terça-feira, 27 de setembro de 2016


As projeções para a inflação são sempre informação de destaque nos documentos oficiais produzidos pelo Banco Central. É o caso do Relatório Trimestral de Inflação, o mais importante deles, porque faz uma análise aprofundada do processo inflacionário com suas causas, efeitos e, principalmente, sua trajetória esperada. No documento divulgado nesta terça-feira (27), o BC prevê que o IPCA termine este ano em 7,3% e em 4,4% no ano que vem – mantidas as atuais condições, ou seja, juros em 14,25% sendo a principal delas. O recado está dado: em 2016, o “leite já está derramado”, mas em 2017, o IPCA projetado já está abaixo da meta de 4,5%, o que significa que

“BC sugere o início do ciclo de redução dos juros já agora em 19 de outubro (próxima reunião do Copom). A dúvida agora é se começará por 25,50 ou 75 pontos-base. Eu aposto em 50 pp, com 80% de probabilidade”, afirma Octávio de Barros, economista-chefe do Bradesco.

Para cumprir seu mandatado e manter a inflação na meta estipulada pelo governo (hoje em 4,5%), o BC calibra a taxa de juros ao longo do tempo, subindo ou baixando o “preço” do dinheiro – quanto mais “caro”, menos apetite ao consumo e ao crédito, o que reprime o processo inflacionário. Pelo sistema de metas inflacionárias adotado no Brasil, a autoridade monetária fica “presa” ao ano-calendário para cumprir sua obrigação. Dos mais de 40 países que adotam este regime como política econômica, somos o único a seguir este modelo que limita o cumprimento da meta para o período entre janeiro e dezembro de cada ano. A discussão entre os formuladores do sistema se dá em torno dos choques inesperados. Para aqueles países com calendário solto e um horizonte flexível, a resposta aos choques não precisa ser tão enérgica e tempestiva, ao custo de cobrar um preço alto da economia via aumento dos juros.

Veja o caso dos alimentos que sofreram uma alta forte este ano. O BC não pode controlar o clima, claro, mas precisa cuidar da estabilidade da moeda reagindo às tempestades, mesmo que elas sejam temporárias e não apresentem riscos para o futuro. Como tem que entregar a meta no no dia 31 de dezembro, não importa quão passageira seja a tempestade, o BC tem que reagir. O debate em torno desta amarra não é novo mas parece que agora vai ganhar um novo capítulo. Pela primeira vez, o BC diz oficialmente, que o tempo de combate à inflação não é “estático”. “Ele se desloca continuamente com o passar do tempo. Dentro dessa estratégia, à medida que avançam os meses, as ações de política monetária passam a dar maior importância, de maneira gradual, para períodos igualmente à frente”.

“Muito bom esse Relatório TrimestraI sob novo formato. Ilan (Goldfajn, presidente do BC) dando show de bola, com uma transparência inédita. Honestíssimo e reconhecendo as surpresas. Ele abandona com muita segurança o ano calendário. Tese que eu defendo faz tempo e que só dependia de credibilidade do BC. Agora tem”, ressalta o economista-chefe do Bradesco.

Sempre que qualquer conversa sobre alguma mudança no regime de metas vigente no Brasil surgiu nos últimos anos, aparecia uma bandeira amarela com um lembrete do ditado: não mude as regras no meio do jogo que você está perdendo. Antes da desastrosa gestão de Alexandre Tombini, a justificativa para adiar o debate era a imaturidade do sistema, que tinha “apenas” 10 anos, o que era bastante razoável. Durante a administração de Tombini, com queda continua de sua credibilidade e, consequentemente, perda de confiança também na instituição, a questão ficou proibitiva.

Mesmo quando assumiu o BC, Ilan Goldfajn evitou qualquer declaração que desse a entender que ele gostaria de mudar as regras para conseguir cumprir seu mandato. Ao contrário, ele defendeu a retomada do regime de metas em sua essência e também se recusou a qualquer argumento para mexer nos objetivos para o IPCA, ajustando a meta no curto prazo para o BC dar conta de reduzir a inflação sem precisar manter os juros altos por tanto tempo.

Com menos de 4 meses à frente do Copom, Ilan conquistou espaço e confiança suficiente para, ele mesmo, recolocar o assunto em pauta. Nesse curto espaço de tempo ele mudou completamente a forma de comunicação do BC, com linguagem mais palatável e reconhecimento dos desafios mais espinhosos com clareza e transparência. Ele não tinha outra opção se quisesse ser bem sucedido, mesmo que o seu nome, por si só, carregasse muita credibilidade. O Relatório de Inflação repete todas as condicionantes necessárias para que o BC tenha “confiança” para mexer na taxa Selic. A desinflação dos serviços – que ganhou capítulo especial no documento – e a aprovação das medidas de ajuste fiscal são as principais. Ainda assim, parece que estamos mais próximos de deixar o recorde dos juros mais altos do mundo para trás – e mais...

