu o pregão de hoje quarta-feira (23/9) operando em queda. No entanto, minutos depois passou a subir em relação ao real e ultrapassou o recorde da véspera ao ser cotado a R$ 4,08. Nesta terça-feira, a moeda norte-americana atingiu, durante o pregão, a máxima de R$ 4,0681.

A cotação de fechamento desta terça foi a mais alta já registrada desde a criação do real. A maior até então havia sido registrada em 10 de outubro de 2002, quando o dólar chegou a ser vendido a R$ 4 durante o pregão, mas desacelerou a alta e fechou naquele dia a R$ 3,98.

Na época, a moeda norte-americana foi impulsionada, entre outros, pelas perspectivas de que o então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seria eleito, algo que não agradava o mercado financeiro.


No passado, houve um breve período em que R$ 1 chegou a valer mais que US$ 1 na carteira. Isso aconteceu entre 1994 e 1999, quando o governo passou a controlar artificialmente a cotação da moeda norte-americana para estabilizar a economia do país, recém-saída de uma hiperinflação.

Dólar turismo a mais de R$ 4,50

Nas casas de câmbio, a disparada do dólar já mostra seus reflexos. Na manhã desta terça-feira, a cotação chegava a R$ 4,50 no cartão pré-pago, com o IOF de 6,38% incluído, na Confidence Câmbio. Em espécie, a moeda sai por R$ 4,27. Na Cotação, o dólar chegava a R$ 4,489 no cartão e a R$ 4,276 em espécie (ambos com imposto incluído). Na Vips Turismo, os valores eram de R$ 4,22 e R$ 4,45, respectivamente.


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Entenda o que é a CPMF e como ela afeta sua vida

Imposto foi prorrogado por quatro vezes antes de ser extinto em 2007.
Governo quer recriar CPMF para cobrir gastos da Previdência Social.

O governo anunciou esta semana que vai propor a volta da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF), extinta há oito anos. A medida faz parte do anúncio de R$ 64,9 bilhões para equilibrar as contas públicas em 2016. O imposto deve gerar uma receita de R$ 32 bilhões aos cofres federais.

Por afetar as transações bancárias, a CPMF foi chamada de "imposto do cheque" e é considerada "impopular" e "antipática" por tributaristas. Diferentemente dos impostos cobrados sobre os preços de produtos e serviços, essa cobrança aparece no extrato bancário do contribuinte.

Mas nem todo mundo se lembra como a CPMF funciona. Há quem sequer faça ideia do significado desta sigla, especialmente os jovens da geração Z, nascidos após 1995.

O que é a CPMF?

A Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) foi um imposto que existiu até 2007 para cobrir gastos do governo federal com projetos de saúde. Agora, o governo propõe cobrar uma alíquota de 0,2% sobre todas as transações bancárias de pessoas físicas e empresas para ajudar a cobrir o rombo da Previdência Social. A proposta ainda precisa ser enviada ao Congresso Nacional para votação.

Quem pagará esse imposto?

Todas as pessoas ou empresas que transferirem qualquer valor por meio dos bancos e instituições financeiras. Isso vale tanto para quem saca o dinheiro do caixa eletrônico quanto para quem paga uma conta de telefone via boleto bancário ou a fatura do cartão de crédito. A CPMF chegou a ser chamada de “imposto do cheque”, porque também incide sobre essa forma de pagamento – que era muito mais usada naquela época.

A CPMF é cobrada sobre todas as transações bancárias?

Existiam algumas exceções. Entre elas, a compra de ações na Bolsa ou títulos de renda fixa, retiradas de aposentadorias, saques de seguro-desemprego, salários e transferência de recursos entre contas-correntes do mesmo titular. Movimentações em dinheiro vivo não pagam o imposto. Ainda não se sabe quais regras o governo vai propor na volta da CPMF.

Por que o governo quer recriar o imposto?

Para melhorar o resultado das contas públicas. Elas fecharam no vermelho em 2014 e tinham previsão de déficit no Orçamento de 2016, o que precipitou a perda do grau de investimento da nota de crédito do país pela Standard & Poor’s. A volta do imposto faz parte do conjunto de medidas fiscais no total de R$ 64,9 bilhões para garantir a meta de superávit primário (economia para pagar os juros da dívida pública) de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016.

