quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Big Data em RH: Ajudando a equipe de recrutamento e seleção
Recrutamento e seleção
Como sua empresa busca por candidatos? A maioria das grandes empresas investem em alguns anúncios, divulgação de vagas em sites de recrutamento e seleção, etc..
Mas essa é de fato a maneira mais efetiva para conseguir o candidato ideal? Às vezes, fazer buscas no Linkedln pode ser bem mais eficiente: é o caso do Google. Lazlo Bock, especialista de RH da empresa, levanta essa questão em seu livro intitulado “Um novo jeito de trabalhar”. Nesse livro, ele explica que muitos talentos do Google são achados pelo perfil do Linkedln (P.S.: se você é de RH, essa é uma leitura obrigatória).
Ou ainda, os melhores candidatos entram em contato por e-mail ou preenchem um formulário no site da empresa? Todas essas questões podem ser mensuradas usando Big Data no RH (uma espécie de teste A/B para o processo de recrutamento e seleção).
Mas o uso de analytics vai além de conseguir com que bons profissionais se candidatem a uma das vagas na sua empresa. Em um artigo da Revista Forbes, Josh Bersin trouxe uma aplicação interessante: identificar candidatos com maior probabilidade de ser bem sucedido no emprego.Veja o artigo em ( http://www.mindquest.com.br/mundo-digital-mudou-rh-na-india/ )
O exemplo é de uma empresa não identificada que contratava seus funcionários com base em renome da instituição de ensino e no rendimento acadêmico. Um dos analistas da empresa resolveu aplicar análises estatísticas para mensurar questões como vendas, produtividade e turnover de novos empregados.
O resultado foi que os fatores mais tidos como mais importantes até então pouco refletiam no sucesso do profissional. Novos fatores foram correlacionados com o sucesso: como ausência de erros gramaticais e de digitação no currículo, o fato de não largar um curso antes de conseguir o diploma, etc..
De maneira semelhante, o Big Data também tem sido usado para identificar funcionários-problema: com mais chances de processar o empregador, por exemplo. Isso é algo controverso e que já tem até se tornado um problema jurídico.
Mais dados, menos turnover
Para um profissional da área de Recursos Humanos (e acredito que para muitas pessoas) não é novidade que a motivação não é fruto apenas de aspectos financeiros. Muitos profissionais, principalmente os mais jovens, valorizam mais a flexibilidade do trabalho, as conexões dentro da empresa, etc.
Conhecer isso a fundo é um bom começo para conseguir reter os funcionários talentosos (tarefa importante principalmente porque são esses profissionais que são disputados pelo mercado de trabalho).
Essa é mais uma aplicação de Big Data em RH. A análise de dados pode ser uma forte aliada para que a empresa consiga fornecer benefícios mais adequados, a fim de motivar e reter seus funcionários.
Fonte: site Datastorm e RH Portal


terça-feira, 18 de outubro de 2016

Amanhã o COPOM deve anunciar a primeira queda nos juros desde 2012


Na última vez em que houve queda nos juros no Brasil foi em outubro de 2012, nesta época o papa ainda era Bento XVI, Hugo Chávez presidia a Venezuela, Nelson Mandela estava vivo, Anderson Silva era campeão dos pesos médios do UFC e o Facebook ainda não tinha comprado o WhatsApp. Viu só? Muita coisa mudou, “para o bem e ou para o mal”.

Depois de tanto tempo, a aposta do mercado financeiro é de que a taxa básica de juros da economia, atualmente em 14,25% ao ano, voltará a recuar nesta semana, quando se reúne o Comitê de Política Monetária (COPOM)) do Banco Central. O anúncio sobre o novo patamar da Selic será amanhã quarta feira dia 19/10 por volta das 19h.

Os economistas dos bancos apostam maciçamente em um corte da taxa básica. A única dúvida dos analistas é sobre o tamanho da redução.

O mercado está dividido, com parte dos economistas estimando uma queda de 0,25 ponto percentual (para 14% ao ano) e outra parcela apostando que o BC poderá ser mais agressivo e baixar os juros para 13,75% ao ano (redução de 0,5 ponto percentual).