“Com a provável queda dos juros no próximo COPOM de 19 de outubro, estaremos completando literalmente 4 anos (desde 10/10/2012) que não havia queda da taxa de juros no Brasil. De lá para cá, só houve estabilidade e aumento de juros. Impressionante”, lembra Octavio de Barros.


É mesmo, muito impressionante. 

Blog da Thaís Herédia - G1

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A Política de juros brasileira dependerá de ajuste fiscal e inflação

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse que a flexibilização da política monetária (redução da taxa básica de juros) dependerá de um conjunto de fatores da economia, entre eles o controle da inflação e a redução de incertezas com o ajuste fiscal. A declaração foi feita em evento com empresários em São Paulo.

Ilan apontou que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai avaliar a combinação dos efeitos dos preços dos alimentos, além dos componentes da inflação oficial (IPCA)que indiquem o que ele chama de uma "desinflação" e a redução das incertezas sobre o ajuste fiscal em suas próximas decisões de política monetária. A taxa Selic está mantida atualmente em 14,25%.

Regime de câmbio

Goldfajn voltou a defender o regime de câmbio flutuante, mas ponderou qyue o BC pode usar as ferramentas disponíveis de controle cambial quando julgar necessário.

"O BC também contribuirá para o regime de câmbio flutuante (...). Isso não impede que o BC, quando e se estiver presente e sem ferir as premissas deste regime, use com parcimônia e de forma previsível as ferramentas cambiais que se dispõe", disse.

Ele acrescentou que os chamados swaps cambiais (que equivalem à oferta de dólares no mercado futuro, com efeito de controle sobre o dólar) tem mitigado a volatilidade da moeda frente ao real "sem alterar a tendência no mercado de câmbio".

Entenda o que é Swap cambial  > É a troca de taxa de variação cambial (variação do preço do dólar americano) por taxa de juros pós-fixados.


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Criando maior agilidade nas decisões com pessoal


O meio corporativo hoje parece valorizar, acima de tudo, uma única variável: a velocidade. No campo de tomada de decisões, essa variável se torna ainda mais fundamental. Com o mundo complexo em que vivemos e coisas ocorrendo em tempo real, a todo momento, com o advento da internet, uma decisão tomada daqui 15 minutos pode representar uma perda não apenas de uma boa oportunidade, mas também prejuízos de ordem financeira em alguns casos.
Tomar decisões, contudo, não pode simplesmente ser rápido – isso pode ampliar as probabilidades de erro e decisões atrapalhadas. É preciso, sempre, informações e dados que respaldem as decisões – eles sim precisam trafegar rapidamente, para que decisões melhores sejam tomadas em um menor tempo.
Nesse momento, surge o real objeto do que deve ser acelerado e organizado de forma melhor para que decisões sejam mais ágeis: as tarefas, em uma primeira etapa, e as informações e seu processamento, em segundo lugar.

Acelerando tarefas

A decisão é, dentro do campo empresarial, resultado de uma visão de todas as tarefas e processos que são desenvolvidos. Quanto melhor e mais ampla essa visão, melhores e mais rápidas também serão as decisões a serem tomadas.
O segredo da agilidade no processo decisório está diretamente vinculado à maior dinâmica nos processos da empresa, que por sua vez ocorre quando boas decisões são tomadas. O ciclo cria uma evolução constante.
No campo de RH, isso significa, antes de tudo, melhorar a comunicação e os processos de informação dentro da empresa.
Por exemplo, é preciso definir que funcionários de determinado setor passarão por um processo de capacitação e reciclagem. Para tanto, é necessário saber, de antemão, como é o desempenho de cada um desses colaboradores em relação às metas esperadas pela empresa.
Se o fluxo dessas informações é rápido, ou seja, se os resultados são comunicados ao RH com velocidade, é mais fácil decidir quais funcionários passarão pelo treinamento.
Contudo, se a comunicação é falha, muito provavelmente o RH perderá mais tempo acessando esses dados – a consequência é uma maior demora na decisão, ou mesmo uma decisão tomada à revelia dos fatos, o que acaba sendo um tiro pela culatra.

Automatização e tecnologia

Não há como refutar: departamentos de RH que utilizam melhor a tecnologia e
automatizam seus processos são capazes de tomar decisões mais rápidas e melhores. A questão, no entanto, é como realizar essa automatização. Bem, mais do que “como”, a pergunta frequente é “o quê” pode ser automatizado na rotina de RH, seja por intermédio de softwares e sistemas ou da mera organização, então vamos lá:
Mapeamento e gestão de competências. O mapeamento das competências exigidas em cada função e posto de trabalho e aquelas realmente desenvolvidas e aprimoradas pelas pessoas ocupando tais posições é algo que pode ser automatizado, com ganhos evidentes na formulação de treinamentos e rotinas de aprendizado, como o coaching, vivências, dinâmicas e mentorias.


