sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Por que os juros bancários caem menos que a SELIC?

A taxa básica de juros foi cortada pela décima vez seguida. De 14,25% em outubro de 2016, a Selic atingiu 7%, o menor nível dos últimos 20 anos. Nesse mesmo intervalo, os juros do cheque especial, uma das modalidades mais caras do mercado, também recuaram, mas proporcionalmente bem menos: de 328,5% para o patamar ainda proibitivo de 323,7% ao ano.

O descompasso ilustra a dinâmica que marcou o ciclo de mais de um ano de afrouxamento do juro básico. O custo dos empréstimos para empresas e consumidores começou a recuar de forma mais perceptível apenas na segunda metade de 2017 - e em ritmo bem mais lento que o da taxa definida pelo Banco Central.

As razões para isso vão desde a defasagem entre as decisões de política monetária e seu reflexo no crédito até a rigidez do spread - a diferença entre a taxa que os bancos pagam para captar recursos e a que cobram nos empréstimos -, que cedeu pouco no decorrer deste ano.

Depois da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC de 2017, divulgada nesta quinta-feira, a expectativa é que a Selic se mantenha no nível atual em 2018, dizem especialistas consultados pela BBC Brasil, cenário que abre espaço para que as taxas para pessoa física e jurídica recuem um pouco mais até 2019.

Já a diminuição significativa dos juros estruturalmente altos que colocaram o Brasil no topo dos rankings internacionais - dos quais são sintoma, por exemplo, as taxas acima de 100% cobradas no crédito pessoal - vão além da política monetária.

Esperava-se que fosse mais rápido

A trajetória de queda dos juros para consumidores e empresas tem sido mais vagarosa do que era antecipado no início do ano pelos economistas

O corte da Selic reduziu o custo de captação das instituições financeiras - os bancos pagam mais barato para obter recursos e repassam parte dessa economia reduzindo as taxas - mas não teve impacto significativo sobre o spread

A taxa média total cobrada à pessoa física, por exemplo, recuou de 42,2% ao ano em
janeiro para 34,2% em outubro (último dado disponível). A queda é significativa, mas ainda está 6,9 pontos percentuais acima da mínima histórica da série do Banco Central, de 27,3%, registrada em maio de 2013 - quando a Selic saía de um outro ciclo de afrouxamento, que a levou a 7,25% até março daquele ano.

Em paralelo, o spread na taxa média para pessoa física, por sua vez, diminuiu de 33,1 pontos para 27,6 pontos entre janeiro e outubro - tendo atingido 20 pontos em 2013. O que chega ao consumidor vai sempre passar pelo spread bancário.

Existe um grande risco de calote

A resistência da diferença entre os juros que o banco paga ao captar e a taxa que ele cobra ao oferecer empréstimos (SPREAD) é reflexo, em parte, do nível relativamente elevado da inadimplência.

A lógica é que, quanto maior o risco de calote, maior o "prêmio" que os bancos vão embutir em suas taxas de juros.

Esse é um indicador que vem melhorando de forma lenta, pondera o economista, por uma característica da própria recessão, marcada pelo endividamento de famílias e empresas.

Os bancos também tendem a retrair a oferta de crédito, ele acrescenta, diante do cenário atual de desemprego alto, de recuperação fraca da economia e das dúvidas em relação às eleições de 2018. Tudo isso gera incerteza sobre a capacidade de pagamento dos brasileiros.

Especialistas dizem que "As taxas funcionam como um ativo. Quanto maior a oferta, maior a concorrência - e os preços tendem a cair mais"

Nesse sentido, a concentração que marca o setor bancário no Brasil - onde quatro instituições respondem por praticamente 75% do crédito - também é um obstáculo à queda mais expressiva dos juros.

Em quanto as taxas caíram?

Em outubro, o crédito pessoal estava 4,2 pontos percentuais mais barato do que no mesmo mês do ano passado, em 132% ao ano. Nesse período, o consignado recuou 3 pontos, para 26,6%, enquanto os juros médios para a aquisição de veículos diminuíram 3,3 pontos, para 22,5%.

Modalidade do chamado crédito direcionado, que é subsidiado, a taxa média do financiamento imobiliário diminuiu 2,1 pontos, para 8,6% ao ano.

A maior redução foi a do rotativo do cartão de crédito, a linha mais cara do mercado, que passou de 484% ao ano para 337,9%, queda patrocinada por uma mudança de regulamentação instituída em abril deste ano pelo Banco Central, que restringiu o pagamento mínimo das faturas e a consequente rolagem da dívida para o mês seguinte.

