terça-feira, 22 de novembro de 2016

Dólar tem 4ª queda seguida e fecha a R$ 3,35

Moda dos EUA recuou 1,03%, a R$ 3,352 na venda.
Dólar acompanhou movimento da moeda no exterior.

O dólar fechou em queda em relação ao real pela 4ª sessão consecutiva, acompanhando o movimento da moeda norte-americana contra outras moedas no exterior. O movimento de queda se manteve mesmo após o Banco Central reduzir sua atuação no mercado de câmbio.

"O exterior acalmou e, internamente, o BC atuou como manda o figurino. Deu cobertura quando precisou e isso deu uma tranquilizada aos agentes", é o que comentam os economistas do mercado.

O momento de alívio veio depois da forte onda de aversão ao risco, que levou o dólar às máximas em anos, causada pela surpreendente eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.

O mercado teme que a política econômica norte-americana pode se tornar inflacionária e pressionar o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, a elevar os juros na maior economia do mundo

O mercado monitora pistas sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos porque taxas mais altas devem atrair para aquele país recursos aplicados atualmente em outros mercados. Isso motivaria uma tendência de alta do dólar em relação a moedas como o real.

A pesquisa Focus do Banco Central, que houve uma centena de economistas toda semana mostrou maior previsão para o dólar no fim de 2016, a R$ 3,30, ante R$ 3,22, após a vitória de Trump.

Atuações do BC

Diante do cenário de menor pressão, o BC brasileiro indicou que fará menos intervenções ao anunciar na noite de sexta-feira apenas a rolagem dos contratos de swaps cambiais tradicionais que vencem no início de dezembro, destaca a Reuters.

Nesta sessão, o BC vendeu integralmente 20 mil contratos de swaps cambiais tradicionais - equivalentes à venda futura de dólares. "Sem os leilões novos do BC, o dólar está totalmente livre para seguir seus pares", comentou à Reuters um profissional da mesa de câmbio de uma operadora.

Na semana passada, o BC intensificou sua atuação no mercado de câmbio devido ao salto do dólar frente ao real, ao mesmo tempo em que o Tesouro também agiu no mercado de títulos públicos. As ações trouxeram mais equilíbrio aos mercados financeiros, com a moeda norte-americana fechando a última semana com queda acumulada de 0,16%, depois de ir acima de R$ 3,50 no intradia.

"Não acho improvável o dólar voltar a acelerar ante o real, mas de modo mais suave. Não deve acontecer novamente o efeito manada que se seguiu às eleições nos EUA", disse à Reuters o diretor de câmbio da corretora Multi-Money, Durval Correa Correa. "O mercado já vem se acomodando", emendou.

No dia da eleição nos EUA, mas ainda sem o resultado, o dólar fechou no patamar de R$  3,16.

Ontem dia 21/11, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, afirmou que a autoridade monetária seguia monitorando o mercado para garantir liquidez. Segundo ele, as reservas cambiais são um seguro que contribui para a redução do risco-país.

Cenário interno

O mercado acompanhado também os desdobramentos do novo revés político do governo do presidente Michel Temer, com a saída do então ministro da Cultura Marcelo Calero, que acusou o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, de pressioná-lo para liberar um empreendimento embargado em Salvador.

Na cena política e econômica, também pesava sobre os investidores a atual situação financeira dos Estados e prisões de políticos influentes. O temor é que esse cenário possa atrapalhar a votação de medidas importantes para o governo no Congresso Nacional.


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