Quanto o governo espera arrecadar com a CPMF?

Na proposta anunciada, o governo prevê um impacto na arrecadação federal de R$ 32 bilhões. O valor representa quase metade das medidas fiscais anunciadas para equilibrar as contas públicas, incluindo cortes de gastos (suspensão de concursos e fechamento de ministérios) e elevação de outros tributos. Enquanto existiu, o imposto injetou nos cofres do governo mais de R$ 222 bilhões.

Como saber quanto vou pagar de CPMF?

Basta multiplicar o valor que será movimentado por 0,002 (correspondente à alíquota de 0,2%). Por exemplo, se você retirar R$ 100 mil do banco para dar uma entrada em um imóvel, você pagará R$ 200 de imposto pela movimentação financeira. Ao comprar um carro no valor de R$ 30 mil à vista, o contribuinte vai desembolsar uma contribuição de R$ 60. Ao transferir R$ 1 mil para a conta de outra pessoa, você pagará CPMF de R$ 2.

O imposto tem data para acabar?

Como o próprio nome informa, a CPMF é uma contribuição provisória. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que a ideia é que a ela dure quatro anos e depois seja extinta. Mas, no passado, o imposto foi prorrogado quatro vezes. Na visão do tributarista Felipe Renault, da Renault Advogados Associados, a CPMF não deveria ter durado tanto tempo e a alíquota poderia ser reduzida de forma escalonada. “As chances de o governo se tornar dependente da CPMF, como foi no passado, são bem grandes”, diz.

Por que o imposto foi criticado?

Segundo Renault, a CPMF é um imposto de efeito cumulativo, porque ela incide sobre todos os agentes da cadeia produtiva. "Quanto mais complexa for essa cadeia e mais participantes ela tiver, maior será o impacto na carga tributária", diz o especialista. Isso vale para o produtor rural, para os intermediários que revendem seu produto para os distribuidores e para o consumidor final. "A CPMF é criticada porque ela tributa cada etapa dessa cadeia", explica.

Na cadeia de fabricação do pãozinho, por exemplo, isso significa que o produtor de trigo paga CPMF ao comprar insumos; o fabricante da farinha paga de novo ao comprar o trigo; o padeiro paga ao comprar a farinha; e o consumidor paga ao levar o pãozinho.

Quem deve pagar mais impostos?

A carga é igual para todos os contribuintes, em 0,2%, mas Renault lembra que o setor de produção de bens deve ser mais tributado que o de serviços, por envolver mais intermediários dentro da cadeia produtiva. “Serviços depende da atividade intelectual ou pela atividade gerada por uma empresa”, explica. Para o tributarista Samir Choaib, sócio do escritório Choaib, Paiva e Justo Advogados Associados, apesar de todos pagarem a mesma alíquota, a baixa renda deve sentir mais o peso dos impostos, proporcionalmente.

Quais os possíveis efeitos da CPMF na economia?

Na visão do tributarista Choaib, o efeito "cascata" do imposto, que incide sobre todos os participantes da cadeia produtiva, tende a ser repassado para os preços dos produtos ao consumidor final, pressionando a inflação. "Isso gera um aumento de preços e, ao final das contas, quem paga é a população", diz. O especialista também acredita que o imposto pode desestimular as movimentações financeiras, restringindo a circulação de dinheiro. "Pode haver uma circulação maior de dinheiro em espécie".

Como surgiu a ideia do imposto?

A CPMF foi criada em 1993, no governo Itamar Franco, com o nome de Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF) e uma alíquota de 0,25%. O objetivo era cobrir parte das despesas com saúde. O Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional a cobrança, que só pôde começar no ano seguinte, devido ao período de 90 dias entre sua aprovação e a entrada em vigor. O imposto durou até dezembro de 1994, como previsto, quando foi extinto.
Em 1996, a foi criada a CPMF com alíquota de 0,2%, no governo Fernando Henrique Cardoso. Em junho de 1999, a CPMF foi prorrogada até 2002 e a alíquota subiu para 0,38%. Esse 0,18 ponto adicional seria destinado a ajudar na Previdência Social. Em 2001, a alíquota caiu para 0,3%. Em março do mesmo ano, voltou para 0,38%, sendo que a diferença seria destinada ao Fundo de Combate à Pobreza. A contribuição foi prorrogada novamente em 2002 e, já no governo Lula, outra vez em 2004. O imposto foi extinto pelo Senado em 2007.


quinta-feira, 17 de setembro de 2015


Juros do cartão de crédito sobem para o maior nível desde março de 1999

Os juros do cartão de crédito subiram em agosto e atingiram o maior nível desde março de 1999, mostra levantamento feito pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Segundo a Anefac, a taxa média do rotativo (o crédito usado quando o consumidor não paga a fatura em dia) foi de 13,37% ao mês, o que equivale a 350,79% ao ano.