Já para as empresas, as modalidades que mais recuaram, conforme os dados da nota de Operações de Crédito do Sistema Financeiro publicada pelo BC, foram a antecipação de faturas de cartão de crédito e os descontos de duplicatas e recebíveis, que cederam 19,2 pontos e 14,5 pontos percentuais, nessa ordem, para 27% e 20,9% ao ano.

Dificuldade maior para as empresas

Esses são produtos, aliás, que mais têm sido procurados pelas empresas neste ano, em que as concessões cresceram mais entre janeiro e outubro.

O perfil ainda é muito ligado à crise, o que é comumente pontuado e ainda tem as concessões de modalidades ligadas a investimento ainda estão mais de 50% abaixo da média observada entre 2011 e 2015.

O que se pode observar é que a melhora do cenário de crédito em 2017 é ou foi mais concentrada nos consumidores do que nas empresas, segmento em que a recuperação é ainda mais lenta e que ainda tem dificuldade de acesso aos empréstimos.

Alguns empresários tem dito que o juro caiu um pouco, mas a burocracia vem aumentando

Um empresário do setor pesqueiro diz que por trabalhar com um negócio bastante sazonal - ele vende camarões para cerca de 200 restaurantes na capital paulista e no ABC e que ainda assim precisa com frequência recorrer a instituições financeiras para "acertar o fluxo de caixa".

Diante da dificuldade, ele tem buscado alternativas ao sistema bancário tradicional. Há um mês o empresário usa o serviço de uma startup digital do setor financeiro que antecipa recebíveis (ou seja, faz empréstimos condicionados a um pagamento futuro de um cliente) em poucas horas, um serviço que lhe tomava mais de um dia de negociação com o gerente do banco e acaba perdendo um pouco de margem ou aumenta o preço final ao consumidor, vive um dilema.

A Startup TrustHub recém lançada neste mercado conta que, no primeiro mês de operação, foram realizadas cerca de 30 operações por dia, com valor médio entre R$ 2 mil e R$ 4 mil. "Existe uma demanda represada entre as pequenas e médias empresas".

No próximo ano, a fintech (programa de aceleração de startups) espera movimentar uma média de R$ 5 milhões por dia.

Como ter juros baixos?

O cenário feito pela consultoria LCA para 2018 contempla uma queda maior dos juros bancários. De 27,4%, a taxa média total, que inclui pessoa física e jurídica, chegaria a 20% em dezembro do próximo ano. Tomando apenas o crédito livre à pessoa física, a expectativa é que o spread ceda quase 10 pontos percentuais, passando de 51 atualmente para 42.

Para os especialistas do mercado e professores de economia das mais renomadas instituições de ensino do País Viriato, uma melhora mais significativa dos juros viria apenas em 2019, após a definição das eleições. O risco, nesse sentido, é o futuro das reformas que estão tramitando no Congresso e que procuram diminuir no médio prazo o déficit nas contas públicas.

Com uma piora da situação fiscal, eles explica dizem que o governo teria que emitir cada vez mais dívida para se financiar. "Isso poderia levar a um aumento do prêmio de risco e um eventual aumento das taxas".

A redução estrutural dos juros no Brasil, e acordo com especialistas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), passa pelo equilíbrio das contas públicas, por reformas e mudanças de regulamentação como a que reduziu as taxas do rotativo do cartão de crédito.

Nesse sentido, há o Cadastro Positivo, que espera votação na Câmara e que pode representar mais um alívio às taxas cobradas dos consumidores no médio prazo, a nova lei de falência, que está sendo preparada pela equipe do Ministério da Fazenda, e a Agenda BC+, uma série de medidas propostas feitas pelo Banco Central para reduzir juros.


Enfim, com toda esta análise nos resta esperar para ver o que acontecerá de positivo já para 2019.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Banco Central diz que juros dos Cartões de Crédito caem



Desde que as novas regras para o empréstimo rotativo começaram a valer, n início de abril, os juros anuais dos cartões de crédito já caíram cerca de 200 pontos percentuais de acordo com dados do Banco Central de lá até setembro, segundo os números mais recentes, as taxas caíram de 431,1% ao ano para 227,5% ao ano.

As novas regras definidas pelo BC limitam o uso do crédito rotativo ao período de um mês, acima deste prazo, a quitação do saldo em aberto da fatura deve ser feita à vista ou por meio de parcelamento oferecido pelas instituições, com juros mais baixos.