Os atendimentos e a agenda de RH pode ser completamente automatizada, e nem sequer plataformas específicas precisam ser utilizadas para tanto. Sistemas simples de agenda, calendário e organização, tais como o Google Calendar, já oferecem enormes ganhos de produtividade.

Muitos treinamentos podem hoje em dia ser automatizados, gravados em vídeo, oferecidos em plataformas online próprias para esse fim e realizados à distância, de forma remota. Diversas tarefas para coleta de currículos e referências, triagem de profissionais, mineração de dados e perfis via web podem hoje ser completamente automatizadas. Algumas redes sociais, tais como o LinkedIn, oferecem inclusive serviços próprios para esse tipo de automatização.

Gestão de aposentadorias. Há sistemas que permitem gerir pensões, aposentadorias e planos de previdência de funcionários, seja por tempo ou invalidez, algo fundamental para a criação de planos de carreira eficazes e para a manutenção simplificada da pesada burocracia que essas áreas exigem.

Inteligência. Todos os dados do RH, desde os números de faltas de funcionários ou dados profissionais de cada um, podem estar constantemente em linha – isso facilita e em alguns casos pode automatizar a geração de relatórios para outros departamentos ou para a direção da empresa.

Benefícios. A gestão de benefícios, especialmente em um país como o Brasil, onde temos vales refeição e transporte, planos de previdência, convênios e parcerias, suporte à educação, planos de saúde e muitos benefícios mais, é algo que pode ser automatizado e mantido sob controle de plataformas que controlem isso de maneira mais simplificada.

Folhas de pagamento. No caso de empresas onde a folha é gerida pelo RH, sistemas e plataformas próprias permitem não apenas um controle automatizado e mais rápido de salários, comissões, horas-extras e outros adicionais, mas também facilita a geração de relatórios para departamentos financeiros, contadores, órgãos governamentais e outros.

Claro, de certo modo, quando se trata de automatização, o céu é o limite. Para que uma tarefa seja automatizada, seja em RH ou em qualquer outra área, basta que ela seja repetitiva e obedeça a determinado padrão. Bem, isso inclui quase tudo o que é feito no segmento, não é verdade?

Menos reuniões, mais informação

Reuniões hoje em dia são vistas como as assassinas da produtividade nas empresas. Sim, em 90% dos casos isso é correto, mas ainda existem casos nos quais as reuniões são imprescindíveis, especialmente quando o assunto é a tomada de decisões.
Contudo, o maior problema nesse contexto não é a existência das reuniões em si – nem mesmo sua frequência. O problema maior é sua duração e também seus resultados.
Reuniões tipicamente improdutivas demoram horas, e como resultado, oferecem pouco em termos de decisões efetivamente tomadas. É claro que a objetividade dos que participam dessas reuniões conta muito e faz toda a diferença, mas a raiz do problema não está aí, ela ocorre muito antes da própria reunião ser agendada.
O grande problema é que a maior parte das reuniões ocorre sem que as pessoas que dela participarão tenham, em mãos, as informações de que precisam para tomar as decisões e defender suas posições. Com isso, informações acabam tendo de circular durante a realização do encontro, gerando enorme perda de tempo e, ao mesmo tempo, limitando a possibilidade de que decisões cruciais sejam tomadas.
Reuniões produtivas ocorrem com pessoas que já tomaram suas decisões, antes mesmo de entrar na famosa “salinha”, e ali apenas defenderão seu ponto de vista ou ainda negociarão a amplitude das decisões que tomaram, tentando chegar a consensos em relação às decisões e posicionamentos de outros ali presentes.
Claro, estamos aqui falando especificamente do RH, mas essas dicas valem para todo e qualquer executivo, seja qual for sua área. Agilizar decisões em reuniões e assembleias exige algum preparo:
Tenha em mãos todas as informações de que precisa separadas em dois grupos distintos: primeiro, aquelas que irão fundamentar e defender as decisões que você já tomou, antes mesmo de ingressar na reunião; em segundo, argumentos e informações que possam contestar ou confrontar decisões de terceiros, ou seja, instrumentos de negociação;


Repasse todas as informações aos demais participantes antes da realização da reunião, caso contrário, tempo terá de ser gasto para que você deixe todos os presentes cientes dos dados e informações, antes mesmo de iniciar seu posicionamento;

Prepare-se para ter sua decisão contestada. Desenvolva argumentos, junte informações e prepare sua defesa;

Após a reunião, reitere suas decisões e os consensos para o conhecimento de todos, sempre que possível por escrito.