Pesquisa realizada pelo BC na semana passada mostra que esse deve ser apenas o início de um ciclo de corte nos juros.

O mercado financeiro aposta em reduções contínuas nos próximos meses, com cortes em dezembro, janeiro, fevereiro, abril, maio, julho e setembro de 2017 – quando os juros deverão ter atingido, segundo as projeções dos bancos, o patamar de 11% ao ano, o menor desde fevereiro de 2014.



Sistema de metas

O Banco Central toma as decisões sobre a taxa de juros olhando para a frente, tendo por base o sistema de metas. Para 2016, 2017 e 2018, a meta central é de 4,5%, mas o teto é diferente. Para este ano, o teto é 6,5% (mas deverá ser novamente superado), recuando para 6% em 2017 e 2018.

As decisões da autoridade monetária sobre a taxa básica de juros surtem efeito pleno em seis a nove meses. Assim, o BC já está mirando, neste momento, a meta de inflação de 2017, e não a inflação deste ano – que deve ficar novamente acima do teto da meta. O mercado estima um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ao redor de 7% para 2016.

Por que os juros podem cair

A aposta do mercado de que os juros começarão a cair tem por base previsões dos próprios
bancos e do BC para a inflação do ano que vem, além de outros fatores, como o aumento do desemprego (pressionando menos a inflação), a queda da inflação nos últimos meses, a aprovação com placar elástico da PEC do teto de gastos públicos em primeiro turno na Câmara dos Deputados, e a redução do preço da gasolina.

Em março deste ano, o BC estimava que a inflação ficaria entre 4,9% e 5,4% em 2017. Já no fim de setembro, a instituição projetou um IPCA menor, entre 4,4% e 4,9% no ano que vem. O mercado financeiro, por sua vez, tinha expectativa de que a inflação do ano que vem somaria 6% no final de abril. Já na semana passada, estimou um IPCA pouco acima de 5%.

"Não há garantia forte de que a gente consiga convergir para o centro da meta de 4,5% em 2017. O IPCA deve fechar entre 5,5% e 6%, dentro do limite da inflação. Essa expectativa do que está por vir dá essa liberdade de o BC já começar a agir agora", avalia o economistas do mercado.

Além da redução das expectativas de inflação, os números mostram que a forte recessão na economia brasileira, com aumento da taxa de desemprego, está contendo mais fortemente na inflação corrente.

O alto nível do desemprego, do endividamento das famílias e da inadimplência está gerando menos pressões inflacionárias. Em setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor – Amplo (IPCA) atingiu 0,08%, o menor nível para esse mês desde 1998.

De acordo com análise da Confederação Nacional da Indústria, a fraca atividade econômica e os efeitos da deterioração do mercado de trabalho abrem espaço para o início do ciclo de redução da taxa Selic neste mês – a CNI prevê corte de 0,25 ponto percentual (para 14% ao ano).

Ao mesmo tempo, o governo demonstrou força no Congresso Nacional e aprovou, em primeiro turno, com folga, a proposta de emenda constitucional (PEC) que institui um teto de gastos pelos próximos 20 anos. A PEC do teto é um dos pilares do ajuste nas contas públicas, que sofreram forte deterioração em 2016 e 2017, e o controle de gastos também ajuda a conter a alta da inflação.

Para completar o quadro, a Petrobras anunciou na última sexta feira dia 14/10 uma redução no preço do diesel em 2,7% e da gasolina em 3,2% na refinaria, com entrada em vigor no dia seguinte.

Segundo o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, o Copom deve promover um corte de 0,5 ponto percentual na Selic, para 13,75% ao ano.

"Além da surpresa favorável do IPCA de setembro, a PEC do teto avançou de modo mais confortável do que o esperado, e a Petrobras anunciou redução dos preços de gasolina e diesel na refinaria. Os preços dos alimentos no atacado também vêm tendo comportamento benigno. A votação no Copom deve ser consensual", avaliou em comunicado o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.