De acordo com informações da  Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito (ABECS), "limitar o ciclo do rotativo foi saudável, pois foi possível sair de uma taxa de quase 15% ao mês para uma perto dos 10% em apenas cinco meses".

Os custos menores no cartão também decorrem de uma redução da taxa básica de juros, a SELIC estava em 12,25% aa em março e agora já está em 7,5% aa, este recuo levou, por exemplo, a taxa média do crédito pessoal, que inclui linhas de consignado, de 54,2% em janeiro para 48,5% aa em setembro.

De acordo com fontes do Banco Santander, a redução da taxa básica não foi a principal responsável pela queda acentuada dos juros do rotativo, o declínio aconteceu entre março e junho quando já estava em aproximadamente em 230%, desde então, ficou praticamente estável. Há um certo consenso no mercado de que a taxa atingiu um piso e só cairá mais, caso a situação geral da economia melhore.

Se as taxas de juros recuarem rapidamente, a inadimplência ainda deve demorar para cair de forma mais significativa, segundo especialistas no mercado, o nível dos atrasos de até três meses no rotativo atingiu seu pico em maio, logo após o início de vigência das novas regras e, desde então, passou a recuar mês a mês até setembro, em uma queda de aproximadamente três pontos percentuais que forma de 16,6% para 13,57%. 

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Valores nas empresas muito além de bons salários

A satisfação pessoal no trabalho sempre esteve associada à um bom salário, estabilidade, políticas de promoção e status.

É claro que um bom salário é determinante para a permanência em um cargo, mas num mundo de rápidas transformações, não é só isso que deve continuar sendo levado em conta hoje.

Empresas já começam a notar a necessidade de estabelecer novos horizontes para motivar seu pessoal e evitar a perda de bons colaboradores.

No Brasil, trata-se de tema que, aos poucos, passa a integrar as agendas das áreas de recrutamento. As empresas precisam se preparar para construir e praticar, com base em uma espécie de carta de princípios, uma série de valores que faça o colaborador identificar-se com a empresa, criando no profissional um interesse natural de longa relação com aquele local de trabalho.

Quando se fala em valores, é exatamente o que a palavra ostenta na prática:

·                     Relações respeitosas;
·                     Gestores próximos dos colaboradores e vice-versa;
·                     Clareza na comunicação e na transmissão de responsabilidades;
·                     Chance de apresentar críticas e sugestões;
·                     Trabalho em equipe;
·                     Engajamento em causas comunitárias, etc.

Qualquer situação que sirva de combustível para impulsionar a dinâmica sempre motivadora das relações de trabalho e convivência por parte de todos.

Ao estar inserido numa realidade baseada em valores autênticos, o colaborador sente que pertence ao ambiente. E ao compartilhar estes valores, sente que faz a diferença. Além de desenvolver meios que o façam pensar a fundo se deve mesmo aceitar um eventual convite de outra companhia.

Nesse sentido, o grande desafio do departamento de Recursos Humanos é buscar colaboradores que tenham fit cultural.

Ou seja, encontrar funcionários alinhados aos valores que a empresa encara como um patrimônio vital de sua existência. Quando você traz uma pessoa que tem valores diferentes daqueles que a empresa prega, provavelmente essa relação não será duradoura.

Um Código de Conduta claro e efetivo pode auxiliar no incentivo e despertar o colaborador para os valores da empresa. Quando se planeja contratar alguém engajado com esses valores, o resultado positivo que este colaborador irá entregar é muito maior.

O profissional conseguirá chegar à conclusão que o trabalho é o meio, e tem um valor muito maior que o próprio resultado. Quando trabalha em uma empresa alinhada aos seus valores, o colaborador sente que está inserido em um contexto que compartilha da sua visão de mundo. Ele sente isso como algo muito maior e impactante para a empresa e para si.


terça-feira, 10 de outubro de 2017

Melhoram as projeções de crescimento do PIB brasileiro

Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou novamente as projeções para a economia do Brasil neste ano, elevando também a previsão de crescimento para o próximo. Para 2017, a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 0,3% para 0,7% e, para 2018, de 1,3% para 1,5%. As novas projeções estão no relatório divulgado nesta hoje terça-feira 10.