Divulgação

Não se esqueça. A decisão é algo que não se encerra no momento em que você a toma. Toda decisão tomada precisa de divulgação. Tome como exemplo o governo – todas as decisões tomadas em esfera governamental precisam ser publicadas em Diário Oficial, ou não têm eficácia.
O mesmo ocorre com decisões empresariais, especialmente aquelas relacionadas a pessoas. A menos que você divulgue o escopo das decisões para todos os interessados (e não apenas para seus superiores), a eficácia de tal decisão será limitada, ou até nula em alguns casos.
A comunicação, como vimos anteriormente, é uma das grandes aliadas do RH. Sem uma comunicação eficaz, o trabalho do departamento de RH torna-se um grande pró-forma burocrático.
Assegure-se de que a cada decisão, todos os mecanismos de divulgação de interesse da empresa sejam acionados: e-mails, website, jornais e revistas internos, redes de rádio e TV corporativas, memorandos, cartas e até alguns stakeholders que atuam em paralelo, como associações de classe, sindicatos patronais e de trabalhadores e, em alguns casos, até a própria mídia, nesse caso oferecendo uma ponte com o departamento de comunicação corporativa.
Fonte: Equipe RH Portal

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Informação é poder, e o RH precisa saber disso

Informação é poder – A imprensa foi considerada por todo o século XX como sendo o Quarto Poder. Ao contrário do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, seu poder não era investido por meios jurídicos e constitucionais, e nem mesmo pela validade do voto. A imprensa conseguia seu poder por meio do próprio produto que comercializava, e ainda comercializa: a informação. A informação também é o motor que derruba ou ergue políticos, líderes de estado e até mesmo grupos inteiros ao poder.
Saindo do mercado e ingressando no microcosmos empresarial e corporativo, essa informação, ao contrário do que muitos pensam, ganha ainda mais peso no jogo de poder. Infelizmente, um dos departamentos que mais armazena e coleta informações – e que menos utiliza para ganhar palavra – é o de recursos humanos.
A informação concede poder de barganha, permite tomar decisões mais claras e objetivas, permite evitar e remediar conflitos, ganhar posições, imprimir mudanças e criar lideranças. Por essa razão, o RH – que concentra informações sobre todos dentro da empresa, poderia usar melhor de sua posição e dos dados e informações que possui, para criar inovações e gerar mudanças e novos padrões dentro de uma organização.
Mas como o RH pode se abastecer de informação e que tipo de informações são úteis para que o departamento pessoal ganhe posição e poder de circulação dentro das empresas?

Aproximação com lideranças

O RH precisa manter contato frequente e próximo com as lideranças de cada setor dentro da empresa. Necessidades de treinamento, renovação de quadros, promoções, rotinas de coach e aprimoramento e outras podem surgir a partir de rápidas atualizações e conversas com gerentes e diretores.
Mas o principal benefício do bom relacionamento com líderes, para o RH, é a possibilidade de implementar com maior facilidade projetos e programas de desenvolvimento de pessoal, sem barreiras que naturalmente se interpõem a esse tipo de programa. Com os líderes como aliados, além de um fluxo constante de informação, o RH garante acesso a cada departamento.
Mantendo o canal aberto com lideranças, o RH não apenas pode fazer sua política com os demais setores da empresa, mas também é capaz de acumular informações valiosas para os processos e tarefas que desempenha:
  • Situações de risco trabalhista, envolvendo processos, por exemplo;
  • Cumprimento de jornadas e horas trabalhadas;
  • Eficiência e assertividade das lideranças;
  • Nível de controle e comando por departamento;
  • Funcionários e colaboradores fora do perfil desejado;
  • Internalização e absorção da cultura corporativa;
  • Conforto e satisfação dos colaboradores;
  • Necessidades de substituições em equipes;
  • Funcionários sobrecarregados;
  • Possibilidades e potenciais promoções;
  • Episódios onde haja risco de assédio moral ou mesmo sexual;
  • Alinhamento de discurso das lideranças com a cultura empresarial.
    Tudo isso é informação – e toda informação pode ser revertida em dados. Esses dados, posteriormente, serão capazes não apenas de dar rumo às decisões do RH em si, mas de fornecer premissas para a criação de programas e projetos com poder de modificar a própria organização como um todo.
Com todos esses dados, o RH pode fornecer aos dirigentes de uma empresa informações confiáveis para que esses apostem em seus programas e projetos, e banquem sua realização. Em suma, o acesso à informação proporcionada por líderes cria bases mais sólidas para decisões no âmbito do RH, da empresa e fomenta a manutenção de um departamento de RH forte dentro da empresa.
Ademais, o respeito dos líderes de cada área em relação ao RH somente se dará à medida que o departamento pessoal tenha uma atuação próxima, porém eficaz e eficiente.

