sexta-feira, 3 de junho de 2016

Dólar recua, abaixo de R$ 3,55, com fraqueza de emprego nos EUA

Criação de vagas nos Estados Unidos ficar muito aquém do esperado.
Na véspera, a moeda norte-americana caiu 0,01%, vendida a R$ 3,5875.

O dólar opera em queda nesta sexta-feira (3), voltando abaixo dos R$ 3,55, após a criação de vagas de emprego nos Estados Unidos ficar muito aquém do esperado em maio, enfraquecendo as expectativas de aumento de juros no curto prazo na maior economia do mundo. O cenário político local também está sob as atenções do mercado financeiro.

"Tudo sugeria que o Fed podia subir juros muito em breve. Esse dado bate de frente com essa trajetória", disse à Reuters o economista-chefe da INVX Global Asset Management, Eduardo Velho, referindo-se ao Federal Reserve, banco central dos EUA.

A economia dos EUA criou em maio o menor número de vagas em mais de cinco anos, prejudicada pela greve de funcionários da Verizon e pela queda do emprego no setor de produção de bens. Foram abertas apenas 38 mil vagas no mês passado, contra expectativas de 164 mil vagas em pesquisa da Reuters.

Diversas autoridades do Fed, incluindo a chair Janet Yellen, vinham indicando que estavam confortáveis com aumento os juros talvez até mesmo neste mês. Chances menores de isso acontecer tendem a beneficiar ativos emergentes, que costumam atrair recursos estrangeiros com juros mais altos do que economias desenvolvidas.
O dólar recuou à mínima desde 13 de maio frente a uma cesta de divisas nesta manhã, segundo a Reuters.

Cenário local

Em relação ao cenário local, porém, investidores continuavam cautelosos. Embora venham recebendo bem as sinalizações do governo do presidente interino Michel Temer de austeridade fiscal, temem que ele enfrente dificuldades para avançar com a agenda no Congresso Nacional e ainda esperam mais medidas concretas.

Na véspera, Temer disse que não descarta recriar a CPMF, mas garantiu que qualquer aumento de impostos, se houver, será temporário.

"O fator local ainda está muito nebuloso, falta clareza. Muito depende da capacidade do governo de consertar as contas públicas e há muitas dúvidas sobre isso", resumiu o superintendente de derivativos de uma gestora de recursos nacional.
O Banco Central ainda não anunciou qualquer intervenção cambial para esta sessão, mantendo-se ausente do mercado pelo terceiro pregão consecutivo.

Na véspera, o dólar caiu 0,01%, a R$ 3,5875 na venda. Na semana e no mês, o dólar acumula queda de 0,65% e 0,69%, respectivamente. No ano, há desvalorização de 9,13%.


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