No documento, o FMI destaca que um desempenho forte das exportações e uma redução no ritmo de queda da demanda interna permitiram que a economia do Brasil voltasse a crescer no começo deste ano, após oito trimestres seguidos de queda. O fundo destaca ainda o bom desempenho da agricultura, que ajudou a puxar a  alta de 1% do PIB no primeiro trimestre. O fundo cita ainda como fator positivo a liberação dos saques das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). No segundo trimestre, o consumo das famílias ajudou a economia a registrar um crescimento de 0,2%.

No entanto, a fraqueza nos investimentos e as incertezas políticas ainda são apontadas pelo FMI como dificuldades previstas para a economia em 2018. O relatório condiciona o aumento no ritmo de crescimento a aprovação de reformas econômicas e controle dos gastos públicos. “Uma restauração gradual da confiança – com reformas fundamentais para assegurar a sustentabilidade fiscal sendo implementadas ao longo do tempo – deve aumentar o crescimento para 2% no médio prazo.”

O FMI diz que a revisão de gastos “insustentáveis” deve incluir a reforma da Previdência, apontando ainda que essas são medidas “de primeira ordem” para restaurar a confiança e permitir o crescimento dos investimentos privados. O relatório cita ainda os esforços do governo para atrair investidores para o programa de concessões na área de infraestrutura, como forma de aliviar a pressão sobre as receitas públicas no curto prazo.

Estimativas anteriores e outras projeções

As projeções do FMI para a economia são publicadas a cada três meses. No relatório de janeiro, a previsão de crescimento para o PIB do Brasil era de 0,2% em 2017 e 1,5% em 2018. Em abril a projeção para 2017 foi mantida, mas a de 2018 passou para 1,7%. Em julho, as estimativas para 2017 e 2018 passaram para 0,3% e 1,3%, respectivamente.

Também em julho, o governo o governo brasileiro manteve suas expectativas para o PIB em 2017
Ministro Henrique Meireles
de um crescimento de 0,5% – ou seja, com projeção pior que a do FMI. O ministro já Fazenda, Henrique Meirelles, chegou a declarar que o crescimento seria ainda menor, mas voltou atrás. Em setembro, Meirelles disse que a economia brasileira deve iniciar 2018 crescendo a um ritmo superior a 2% na comparação com o ano anterior.

Já a previsão do mercado financeiro, segundo a pesquisa Focus, do Banco Central, é que o PIB cresça 0,7% em 2017 e 2,43% no ano seguinte.

No final do primeiro semestre, o agravamento das turbulências políticas após a publicações de notícias sobre delações da JBS envolvendo o presidente Michel Temer levou diversos analistas a revisar suas projeções para o crescimento da economia.


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Será que preciso ser coaching?

Atualmente ser Coach ou fazer o processo de coaching está na moda. Muitos gostam de comunicar que tem um coach e outros querem esconder. Há ainda aqueles que possuem um mentor. O fato é que tudo que vira “moda” acaba se desdobrando, criando novos formatos, que muitas vezes confundem e dificultam o entendimento e a prática.

Coaching X Terapia X Mentoring

Pensando neste cenário alguns pontos-chave podem melhorar o entendimento para aqueles que se interessam pelo tema. Primeiramente, coaching não é terapia. Afinal, a terapia trabalha questões e traumas passados. Já o coaching por sua vez atua para construir um novo futuro, baseado nas ferramentas que se possui hoje. É fato que muitas vezes alguns processos de coaching precisam de uma terapia prévia ou concomitante, mas deveriam ser exceções.

Em segundo lugar, coaching não é mentoring. Isso porque o mentoring é também um processo poderoso, uma forma de aconselhamento onde uma pessoa experiente transmite a outra pessoa com menos vivência os seus conhecimentos específicos em algum tema. Enquanto o coaching, segundo a ICF (International Coaching Federation) é uma parceria com clientes num processo criativo e provocativo que os inspira a maximizar seus potenciais profissionais e pessoais.

Requesitos necessários para ser um coach: Um bom coach (treinador em português) não necessariamente entende profundamente da área em questão. Haja vista bons treinadores que conhecemos que muitas vezes nunca jogaram o esporte ou se jogaram, não foram brilhantes. Contudo, é inegável que vivência na área ajuda. E existem sim, processos de mentorcoaching, mas estes devem ser utilizados com muito cuidado e por pessoas experientes.

Como saber se você precisa de coaching

Certo, mas e quando consigo identificar que preciso de um coaching? Bem, existem fases da nossa vida pessoal e profissional onde um apoio externo ajuda muito na obtenção de melhores resultados.