Houve uma elevação de 2,61% na comparação com julho, quando a taxa média era de 13,03% ao mês (334,84% ao ano). Em março de 1999, a taxa média registrada pela pesquisa foi de 13,45% ao mês (354,63% ao ano).

Esses são números médios e podem variar para cada situação específica, porque os bancos oferecem taxas diferentes de acordo com o plano contratado pelo cliente e a relação entre eles (quem tem mais dinheiro no banco paga menos taxas).

Outras cinco linhas de crédito também tiveram alta

Não foram apenas os juros do cartão que subiram em agosto. Todas as seis linhas de crédito para pessoa física que são pesquisadas pela Anefac tiveram alta:

  • Juros do comércio: de 5,25% ao mês em julho para 5,30% ao mês em agosto
  • Cartão de crédito: de 13,03% em julho para 13,37% em agosto
  • Cheque especial: de 10,10% em julho para 10,14% em agosto
  • Financiamento de automóveis: de 2,12% em julho para 2,14% em agosto
  • Empréstimo pessoal/bancos: de 4,13% em julho para 4,15% em agosto
  • Empréstimo pessoal/financeiras: de 7,70% em julho para 7,72% em agosto

Considerando-se todas essas linhas de crédito, na média os juros cobrados dos consumidores passaram de 7,06% ao mês (126,74% ao ano) em julho para 7,14% ao mês (128,78% ao ano) em agosto.

Essa é a 11ª alta consecutiva de juros da pessoa física e o índice médio é o maior registrado desde julho de 2009.

Juros cobrados das empresas também subiram

Os juros cobrados nas linhas de crédito oferecidas para as empresas também subiram: na média, passaram de 4,06% ao mês (61,22% ao ano) em julho para 4,09% ao mês (61,77% ao ano) em agosto.

A taxa média de agosto é a maior registrada para pessoa jurídica desde junho de 2009.

 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Títulos do Tesouro Direto sofrem com turbulência nos mercados

O agravamento da crise doméstica no último mês — que culminou com o Brasil perdendo o grau de investimento pela agência Standard & Poor’s (S&P) — e a turbulência global provocada pela China levaram o investidor brasileiro a apostar que os juros permanecerão altos por mais tempo. No Tesouro Direto, o efeito da mudança de expectativa foi a depreciação dos títulos públicos prefixados e indexados à inflação na carteira dos aplicadores, já que as novas taxas estão bem mais atraentes que as do momento da compra. Assim, a piora de cenário resultará em prejuízo para quem tenta se desfazer das aplicações nesse momento. Por outro lado, afirmam especialistas, esses mesmos títulos são o investimento mais atraente para quem quer entrar agora no Tesouro Direto e desfrutar dos elevados prêmios pagos pelos papéis em um momento de crise.

A rentabilidade bruta dos títulos da classe Tesouro IPCA — que paga taxa de juros determinada no momento da compra acrescida da inflação — com vencimento a partir de 2019 ficou negativa no período de 30 dias terminado em 10 de setembro. O papel com prazo mais longo, em 2035, foi o que mais sofreu, acumulando queda de 11,24%. O único que não está perdendo é o com vencimento em 2017 e pagamento de juros mensais, com rentabilidade em 30 dias de 0,69%. O cenário é o mesmo nos títulos prefixados, que pagam juros fixados quando a aplicação é feita.

OPORTUNIDADE PARA COMPRAR

A rentabilidade está negativa porque o valor dos títulos caiu nesse período. Assim, o investidor que tentar se desfazer dos papéis antes do vencimento sofrerá perdas. Por isso, os especialistas afirmam que quem pretende ficar com o título até o prazo final não deve se preocupar, pois a rentabilidade acordada no momento da compra é garantida pelo Tesouro.