Consequências

Segundo economistas, a queda dos juros poderá ajudar na recuperação da economia brasileira – que atravessa a maior recessão de sua história – por meio do aumento da confiança dos investidores, do recuo dos juros bancários e poderá resultar em menos pressões de alta do dólar – contribuindo para impedir a volta da inflação no futuro. Além disso, também resultará em pagamento menor de juros pelo setor público.

"Ao que tudo indica, o Banco Central do Brasil tem interesse em demonstrar que está controlando os descontroles inflacionários do país, para com isso atrair investidores nacionais e, principalmente, estrangeiros. Todavia, se a demanda interna não ganhar dinamismo, não será fácil atrair os investidores produtivos, prevalecendo aqueles que destinam investimentos para renda fixa e renda variável, enfim buscando rendimento e não investimentos em conta capital", avaliou o economista da NGO Corretora, Sidney Nehme, em comunicado.

De acordo com o diretor-executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, a queda da taxa Selic não tende a impactar, pelo menos em um primeiro momento, os juros bancários – que estão em patamar recorde. Mas, se as reduções persistirem no futuro, poderão passar a influenciar os juros dos bancos.

"Se de um lado temos a possibilidade [de corte da Selic] que contribui para queda das taxas de mercado, por outro lado temos a retração da economia e o desemprego ainda elevado, o que gera um risco maior de crédito. A curto prazo, a pressão para manter taxas no mercado é maior. Nesse primeiro momento, não tende a ter muito impacto nos juros de mercado. Se a economia estivesse crescendo, os juros cairiam já no momento seguinte. Os bancos vão adiar essa queda de juros", avaliou Miguel Ribeiro.

Juros da dívida pública

Segundo o economista da RC Consultores, Marcel Caparoz, a queda dos juros, juntamente com os avanços no ajuste fiscal e no recuo da inflação, contribuem para aumentar o nível de confiança da economia brasileira – que já vem se refletindo nos prêmios de risco do mercado internacional (CDS brasileiro) – mas acrescentou que, para que isso tenha continuidade "tem de começar a tirar do papel as promessas e entregar os resultados". "Isso ainda não tem. Só expectativas", avaliou.
Outra consequência do corte da taxa Selic pelo Banco Central, de acordo com Caparoz, é a redução nas despesas de juros da dívida pública. Ele lembrou que cerca de R$ 600 bilhões em dívida em mercado estão atrelados à taxa básica de juros da economia. Com sua queda, recua também o pagamento de juros. A estimativa é de que um corte de 0,25 ponto percentual na Selic reduza essa despesa em R$ 1,5 bilhão em 12 meses.


"Se a Selic cair para 13,50% ao ano até o fim de 2016, conforme minha previsão, a economia com juros será algo em torno de R$ 4 bilhões [em 12 meses]. Isso sem contar a emissão de novos papéis prefixados [com juros fixados no momento do leilão], cujos juros também devem ser menores. Se começar a diminuir um pouco esses juros em cima dessa divida, isso alivia os encargos financeiros e colabora com o equilíbrio fiscal", concluiu Caparoz, da RC Consultores.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

A proposta do governo Temer, aprovada pela Câmara, significa dar adeus ao desenvolvimento

TEXTO DO PROF. JOÃO SICSÚ/UFRJ NA CARTA CAPITAL

Não há desequilíbrio fiscal estrutural, crônico e agudo, nas contas do setor público. Algo que exigiria uma medida drástica: uma mudança na Constituição que deve vigorar por muitos anos. Mas o governo e seus seguidores mentem e dizem que existe. A propaganda mentirosa auxilia aqueles que precisam de uma mentira para repetir e convence os ingênuos que pensam que o governo deve funcionar de forma semelhante à economia doméstica.

Primeiro, mentem dizendo que o governo federal tem déficits anuais e dívidas acumuladas exorbitantes. Em seguida, sugerem que o governo é igual a uma família. Quando endividada, cortaria despesas. Então, precisaríamos de uma regra para impedir o aumento dos gastos públicos. Igualzinho a uma família: algum sacrifício hoje para colher os frutos da tranquilidade amanhã. Por fim, jogam a isca: a Proposta de Emenda Constitucional 241.

