quinta-feira, 30 de junho de 2016

Meta da Inflação será 4,5% em 2018 podendo chegar ao teto de 6%

O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu nesta quinta-feira 30/6 fixar a meta central de inflação em 4,5% para 2018. Trata-se da mesma meta central adotada pelo governo federal desde 2005.

Essa decisão é importante porque o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, define a taxa de juros (Selic) para atingir a meta de inflação fixada pelo CMN. Atualmente, a SELIC está em 14,25% aa, patamar mais alto dos últimos dez anos.

O CMN também anunciou que manteve para 2018 os mesmos intervalos de tolerância para a meta de inflação previstos para 2017: 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o piso será de 3% e, o teto, de 6%.

Isso significa que se a inflação de 2018 não atingir a meta central de 4,5%, mas ficar em uma taxa dentro desse intervalo de 3% a 6%, o Banco Central não terá descumprido formalmente a meta fixada pelo CMN.

 

A meta central de inflação para 2016 é de 4,5%, com intervalo de 2 pontos percentuais. Portanto, para que o BC cumpra a meta, a inflação deve ficar entre 2,5% e 6,5%. Entretanto, a estimativa mais recente do próprio BACEN é de que ela feche o ano a uma taxa entre 6,9% e 7%.

Quando a inflação fica mais alta do que o teto do sistema, os dirigentes do BC não são demitidos. O presidente do BC escreve uma carta aberta ao ministro da Fazenda explicando as razões que motivaram o "estouro" da meta formal. Isso aconteceu em 2016, já que no ano passado a inflação oficial (IPCA) ficou em 10,67%

Conjuntura

"O Conselho [Monetário Nacional] avaliou a conjuntura macroeconômica doméstica e externa e concluiu que seria oportuno fixar em 4,5% [a meta central de inflação para 2018]. Há de fato muita incerteza no ambiente econômico atualmente. Em nenhum momento foi discutida a redução da meta [para 2018]", afirmou o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Carlos Hamilton.

Ao subir os juros, o BC atua para conter a demanda da população por produtos e serviços e, deste modo, para tentar impedir a escalada dos preços. Entretanto, os juros altos prejudicam a atividade econômica e, consequentemente, inibem a geração de empregos. Quando reduz os juros, o COPOM julga que a inflação tende a caminhar para o índice fixado nas metas do CMN.
A última vez que o Copom, por meio da definição dos juros básicos da economia, atingiu a meta central de inflação foi em 2009 - notadamente um ano de fraca atividade, marcado pelos efeitos da crise financeira mundial.

Novo presidente do BC

O novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, chegou falando grosso sobre inflação. Em sua sabatina no Senado Federal, no começo do mês, disse querer "cumprir plenamente a meta de inflação estabelecida pelo CMN, mirando o seu ponto central". Para ele, é possível que a meta central de 4,5% seja atingida em 2017.

A estimativa do mercado financeiro e do BC é de que o IPCA - a inflação oficial do país - fique em cerca de 7% neste ano, estourando novamente o teto de 6,5% do sistema de metas. Para o ano que vem, o mercado estima que a inflação some 5,5%.

“Estamos criando condições para a queda da taxa de juros. Todos esperamos que as condições se apresentem para a flexibilização da política monetária [redução dos juros básicos da economia]", disse Goldfajn em sua primeira entrevista a jornalistas, nesta semana.

Ele acrescentou, porém, que isso tem ser feito quando as perspectivas de inflação indicarem convergência para a meta central de 4,5% no ano que vem.

"Tem de ter as condições necessárias para que seja feita [a redução dos juros] de forma responsável”, completou ele.

Porque a inflação é alta no Brasil?

Segundo o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, a indexação, ainda muito presente na economia brasileira, dificulta o controle dos preços no Brasil. Por este mecanismo, a inflação passada é carregada para frente.

"O problema da indexação é que alguns choques temporários viram permanentes. Você teve um choque agrícola no início do ano, a alimentação sobe, mas depois de alguns meses ela cai, pode não ser tudo, mas em grande parte. Se você incorpora isso nos salários, por exemplo, um pedaço vai passar para a inflação", explicou o economista.

De acordo com o professor Gilberto Braga, do Ibmec, há um DNA no Brasil que carrega uma "herança genética" em termos inflacionários.