— Os preços variam de acordo com a expectativa de juros futuros. Quando o mercado espera juros mais altos, o preço dos títulos cai — explica Roberto Indech, da Rico Corretora. — A curva de juros futuros está “abrindo” pelas incertezas internas. Obviamente há questões internacionais influenciando, como a alta de juros nos EUA e a China. Mas o movimento tem motivações, principalmente, domésticas.

A escalada da expectativa sobre os juros futuros fica clara no comportamento dos Depósitos Interfinanceiros (DI). O impacto foi mais sentido no longo prazo. Os contratos DI com vencimento em janeiro de 2016 subiram de 14,17% para 14,50% entre 20 de agosto e 10 de setembro, um dia após da perda do grau de investimento. No mesmo período, o DI com vencimento em 2021 saltou de 13,57% para 15,15%.

Amerson Magalhães, diretor da Easynvest, lembra que foi justamente nesse período que o governo apresentou ao Congresso o Orçamento para o ano que vem prevendo um déficit de R$ 30,5 bilhões, algo inédito e que foi um dos principais motivadores do rebaixamento do país.

— Certamente não é um bom momento para vender esses títulos. Por outro lado, é muito bom para comprá-los. Os títulos indexados à inflação, por exemplo, estão oferecendo ganho real acima de 7,4% ao ano. Isso é muito significativo — observa.

Um dia após o rebaixamento, aliás, o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2024 oferecia ganho real de 7,58% ao ano.

Também para Sandra Blanco, da distribuidora de fundos Órama, o investidor já pode começar a direcionar suas aplicações para títulos indexados à inflação. Na opinião dela, apesar da incerteza política, é improvável que a expectativa de juros continue em alta.

— Embora a queda da taxa básica de juros, a Selic, possa demorar a cair, a curva de juros futuras tende a ver sua turbulência se assentar — afirma. — Para quem já tem papéis prefixados na mão, meu conselho é carregá-los até o vencimento. Vender agora é prejuízo.

TESOURO IPCA É RECOMENDADO

Como a turbulência ainda é grande, Sandra recomenda investir em títulos mais curtos, uma vez que os longos são mais vulneráveis a mudanças de cenário. Ela cita o Tesouro IPCA+ 2019 e o com vencimento em 2020 e pagamento de juros semestrais. Segundo ela, os prêmios periódicos acabam diluindo parte do risco.

Indech, da Rico, considera mais prudente adotar uma estratégia pós-fixada a curto prazo. Uma opção é o Tesouro Selic 2017, que acompanha a rentabilidade da taxa básica de juros e, assim, jamais registra rentabilidade negativa para quem o vende antecipadamente.

—Para quem visa ao longo prazo, o Tesouro IPCA+ é a melhor opção, porque o ganho é real e a inflação continuará alta por muito tempo — afirma Indech.

De olho nos prêmios atraentes, o administrador Leandro Klem vem aumentando suas aplicações em Tesouro IPCA+ com juros semestrais e prazo de vencimento em 2020.

—Os prefixados estão em um patamar de juros muito interessante. Como o panorama é ainda complicado, minha estratégia é comprar aos poucos — conta. — Mas sempre tento levar a aplicação até o final. Já me vi precisando de dinheiro e vi os papéis valendo 20%. Três meses depois, estavam rendendo 30% mais.


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Mantida em 14,25% ao ano a taxa de juros SELIC

Copom decidiu manter a Selic a 14,25% após sete altas seguidas.
Veja a repercussão da decisão do Banco Central.



Após sete aumentos consecutivos nos juros básicos da economia brasileira, implementados desde outubro do ano passado, logo após o fim das eleições presidenciais, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu colocar o pé no freio e manteve, em reunião terminada ontem 2/9, manteve a taxa Selic estável em 14,25% ao ano.

Os juros seguem, mesmo assim, no maior nível em nove anos, ou seja, desde julho de 2006. Antes do início deste ciclo de alta, em setembro do ano passado, a taxa básica de juros da economia estava em 11% ao ano. Com isso, a taxa Selic, que serve de referência para o mercado financeiro, avançou, ao todo, 3,25 pontos percentuais nos últimos meses.