A PEC 241 estabelece uma regra de teto para os gastos primários do governo federal. A regra é que os gastos primários de cada ano somente poderão aumentar de acordo com a inflação passada (medida pela variação do IPCA acumulada em 12 meses até junho do ano anterior). E essa regra deverá vigorar por 20 anos.

O governo faz dois tipos gastos: os primários e o pagamento de juros da dívida pública. Os primários são os gastos com saúde, educação, assistência social, cultura, defesa nacional etc. Excetuando os dois últimos anos (2014 e 2015), os diversos governos fizeram superávit no orçamento primário. Sempre gastaram menos do que arrecadaram. Em todos os anos, sem exceção.
A tabela mostra que, no período 2003-2013 (11 anos), o setor público fez despesas primárias em valores sempre inferiores às suas receitas. Portanto, fez superávit. Mostra que somente existe déficit orçamentário porque as despesas com o pagamento de juros da dívida pública são elevadíssimas. Esse é o motivo do nosso déficit orçamentário.
Quadro Orçamentário do Setor Público e Crescimento
Resultado do orçamento primário
(em % do PIB)
Despesas com juros
(em % do PIB)
Déficit orçamentário
(ou nominal)
(em % do PIB)
Taxa de crescimento da economia
(em %)
Média 2003-2013
+2,89
-5,91
= -3,02
+3,6
2014
-0,57
-5,48
= -6,05
+0,1
2015
-1,88
-8,50
= -10,38
-3,8

Pode-se constatar, também, que o que há de estrutural é que quando há crescimento econômico e, então, as receitas são suficientes, o governo faz superávit primário. Mas sempre faz déficit orçamentário (ou nominal) porque as despesas com juros superam a economia que o governo fez nas áreas da educação, saúde, saneamento, cultura etc.
E as despesas públicas com juros são elevadas não porque o montante da dívida é exorbitante, mas sim porque a taxa de juros Selic que remunera quem tem títulos da dívida pública é alta demais. Para resolver a situação orçamentária bastaria, por um lado, baixar os juros Selic e, por outro, estimular o crescimento.
Não precisa ser economista, especialista em contas públicas, para perceber que o que faz o déficit orçamentário são as despesas com o pagamento de juros da dívida pública. Se dependesse dos gastos somente nas áreas que fazem o gasto primário sempre haveria superávit orçamentário, exceto em conjunturas específicas.
No ano de 2015, a política de contenção de gastos públicos se intensificou e o resultado foi uma grave recessão de 3,8% do PIB com um déficit orçamentário de 10,38% do PIB. Embora maior que o déficit de 2014, era de mesma natureza, conjuntural. Em ambos os anos, o problema foi a falta de crescimento associado às despesas de juros que são inaceitáveis.
A defesa da PEC de que haverá uma queda na relação dos gastos primários do governo como proporção do PIB e isso fará o reequilíbrio fiscal é falacioso. Isso em si pode não melhorar nem piorar os resultados fiscais.
Os resultados fiscais dependem de outros fatores: crescimento, arrecadação e o pagamento de juros da dívida pública. Além de tudo, essa relação despesas primárias/PIB poderá até aumentar se houver, como é provável, prolongamento do ciclo recessivo ou estagnacionista.
A PEC desmontará o Estado brasileiro e suas políticas sociais pelo simples fato de que o que necessitamos são mais gastos per capita em diversas áreas, com destaque para saúde e educação. Não temos, tais como diversos países europeus, um estado de bem-estar conformado. E o desenvolvimento brasileiro é essencialmente a construção de um estado de bem-estar social.

A conformação desse estado de bem-estar depende de mais investimentos sociais. Quanto maior o gasto real por cada indivíduo (ou para cada cidadão) maior será a qualidade dos serviços e programas ofertados pelo Estado, desde a educação até a saúde. Mais recursos públicos por cada indivíduo (ou para cada cidadão) significará menos vulnerabilidade social e mais serviços de qualidade para população.
O que a PEC 241 propõe é exatamente o inverso: interromper o desenvolvimento brasileiro e colocar o País em rota de regressão. A PEC necessariamente diminuirá o gasto público per capita porque tais gastos estarão congelados, mas haverá crescimento populacional. De 2006 a 2015 (10 anos), o gasto per capita aumentou 44% na saúde e 102% na educação. E, é possível estimar que nos próximos 10 anos haverá uma redução de 6% no gasto per capita nas duas áreas.