"Então, quando a gente fala de preços administrados [energia elétrica, água, planos de saúde, telefonia], eles sempre são reajustados a cada 12 meses contratualmente com base em um indicador de inflação acumulada no passado. Mesmo quando tem um cenário macroeconômico favorável, o fato de trazer essa matriz contaminada não permite que a inflação caia abruptamente", disse.

Para Arnaldo Curvello, da Ativa Wealth Management, a indexação na economia favorece a alta dos preços.

"Se olhar para trás, infelizmente a gente tem diversos choques que ajudaram para a inflação não se consolidar no centro da meta. Tem uma economia bastante indexada. Você tem os próprios salários atrelados à inflação passada, alugueis, tarifas públicas, que acabam puxando índice para cima. Você tem uma rigidez maior do índice e tem dificuldade de fazer ele convergir para o centro da meta", declarou.


terça-feira, 28 de junho de 2016

Crédito pelo celular via Banco do Brasil

O Banco do Brasil prevê disponibilizar até R$ 3,5 bilhões de crédito pelo celular até o fim do ano.

Com novos aplicativos e serviços, atendimento de especialistas pelo smartphone, cartões e agências digitais, o banco acredita que aparelhos mobile serão o principal canal de distribuição de crédito ao consumidor em um futuro não tão distante.

No primeiro trimestre deste ano, o banco distribuiu mais de R$ 700 milhões em crédito pelo aplicativo para celular, que já tem 7,7 milhões de usuários. Como comparação, no mesmo período do ano passado foram R$ 180 milhões.

“Nesse trimestre, já estamos superando os R$ 230 milhões e, como é um crescimento muito forte, projetamos R$ 3,5 bilhões de crédito até o fim do ano”, afirmou Raul Moreira, vice-presidente de Negócios de Varejo do Banco do Brasil, em entrevista a EXAME.com.

Já é possível pedir linhas como salário consignado e de adiantamento de imposto de renda.

Uma das novidades é o financiamento de automóveis. Agora, não é mais necessário ir até uma agência do banco, basta mandar o pedido de crédito e uma foto dos documentos do carro pelo próprio aplicativo.

As taxas, benefícios, limites e políticas de concessão de crédito pelo celular são as mesmas encontradas nas agências físicas. 

Atendimento em tempo real

Mais do que transações ou ofertas de produtos, o Banco do Brasil quer levar agências inteiras para dentro do celular.

Para isso, lançou a ferramenta Real Time. A partir dela, o cliente pode conversar com seu gerente ou com especialistas sobre assuntos como crédito, solução de dívidas, financiamento de veículos, cartão e investimentos.

Mais de 500 mil interações já foram feitas pela ferramenta, que ainda está em fase e será expandida para mais clientes no segundo semestre do ano.

A ideia é que a interação não aconteça só quando o correntista busca falar com o atendimento, mas também quando ele está fazendo pesquisas por meio do aplicativo. O sistema irá analisar para saber se aquele cliente irá adquirir a linha de crédito mais adequada e, então, um atendente entra em contato para oferecer opções melhores.

"Quando o cliente fala com um especialista, ele se sente mais confortável em abrir um crédito pelo celular", disse Moreira.

Sem ir às agências

Parte do movimento para se tornar mais digital partiu de pesquisas internas do próprio banco. Eles perceberam que 82% dos clientes de alta renda, por exemplo, não tinham ido até uma agência uma vez sequer nos seis meses anteriores.

Com isso, o banco perdia oportunidades de oferecer novos serviços a eles. Ano passado, criou as agências de Estilo Digital.

O Banco do Brasil já transformou 143 de 243 agências e 552 mil correntistas, do total de 1 milhão, já passaram para o novo formato. A meta é adaptar todas as agências até o fim do ano.

Desde então, o volume de negócios aumentou 20% e a satisfação do cliente cresceu 16%.

Para o segmento de correntistas que ganham de R$ 4.000 a R$ 8.000, o banco também criou o modelo Exclusivo Digital, para o contato com o cliente pela internet ou aplicativo - até o fim do ano serão 35 escritórios.

Nesse público, o volume de negócios cresceu 36%.