Na base da pirâmide

Mas nem somente de líderes é feita uma organização – e o RH sabe bem disso. Contudo, muitas vezes esse departamento, que deveria fornecer amparo ao trabalhador em vários aspectos, é inatingível e fechado.
Perde não apenas o trabalhador, mas também os líderes do RH engessado e secreto, que passam a operar à revelia do que realmente ocorre dentro da empresa, elevando sistematicamente suas chances de falha e desastres.
Os recursos humanos têm, como uma de suas premissas, promover a eficiência na comunicação da empresa e seus dirigentes com o funcionário – o chamado público interno. Embora muitas empresas realizem esse trabalho de informação por meio de setores de comunicação corporativa, o RH mantém para si a obrigação de ouvir esses trabalhadores, informá-los a respeito de aspectos importantes de sua vida corporativa e seu trabalho e também mantê-lo produtivo e satisfeito à medida do possível.
Na contrapartida, toma-se desse trabalhador informações importantes para a atuação mais pormenorizada e focada, algo que muitas vezes o canal de contato com as lideranças não é capaz de oferecer.
O trabalhador, ou a base da pirâmide, é o ponto mais baixo dentro da empresa. Ele sabe exatamente o que ocorre no cotidiano empresarial, nas operações e nos processos, e suas informações têm uma qualidade muito mais empírica do que teórica.
Vejamos um exemplo. Ao conversar com lideranças do departamento de vendas, o RH apura que o volume de vendas está crescendo e todos os funcionários parecem estar satisfeitos com seu programa de bonificações e suas comissões.
Entretanto, ouvindo dois ou três vendedores, o RH acaba constatando que eles gastam excessivamente com refeições em visitas externas, e que seu tíquete fornecido pela empresa deveria, assim, possuir um valor mais alto do que o de outras categorias.
Sim, é sempre possível que essa informação chegue às lideranças por meio de conversas e reclamações, mas atuando junto ao trabalhador de forma direta, o RH acaba tendo essa informação em primeira-mão. Isso previne descontentamentos, reclamações e até problemas mais graves como o absenteísmo e o abandono de emprego.
O RH, em relação ao funcionário, é o antes – tem capacidade de averiguar situações irregulares, problemas em relação a funções, falhas em equipes e muito mais antes que desastres venham a ocorrer. Os demais departamentos, muitas vezes, representam o depois nesse mesmo quesito.

Interno e externo

O RH não precisa se limitar ao ambiente interno para coletar e distribuir informação. Muito pelo contrário – é no ambiente externo que o RH colhe mais informações de interesse da empresa e seus funcionários.
Muitas informações que precisam circular na empresa precisam ser angariadas fora dela pelo departamento de recursos humanos:
Contatos com sindicatos, para atualizar-se sobre mudanças em acordos de categorias, notificações de greves e paralisações, pleitos sindicais e tendências nas diversas áreas de trabalho;
Coleta de informações legais referentes ao trabalhador e divulgação das mesmas para funcionários e dirigentes da empresa;
Informações sobre doenças, campanhas, eventos e outros de interesse direto do funcionário;
Notícias e informações relevantes que possam afetar não apenas a empresa, mas principalmente suas condições de trabalho e empregabilidade;
Atualizações na forma de cursos e treinamentos;
Informações sobre tendências de mercado e práticas em concorrentes.
As possibilidades são virtualmente infinitas e o RH precisa estar sempre a postos para levantar informações que possam, ao mesmo tempo, beneficiar ou alertar ao trabalhador e à empresa como um todo.

Informação e conhecimento

O RH é o departamento responsável por treinamentos e rotinas de capacitação, na grande maioria das empresas. Educando e capacitando o trabalhador, o departamento pessoal não apenas cria um quadro mais qualificado, mas também ganha notoriedade e poder perante os dirigentes de uma empresa.
Toda informação coletada no mercado e em universidades, por exemplo, pode ser transformada em cursos e processos de capacitação que fazem da empresa melhor. O RH, muitas vezes, detém essa incumbência: transformar dados e informações em conhecimento; para em seguida passar esse conhecimento adiante, ou transmiti-lo dentro e fora da empresa.
Criar rotinas de aprendizagem empresarial é algo que concede poder ao RH – entre os trabalhadores, gerando processos produtivos mais eficazes e modernos; entre líderes, proporcionando mais inteligência no processo de gestão e autoconhecimento, por meio de ferramentas de coaching ou vivências para executivos, entre outros.
Qualquer RH que seja capaz de transformar informações em conhecimento tende a ser tornar um norte na evolução e na inovação da organização, ditando a velocidade com que passos rumo ao futuro são tomados, por meio da educação.

Comunidades e sociedade

O RH ainda exerce, muitas vezes, um papel semelhante ao de relações públicas. Algumas vezes, o trabalhador e a empresa estão inseridos em uma realidade maior, que exige interpretação de informações e dados por parte de um bom departamento pessoal.
Acompanhar as comunidades envolvidas e faixas sociais relacionadas á empresa e ao trabalhador são formas de criar um poder maior dentro do RH perante a empresa.
Não raramente, será o RH, se bem estruturado, o departamento a lidar com stakeholders e com a sociedade no interesse da empresa e seus funcionários – perder essa oportunidade não faria nenhum sentido, concorda?

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Quais os principais desafios na gestão de pessoas atualmente?

A Gestão de pessoas é um desafio diário, tanto para quem está em recursos humanos, quanto para os próprios líderes da organização. Lidar com as subjetividades dos funcionários, compreender suas necessidades e conciliá-las aos objetivos organizacionais exige um trabalho constante de análise e busca de soluções.