A PEC 241 será a PEC do “adeus ao desenvolvimento”. Saúde e educação são exemplos bem elucidativos, mas todas as áreas serão alcançadas: moradia popular, saneamento básico, transporte, cultura, assistência social etc. Enquanto essa proposta constitucional estiver em vigor não haverá desenvolvimento.
Por João Sicsú Professor-doutor do Instituto de Economia da UFRJ

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Oliver Hart e Bengt Holmström vencem o Prêmio Nobel de Economia

Justificativa foi pelas suas contribuições à teoria dos contratos.
Hart é britânico e de Harvard e Holmström é finlandês e do MIT.

Oliver Hart, de 68 anos, e Bengt Holmström, de 67, venceram o Prêmio Nobel de Economia 2016. O anúncio foi feito hoje pela manhã 10/10 em Estocolmo, na Suécia. Eles ganharam o prêmio por suas contribuições para a teoria dos contratos, que têm múltiplas aplicações em diversos contextos da vida real.

Hart é britânico e professor de economia da Universidade de Harvard e Holmström é finlandês e professor de economia e administração do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), ambos nos EUA.
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O trabalho de Hart tem ajudado a entender quais companhias devem se fundir, além do equilíbrio correto de financiamentos e quando instituições como escolas devem ser privadas ou públicas. Já o de Holmström ajuda a formular contratos para executivos, informou a Academia em comunicado.

O Nobel de Economia tem uma recompensa de 8 milhões de coroas suecas, equivalente a R$ 3.028.000. O prêmio inclui ainda um diploma e uma medalha de ouro.

"As novas ferramentas teóricas criadas por Hart e Holmström são valiosas para a compreensão dos contratos e instituições da vida real, bem como armadilhas potenciais no projeto de contrato", disse a Real Academia em um comunicado.

"[O trabalho deles] estabelece uma base intelectual para traçar políticas e para instituições em muitas áreas, da legislação sobre falências a constituições políticas", disse a Real Academia em Estocolmo.

De acordo com o júri, a teoria do contrato, desenvolvida pelos premiados, é um amplo marco de análises dos múltiplos aspectos do contrato, como a remuneração dos executivos com base em sua performance, as franquias, os copagamentos nos seguros ou a privatização do setor público.

“Me sinto muito sortudo e agradecido. Oliver Hart, estou tão feliz que eu ganhei este prêmio
Oliver Hart
com ele, ele é meu amigo mais chegado”, disse Bengt Holmström em entrevista à organização da premiação.

"Minhas teorias não se posicionam a respeito (...) Meu ponto de vista pessoal é que (os contratos de diretores de empresas) são muito complicados hoje, e por outro lado o que melhorou nestes últimos anos é (...) que (estes diretores) não conseguem tudo em um período muito curto, conseguem ao longo do tempo", afirmou Holmström à Fundação Nobel.

“Eu acordei por volta de 4h40 e queria saber se estava ficando tarde demais, mas, em seguida, felizmente, o telefone tocou. Minha primeira reação foi abraçar minha esposa, acordar meu filho mais novo. E eu falei com meu companheiro de premiação", disse Hart, também para a Fundação Nobel.

“Contratos são apenas uma forma incrivelmente poderosa de pensar sobre partes da economia. Eles são apenas fundamentais para toda a ideia de que o comércio é um tomar uma coisa por outra e que há dois lados para uma transação”, disse Hart nesta segunda, segundo o Twitter da Fundação Nobel.

Mérito das pesquisas

O tema de estudo dos premiados talvez seja menos prestigioso que as grandes questões de crescimento, desemprego ou pobreza, razão pela qual não apareciam nas previsões. Mas ambos tiveram o mérito de abrir caminho "a um fértil terreno de pesquisa fundamental", disse o júri: Holmström desde o fim dos anos 70 e Hart na década seguinte.