Um gerente pode atender, em média 35% mais clientes com esse modelo. Uma plataforma colaborativa também permite que um gerente que por acaso esteja ocioso naquele momento atenda o cliente de outra agência.

Moreira garante, no entanto, que não irá haver cortes de equipes por conta disso.

O banco já treinou 2.740 funcionários para se adequarem à linguagem da internet desde maio de 2015.

"Esses modelos são escritórios de negócios, ao invés de redes de agências para atendimento em massa", afirmou Moreira, que prevê 5 milhões de clientes integrados no atendimento digital nos próximos três anos.

Cartão que não é de plástico

O Banco do Brasil também possui um cartão totalmente digital, o Ourocard-e, para compras no comércio eletrônico, em sites de games e outros aplicativos.

Um único cliente pode pedir quantos cartões quiser e dar para os filhos, por exemplo, controlando qual o valor máximo permitido para cada transação, limite ou tipo de operação permitida por cada um. Cerca de 300 mil clientes já usam esses cartões.

"O canal mobile traz diversas possibilidades novas para adquirir crédito", afirmou Moreira, que acredita que o celular ser o principal aliado do Banco no relacionamento com o cliente.


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Entenda 10 direito dos trabalhadores

Em tempos de crise e de demissões vamos entender um pouco do assunto

Com o número de demissões cada vez maior, muitos trabalhadores ainda têm dúvidas sobre seus direitos na hora em que são desligados da empresa. Os benefícios obtidos com esses direitos podem representar o fôlego necessário para que o profissional consiga sair em busca de uma recolocação profissional com mais tranquilidade.

Esses são direitos trabalhistas garantidos pela Constituição, contudo, existem os casos das demissões por justa causa, nas quais os trabalhadores perdem parte dos direitos citados. Isso acontece quando ocorre alguma conduta considerada inaceitável pelo empregador, desde que ela seja comprovada.

1) Quando o empregador deve pagar o valor da rescisão

Quando o aviso prévio for indenizado, a empresa deve pagar até 10 dias após a dispensa, e quando o aviso prévio for trabalhado é necessário pagar no primeiro dia útil após a dispensa.

2) Saldo de salário

Deve ser pago na proporção aos dias trabalhados no mês da demissão. Isto é, o salário mensal, dividido por 30 e multiplicado pelo número de dias trabalhados. Com ou sem justa causa.

3) Aviso prévio

Pode ser indenizado ou trabalhado. O empregador tem a opção de avisar ao trabalhador sobre a demissão com 30 dias de antecedência ou pagar o salário referente a esses 30 dias sem que o empregado precise trabalhar. Isso é válido para casos sem justa causa.

4) Aviso prévio indenizado proporcional

Instituído por lei no fim de 2011, quando a dispensa é sem justa causa, para cada ano trabalho, há acréscimo de 3 dias no aviso prévio, com limite de adicional de até 60 dias, portanto, no máximo o aviso prévio poderá ser de 90 dias.

5) Férias e adicional constitucional de 1/3

Todo mês trabalhado dá direito à uma proporção de férias, que equivale a um salário inteiro, mais um terço. Após 1 ano de trabalho, este valor deve ser pago independente do motivo da dispensa. Só não será pago caso haja faltas não justificadas e outras infrações constatadas.

6) 13º salário

Deve ser pago todo fim de ano ou em época combinada em convenção coletiva, caso ocorra dispensa, com ou sem justa causa, deve ser pago na proporção dos meses trabalhados.

7) Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)

Para quem foi dispensado sem justa causa, existe o direito de sacar os valores do FGTS, incluindo o depósito correspondente ao aviso prévio e outras verbas pagas na rescisão. O FGTS atualizado corresponde a aproximadamente um salário por ano.

8) Multa de 40% sobre o saldo do FGTS

Nas demissões sem justa causa, o empregador deve, por lei, pagar uma multa de 40% do valor depositado no FGTS do trabalhador.

9) Guias para seguro desemprego

Nos casos de dispensa sem justa causa, se o empregado trabalhou o tempo necessário exigido por lei, tem o direito de solicitar as guias para receber o seguro-desemprego. As guias devem vir junto com o termo de rescisão do contrato de trabalho (TRTC).