Muitas vezes, você pode até pensar que está sozinho nessa empreitada e que apenas sua organização passa por momentos de dificuldade quando se trata de gestão de pessoas, mas a verdade, é que todas enfrentam esse desafio. Com base em nossa experiência, selecionamos os 5 principais desafios, vivenciados pelas empresas atualmente.

Esperamos que este conteúdo ajude a identificar possíveis caminhos para a superação de barreiras na sua organização e traga novos horizontes para o seu trabalho.

1. Humanização das Relações X Resultados
O mercado de trabalho atual é bastante competitivo, e ter os melhores profissionais requer das empresas uma postura mais humana em relação a seu pessoal. Não basta dispor apenas de profissionais com grande capacitação técnica. As empresas precisam trabalhar e valorizar as atitudes, e isso se inicia, já a partir da sua liderança.

Considerar que cada profissional que trabalha na organização tem seus potenciais, e também suas limitações; que as emoções influenciam na produtividade e no relacionamento interpessoal no trabalho; que a vida pessoal impacta diretamente na vida profissional e que é impossível dissociar pessoal e profissional, são algumas das reflexões que gestores de pessoas devem fazer para compreender a dimensão humana e superar a visão estritamente econômica da empresa.

Em outras palavras, a organização deve avaliar resultados não focando apenas no faturamento, mas também na qualidade de vida que proporciona a seus funcionários. E isso só pode ser atingido se houver humanização nas relações no ambiente de trabalho, deixando de ver os funcionários apenas como números ou crachás e passando a entendê-los em toda sua complexidade.

2. Produção X Aprendizado
A busca incessante por maior produtividade, eficiência e competitividade faz com que os indicadores de desempenho da organização estejam bastante voltados para a redução de gastos e melhor aproveitamento do tempo, colocando em xeque a necessidade de aprendizado dos funcionários.

Um funcionário que se ausenta de seu posto de trabalho por 5 dias para uma capacitação gera num primeiro momento, um certo tipo de “perda” para a organização, seja na sobrecarga de outros trabalhadores ou no atraso de determinadas tarefas. Em contrapartida, se o funcionário não é capacitado, perde a oportunidade de trazer melhorias reais para o negócio.

Saber equilibrar essa equação é também um dos grandes desafios atuais da gestão de pessoas, pois todo tipo de treinamento ou capacitação deve trazer resultados que possam ser convertidos em ganhos em algum momento.

Isso significa que os treinamentos e capacitações devem trazer conhecimento aplicável, percebido e mensurável tanto pela equipe quanto pelos gestores. Desta forma, é possível desenvolver mecanismos de acompanhamento e controle que auxiliem no estabelecimento de horas mínimas de capacitação por funcionário e de expectativas de melhoria nos processos organizacionais.

3. Treinamento X Custos
Outro dilema enfrentado pela gestão de pessoas é chegar a um equilíbrio que permita treinar os funcionários sem aumentar as despesas da empresa, de maneira que o aprimoramento contínuo se torne viável dentro de uma relação custo x benefício.

Sabemos o quanto um treinamento pode representar de investimentos para a empresa, especialmente se você pretende capacitar um grande time. É por isso que os treinamentos in company, que são customizados segundo as necessidades de cada organização, estão se tornando cada vez mais importantes.

Ao invés de enviar um funcionário para ser capacitado e esperar que ele transmita todo o conhecimento para seus pares, a empresa traz o treinamento para dentro de casa, que será desenvolvido segundo a cultura interna e as reais necessidades de desenvolvimento das equipes, trazendo economia de recursos e aumento do potencial de aplicabilidade dos conhecimentos. Isso tudo, sem contar na perda que ocorre na multiplicação de conhecimentos por funcionários que nem sempre tem preparo vocação ou desejam cumprir esse papel.

4. Tecnologia X Produtividade
O avanço das tecnologias e o uso constante das mesmas por meio de smartphones e tablets, sem contar o acesso a milhares de plataformas via internet, constitui uma das barreiras mais temidas pelas empresas. Como conciliar o uso dessas tecnologias sem afetar a produtividade dos funcionários?

Um exemplo bastante atual são os aplicativos de troca de mensagens pessoais como o WhatsApp que, quando usados sem moderação, podem atrapalhar a produtividade e a rotina de empresas de vários setores. Além dele, podemos pensar em outras soluções que são importantes para a atividade laboral e que, ao mesmo tempo, podem tirar a atenção das pessoas, como as redes sociais e ferramentas de busca na web.

A proibição sumária de acesso a estas plataformas é inviável, visto que as pessoas podem acessá-las por meio de dispositivos móveis pessoais. Sendo assim, a melhor saída é conscientizar os profissionais a respeito do uso responsável dessas tecnologias, orientando-os para utilizarem essas soluções em prol de suas atividades laborais, deixando o lazer e a distração para os momentos propícios a isso. Para tanto, uma comunicação interna eficiente é fundamental.