Bengt Holmström
"Graças à pesquisa de Oliver Hart e Bengt Holmström, temos agora os instrumentos para analisar não apenas os termos financeiros dos contratos, mas também a prestação contratual dos direitos de controle, dos direitos de propriedade e dos direitos de decisão entre as partes", explicou a Academia Real de Ciências.

Entre os temas sobre os quais lançaram luz, segundo a Academia, aparecem as seguintes questões: "os fornecedores de serviços públicos, como escolas, hospitais ou prisões, devem permanecer no (setor) público ou privado?".

"Os professores, os funcionários do setor de saúde, os guardas das prisões devem receber um salário fixo ou indexado aos seus resultados?".

"Em que medida os diretores de empresas devem ser remunerados através de prêmios ou de 'stock-options'?".

Premiações anteriores

O júri confirmou a maioria dos americanos premiados no Nobel de Economia, 56 - incluindo os com dupla nacionalidade - de um total de 78.

Há uma tendência de conceder o Nobel de Economia a duplas e trios, mas no ano passado a regra foi quebrada, com a premiação do economista escocês naturalizado americano Angus Deaton, professor na Universidade de Princeton, nos EUA, que ganhou reconhecimento por sua análise do consumo, da pobreza e do bem-estar.

O prêmio de Economia é o único que não remonta ao testamento de Alfred Nobel. Denominado oficialmente Prêmio de Ciências Econômicas do Banco Real da Suécia em Memória de Alfred Nobel, foi criado em 1968 pelo Banco Central sueco para comemorar seu tricentenário e concedido pela primeira vez em 1969. As demais categorias são laureadas desde 1901.

As mulheres permanecem quase ausentes da lista do Nobel de Economia. Apenas uma mulher
Elinor Ostrom
ganhou a distinção: a americana Elinor Ostrom, em 2009.

Assim como os demais prêmios, o Nobel de Economia será entregue no dia 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel.

O prêmio de economia é o penúltimo desta temporada Nobel, depois dos de medicina, física e química anunciados em Estocolmo, e do Nobel da paz anunciado na sexta-feira passada em Oslo. O nome do premiado com o Nobel de literatura será anunciado na quinta-feira 13/10.

Veja abaixo a lista dos 10 últimos ganhadores do Prêmio Nobel de Economia:

2016: Oliver Hart e Bengt Holmström, por suas contribuições à teoria dos contratos.

2015:Angus Deaton (Reino Unido-Estados Unidos), por seus estudos sobre "o consumo, a pobreza e o bem-estar".

2014:Jean Tirole (França), por sua "análise do poder do mercado e de sua regulação".

2013:  Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Shiller (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre os mercados financeiros.

2012:Lloyd Shapley e Alvin Roth (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre a melhor maneira de adequar a oferta e a demanda em um mercado, com aplicações nas doações de órgãos e na educação.

2011Thomas Sargent e Christopher Sims (Estados Unidos), por estudos que permitem entender como acontecimentos imprevistos ou políticas programadas influenciam os indicadores macroeconômicos.

2010:  Peter Diamond e Dale Mortensen (Estados Unidos), Christopher Pissarides (Chipre/Reino Unido), um trio que melhorou a análise dos mercados nos quais a oferta e a demanda têm dificuldades para se acoplar, especialmente no mercado de trabalho.

2009: Elinor Ostrom e Oliver Williamson (Estados Unidos), por seus trabalhos separados que mostram que a empresa e as associações de usuários são às vezes mais eficazes que o mercado.

2008: Paul Krugman (Estados Unidos), por seus estudos sobre o comércio internacional.

2007: Leonid Hurwicz, Eric Maskin e Roger Myerson (Estados Unidos), por seus trabalhos baseados nos mecanismos de intercâmbio destinados a melhorar o financiamento dos mercados


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

FMI e Banco Mundial pedem 'ação' para estimular crescimento global

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) abre em sua reunião semestral com um pedido por "ação" a todos os países para impulsionar o crescimento igualitário, em meio a crescentes questionamentos à globalização e ao comércio internacional.

"Minha mensagem aos membros do FMI é 'Ação, por favor'", disse a diretora-gerente do órgão financeiro, Christine Lagarde, que foi enfática em afirmar que a estagnação da economia global deixa claro que não é o momento de fechar as portas à globalização.