10) Obrigação de homologação da rescisão

Para quem trabalhou mais de 12 meses, a lei determina que o TRTC seja homologado, por sindicato ou pelo Ministério do Trabalho, onde um representante habilitado deve verificar o termo de rescisão auxiliando o trabalhador. Caso exista algum incomum, a homologação deva acontecer com ressalvas, explicando no próprio termo de rescisão a situação, para posterior solução, caso seja necessário.


sexta-feira, 10 de junho de 2016

Juros dos Cartões de Crédito tiveram a maior taxa de crescimento desde 1995.

A taxa de juros no cartão de crédito para pessoa física voltou a atingir o maior nível desde 1995, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Já os juros do cheque especial têm o maior nível desde 1999.

Em maio, os juros subiram 0,73%, para 15,12% ao mês e 441,76% ao ano (em 1995, as taxas eram de 15,43% ao mês e 459,53% ao ano). Os juros das operações de crédito tiveram a 20ª alta seguida em maio.

No cheque especial, as taxas tiveram aumento de 0,7% e atingiram o patamar de 11,54% ao mês e 270,82% ao ano. É o maior patamar desde julho de 1999, quando as taxas eram de 11,73% ao mês e de 278,48% ao ano.

A taxa média de juros para pessoa física subiu 0,13%, para o maior nível desde 2003. No mês, os juros foram para 7,96% e no ano, para 150,7%. Há 13 anos, as taxas eram de 8,04% ao mês e 152,94% ao ano.

Já a taxa média de juros do empréstimo pessoal em bancos caiu 1,28% em maio, passando para 2,32% ao mês e 31,68% ao ano - a menor desde janeiro.


sexta-feira, 3 de junho de 2016

Dólar recua, abaixo de R$ 3,55, com fraqueza de emprego nos EUA

Criação de vagas nos Estados Unidos ficar muito aquém do esperado.
Na véspera, a moeda norte-americana caiu 0,01%, vendida a R$ 3,5875.

O dólar opera em queda nesta sexta-feira (3), voltando abaixo dos R$ 3,55, após a criação de vagas de emprego nos Estados Unidos ficar muito aquém do esperado em maio, enfraquecendo as expectativas de aumento de juros no curto prazo na maior economia do mundo. O cenário político local também está sob as atenções do mercado financeiro.

"Tudo sugeria que o Fed podia subir juros muito em breve. Esse dado bate de frente com essa trajetória", disse à Reuters o economista-chefe da INVX Global Asset Management, Eduardo Velho, referindo-se ao Federal Reserve, banco central dos EUA.

A economia dos EUA criou em maio o menor número de vagas em mais de cinco anos, prejudicada pela greve de funcionários da Verizon e pela queda do emprego no setor de produção de bens. Foram abertas apenas 38 mil vagas no mês passado, contra expectativas de 164 mil vagas em pesquisa da Reuters.

Diversas autoridades do Fed, incluindo a chair Janet Yellen, vinham indicando que estavam confortáveis com aumento os juros talvez até mesmo neste mês. Chances menores de isso acontecer tendem a beneficiar ativos emergentes, que costumam atrair recursos estrangeiros com juros mais altos do que economias desenvolvidas.
O dólar recuou à mínima desde 13 de maio frente a uma cesta de divisas nesta manhã, segundo a Reuters.

Cenário local

Em relação ao cenário local, porém, investidores continuavam cautelosos. Embora venham recebendo bem as sinalizações do governo do presidente interino Michel Temer de austeridade fiscal, temem que ele enfrente dificuldades para avançar com a agenda no Congresso Nacional e ainda esperam mais medidas concretas.

Na véspera, Temer disse que não descarta recriar a CPMF, mas garantiu que qualquer aumento de impostos, se houver, será temporário.

"O fator local ainda está muito nebuloso, falta clareza. Muito depende da capacidade do governo de consertar as contas públicas e há muitas dúvidas sobre isso", resumiu o superintendente de derivativos de uma gestora de recursos nacional.
O Banco Central ainda não anunciou qualquer intervenção cambial para esta sessão, mantendo-se ausente do mercado pelo terceiro pregão consecutivo.

Na véspera, o dólar caiu 0,01%, a R$ 3,5875 na venda. Na semana e no mês, o dólar acumula queda de 0,65% e 0,69%, respectivamente. No ano, há desvalorização de 9,13%.