5. Inovação X Cultura Interna
O quinto e último desafio da gestão de pessoas, diz respeito à criação de uma cultura de inovação na empresa que não afete a cultura interna existente — ou seja, que mantenha os valores da organização.

A entrada de profissionais mais jovens por si só já traz uma enorme pressão por modificações no ambiente interno, como jornadas de trabalho mais flexíveis, ambientes descontraídos, sem padrões de vestimenta, possibilidade de home office, entre outros. Mas quando essa nova cultura se choca com a cultura já estabelecida, a gestão de pessoas tem que atuar como mediadora das relações, buscando conciliar os interesses de forma que a empresa siga crescendo fiel à sua proposta de valor.

Evitar conflitos interpessoais ao mesmo tempo em que se busca desenvolver novas soluções que tragam maior competitividade ao negócio pode ser um trabalho bastante difícil para quem tem a missão de gerir pessoas. O que você tem que fazer, neste sentido, é investir cada vez mais na comunicação interna, em ações de integração, treinamentos, orientação de carreira e quando oportuno sessões de coaching, para que seja possível encontrar caminhos mais adequados para times tão diversos e multidisciplinares.

Todos os desafios que vimos neste artigo têm algo em comum: podem ser superados ou minimizados por meio de treinamentos direcionados às necessidades da sua empresa. Sendo assim, que tal fazer um Levantamento de Necessidade de Treinamento (LNT)?

Qual desses desafios representa a maior oportunidade de alavancagem e contribuição para a gestão de pessoas em sua organização?

Carlos Basso – Sócio Consultor da CR BASSO Consultoria e Treinamento


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Encontro do ministro Henrique Meireles com empresários em São Paulo

Mesmo com a adoção do limite dos gastos públicos já em 2017, o Brasil não reverterá o atual déficit de R$ 170 bilhões em um ou dois anos. A informação é do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que almoçou com empresários em São Paulo nesta segunda-feira.

Ao final do encontro, perguntado por jornalistas quando o Brasil voltará a ser superavitário, ele disse que “até 2019”.

Mas isso depende do PIB e da arrecadação — frisou, explicando que “o déficit de R$ 170 bilhões não foi construído de um ano para o outro, da mesma forma o superávit demanda um pouco de tempo”.

Meirelles reforçou a importância de haver a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que colocará um teto para o crescimento dos gastos públicos, e de a Previdência ser reformada para que o País volte a crescer de "forma sustentável".

O ministro participou de almoço com empresários nesta segunda-feira, na zona sul de São Paulo. Durante sua fala, ele afirmou que a expectativa é de que a PEC seja aprovada na Câmara dos Deputados até o início de novembro.

É um processo demorado se comparado ao tamanho da ansiedade. Mas, pela magnitude da reforma, estamos numa velocidade extraordinária — disse ele.

Meirelles voltou a dizer que a confiança dos empresários no País já está voltando. Segundo Meirelles, os índices de confiança são antecedentes importantes para o PIB.


O desenho das curvas da confiança e do PIB são sempre muito parecidos, com a confiança sempre vindo antes. Ou seja, se a confiança sobe, em seguida o PIB sobe — afirmou.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Dependência de Brasileiros com cartão de crédito aumenta

Os brasileiros gastaram mais de meio trilhão de reais usando cartões de crédito e débito no primeiro semestre deste ano, segundo dados divulgados esta semana pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). O valor, de R$ 546 bilhões, representa uma alta de 7,2% em relação ao mesmo período de 2015.

A maior parte do volume foi de gastos usando cartões de crédito, de R$ 337 bilhões. Já os cartões de débito foram utilizados em R$ 209 bilhões em gastos. Ao todo, foram 6 bilhões de transações – 3,2 bilhões com débito e 2,8 bilhões com crédito.

De acordo com o levantamento, os pagamentos com cartões representaram 28,5% do consumo das famílias nos seis primeiros meses do ano, contra 27,5% no mesmo período de 2015. O aumento de participação ocorre devido ao processo de substituição de meios de pagamento, já que o brasileiro tem adotado cada vez mais os cartões em detrimento de dinheiro e cheque.


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Balança comercial tem superávit de quase US$ 1 bi na semana passada

Saldo positivo, na parcial de setembro, subiu para US$ 1,48 bilhão.
Já no acumulado do ano, superávit comercial somou US$ 33,85 bilhões.

As exportações brasileiras superaram as importações, resultando em superávit de US$ 997 milhões da balança comercial, fio informado pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Com o saldo positivo da semana passada, a balança comercial acumula um superávit de US$ 1,48 bilhão no mês de setembro - resultado de exportações em US$ 4,95 bilhões e de importações em US$ 3,47 bilhões.

Nas exportações, comparadas as médias das duas primeiras semanas de setembro (US$ 826 milhões) com setembro de 2015 (US$ 769 milhões), houve uma alta de 7,4%, em razão do aumento na venda das três categorias de produtos: semimanufaturados (+31,7%), básicos (+5%) e manufaturados (+1,5%).