"Sabemos que a globalização tem funcionado durante vários anos e representou enormes benefícios para muitas pessoas. Não acho que seja o momento de oferecer resistência", expressou Lagarde em coletiva de imprensa em Washington.

Para a chefe da FMI, na realidade a globalização "precisa ser levemente diferente" para se concentrar mais em "fazer que funcione para todos e prestar atenção àqueles que correm o risco de perder tudo" como resultado da economia digital e do comércio internacional.

"Estamos pedindo uma globalização inclusiva, que na verdade beneficie a todos", acrescentou.

O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, pediu aos governos do mundo todo que com urgência eliminem "essas nuvens de tempestade que representam o isolamento e o protecionismo".

Distribuir os benefíciosPor sua vez, o presidente do Banco de Inglaterra, Mark Carney, disse que a equidade no crescimento com a globalização é um "desafio" que ainda precisa ser resolvido.

"Não deveríamos nos desculpar pelo que tem ocorrido, com centenas de milhões de pessoas jogadas na pobreza", disse Carney. "Mas há um desafio com a distribuição", acrescentou.

Carney questionou como fazer para que todos se beneficiem de uma forma mais eficiente dos frutos da globalização e do comércio internacional.

Em um painel sobre o estado atual da economia global, com o vice-diretor do Banco Central chinês, Yi Gang, se manifestou em favor do livre-comércio, mas também ressaltou a necessidade de transformá-lo em ferramenta de bem-estar geral.

"Eu acredito no livre-comércio. Acredito que o livre-comércio promoverá o bem-estar da humanidade. Mas temos que considerar muito seriamente o crescimento inclusivo, e neste sentido acredito que o desafio que enfrentamos é real", disse.

Em um artigo conjunto publicado na quarta-feira no jornal The Wall Street Journal, Lagarde, Kim e o diretor da Organização Mundial de Comércio, o brasileiro Roberto Azevedo, afirmaram que o comércio global deverá beneficiar a todos.

"Apesar dos enormes benefícios que traz, muitas pessoas sentem que foram deixadas de lado", reconheceram no artigo.

Max Lawson, alto funcionário da organização humanitária Oxfam, apoiou a declaração.

"Ao dizer que a globalização precisa funcionar para todos, Lagarde reconheceu que atualmente (a globalização) funciona bem fundamentalmente para uma elite minoritária. Isso tem que mudar", afirmou Lawson em uma nota oficial.

"Motor" do crescimento

O FMI, que nesta semana apresentou um novo panorama da economia global, formulou reiteradamente advertências contra uma tendência crescente de questionar os benefícios da globalização e do comércio mundial.

Em especial, a candidatura presidencial do empresário Donald Trump disparou o sinal de alerta por suas propostas de renegociar os principais acordos comerciais que Washington participa e de abrir uma guerra comercial com a China.

Trump promete em sua campanha construir um enorme muro na fronteira entre México e Estados Unidos, alegando que se o México se negar a pagar por essa obra os EUA adotarão severas medidas de represálias comerciais.

Além das propostas de Trump, em geral a retórica da campanha questiona os benefícios de iniciativas ambiciosas como a Associação Transpacífica (TPP, em inglês), por seu impacto na evasão de indústrias para mercados com mão de obra mais barata, e achatamento de salários locais.

Lagarde evitou nesta quinta-feira formular qualquer comentário sobre a campanha eleitoral nos Estados Unidos, mas reforçou que a economia global nesta conjuntura precisa do "motor" que representa o comércio internacional.

O comércio, disse, "tem sido um grande motor para o crescimento. E se queremos maior crescimento para atender aos problemas pendentes, precisamos desse motor para apoiá-lo e acelerá-lo".

Nesta semana, o FMI encontrou um aliado de peso em sua avançada contra o protecionismo. No site do FMI, o governo da Alemanha expressou seu compromisso com uma economia global.

"Estamos comprometidos com a construção de uma economia global aberta, negar o protecionismo, promover o comércio global e os investimentos", disse o ministro alemão da Economia, Wolfgang Schauble.