No caso das importações, pela média diária, houve uma queda de 8% no mesmo período. Caíram as compras do exterior de combustíveis e lubrificantes (-23,7%), adubos e fertilizantes (-21,5%), siderúrgicos (-15,9%), equipamentos mecânicos (-15,5%) e farmacêuticos (-14,2%).

Parcial do ano

No acumulado deste ano, até 11 de setembro, as exportações brasileiras superaram as importações em US$ 33,85 bilhões. Com isso, registraram crescimento frente ao mesmo período do ano passado, quando o saldo estava positivo em US$ 8,74 bilhões.

O resultado da balança no acumulado de 2016 já é maior que o superávit registrado em todo ano passado (US$ 19,69 bilhões).

A melhora acontece principalmente por conta da forte queda das importações. Isso é
consequência da recessão na economia e também do dólar ainda relativamente alto, que encarece as compras de produtos do exterior. Por outro lado, a valorização do dólar deixa os produtos brasileiros mais baratos, o que facilita exportações.

Na parcial de 2016, as exportações somaram US$ 128,52 bilhões, com média diária de US$ 738 milhões (queda de 3,5% sobre o mesmo período do ano passado). As importações, por sua vez, somaram US$ 94,66 bilhões, ou US$ 544 milhões por dia útil, uma queda de 24% em relação ao mesmo período de 2015.

Estimativas para 2016

A expectativa do mercado financeiro para este ano é de melhora do saldo comercial, segundo pesquisa realizada pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras na semana passada. O próprio BC também prevê melhora no saldo comercial.

A previsão dos analistas dos bancos é de um superávit de US$ 50 bilhões nas transações comerciais do país com o exterior para 2016. O Ministério do Desenvolvimento estimou um saldo positivo de US$ 45 bilhões a US$ 50 bilhões neste ano.

Já o Banco Central prevê um superávit da balança comercial de US$ 50 bilhões para 2016, com exportações em US$ 190 bilhões e importações no valor de US$ 140 bilhões.


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Vendas do comércio recuam 5,3% em julho, diz IBGE

Essa é a maior queda - nessa base de comparação - desde 2001.
Móveis, eletrodomésticos e artigos domésticos tiveram as maiores baixas.

Depois de mostrarem uma leve alta no mês anterior, as vendas do comércio varejista brasileiro voltaram a recuar em julho. Em relação a junho, a retração foi de 0,3%, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em pesquisa divulgada hoje dia 13/9.

Já em relação a julho do ano passado, o comércio recuou 5,3%. Essa é a maior queda - nessa base de comparação - desde o início da série histórica, em 2001.

No ano, o volume de vendas também apresenta resultado negativo de 6,7% e, em 12 meses, de 6,8% - mostrando também o quedo mais intenso da série considerado o período.

Em relação a julho do ano passado, as vendas do varejo foram impactadas principalmente pela queda nos ramos de móveis e eletrodomésticos (-12,4%) e de outros artigos de uso pessoal e doméstico (-11,6%). Na sequência, aparecem os combustíveis e lubrificantes (-9,9%) e tecidos, vestuário e calçados (-14,2%).

Ao contrário do observado na comparação mensal, o volume de vendas do setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo recuaram 0,1%, ficando praticamente estável.

Já de junho para julho, o que mais influenciou negativamente foram as vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,3%) e de combustíveis e lubrificantes (-0,3%). Os dois grupos têm os maiores pesos no cálculo da taxa geral do varejo.

Segundo Isabella Nunes, gerente de serviços e comércio do IBGE, juntos, os segmentos de combustível e hipermercados somam 60% do resultado do comércio. “No total geral, o patamar de vendas está muito próximo nos últimos três meses, só que esse patamar, que está estável, esse aproxima de 2012 e volta a 2012. Essa relativa estabilidade não dá para dizer que é recuperação, mas parar de cair tão intensamente como vinha”, analisou.

O consumidor brasileiro também comprou menos tecidos, vestuário e calçados (-5,8%); livros, jornais, revistas e papelaria (-1,2%); móveis e eletrodomésticos (-1,0%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,9%).

Na contramão, cresceram as vendas de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (5,9%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,7%).

Por regiões

Em julho, recuaram as vendas do comércio de 16 das 27 unidades da federação, na comparação com junho. A maior baixa partiu de Mato Grosso (-3,5%) e a menor, de Minas Gerais (-0,1%). Por outro lado, subiram as vendas em Roraima (4,0%) e no Amazonas (3,4%).


Frente ao ano passado, o varejo teve resultado negativo em quase todas as regiões. No Amapá, a queda foi de 18,9%, no Pará, de 15,5%, em São Paulo, de 3%, no Rio de Janeiro, de 5%, e Bahia, de 13,4%. Apenas Roraima  registrou alta, de 3,2%.

Fonte: G1 e IBGE
http://saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnoticia=3255