São aquelas questões que não se tratam de traumas ou bloqueios que uma terapia requer, mas
aquelas onde geralmente estamos vislumbrando ações no futuro ou no presente.

Vou dar exemplos para melhorar o entendimento: na vida pessoal existem temas como equilíbrio de vida e carreira e definição de propósito, transição que sozinhos podemos entrar num desgaste emocional imenso. Mas com um bom Coach podemos ter reflexões adequadas e positivas, criando o que chamamos de um circulo virtuoso.

Coaching para carreira

Na vida profissional o campo é ainda mais vasto e mais difundido.

Existem fases dessa trajetória que são “de ouro” e merecem este suporte que um bom coach pode dar, como por exemplo: primeiro quando passamos de executores das atividades para o primeiro posto de liderança. Geralmente conseguimos o oposto por sermos bons técnicos, mas o sucesso do futuro cargo é justamente deixar de colocar a mão na massa e construir um time que o faça, ou seja, o que te levou ao posto, não é o que te trará sucesso. Segundo quando passamos a ser líderes de líderes. Porque uma coisa é liderar quem irá executar diretamente e outra é liderar quem têm outros a liderar também. Sem falar quando você assume uma nova posição em uma nova área, em empresa ou vira líder de pessoas que eram seus pares. Para estes casos bons mapeamentos iniciais, reflexões e novas abordagens contribuem muito.

Outra ocasião que merece o apoio de um coach é quando se ocupa altas posições como diretorias, vice-presidências e presidências. Afinal, almejamos estar nestes cargos, mas quem chega lá percebe o isolamento, a solidão e a pressão destes cargos. E também em situações de crescimento acelerado do negócio. Muitas vezes é preciso desapegar de situações e modelos passados e seguir em uma nova direção.

Além disso, o coaching auxilia no desenvolvimento de competências específicas. Existem inclusive formatos de coaching em grupo, que podem ser utilizados quando temos pessoas com objetivos comuns a desenvolver.

Como encontrar um bom coaching?

Saber o que se quer com o processo de coaching é um passo muito importante. Quando se tem o objetivo claro, aí vem a busca do parceiro adequado e que tenha experiência no tema e boas indicações.

Uma das tendências, segundo pesquisa realizada pelo HCI (Human Capital Institute) e a ICF em 2016, é a implementação de uma cultura de coaching e mentoring onde os líderes passam a possuir uma formação e prática mínima no seu dia a dia que comprovadamente alavanca o desempenho das suas equipes. A pesquisa aponta ainda que 80% dos entrevistados esperam que nos próximos anos gerentes/líderes expandam o uso de competências de coaching e 60% reportaram que colaboradores de nível inicial também recebam coaching.

É o conhecimento sendo passado por quem o detém, no caso do mentoring, e orientação/ações de desenvolvimento adequados sendo fornecidas aos liderados de uma forma provocativa (no caso do coaching). Em cenário de crise ou em realidades promissoras, qual empresa, líder ou liderado não gostaria de vivenciar este modelo?

Extraído de: http://www.rhportal.com.br/artigos-rh/sera-que-preciso-de-coaching/

Fabricia Faé é Responsável pela área de Desenvolvimento de Talentos da LHH Norte/Nordeste

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Governo gasta toda receita e mais um pouco para pagar despesas


O Governo Federal já compromete toda a receita líquida com o pagamento de despesas obrigatórias, mesmo que cortasse todo o investimento e gastos para o funcionamento da máquina pública, o resultado primário continuaria sendo deficitário. Segundo dados do Tesouro Nacional, as despesas obrigatórias representam 105% da receita líquida considerando o acumulado encerrado em julho.

Desde 2016, essas despesas estão em patamar mais elevado que a receita líquida, nesta época era 101,3%. A preocupação da equipe econômica, no entanto, e que essa deterioração está intensificando e achatando os investimentos fundamentais para a retomada sustentável da economia. Em 2010, quando o crescimento econômico chegou a 7,5% as despesas obrigatórias representavam 72,6% da receita líquida.

A equipe econômica tem ressaltado que o governo cortou na “carne”, mas não há mais espaço para ajustes que compensem o forte crescimento das despesas obrigatórias, que só podem ser reduzidas com aprovação de mudanças na legislação. Mesmo com a queda nas despesas, o déficit primário do governo central chegou a R$ 83,7 bilhões no acumulado em 12 meses encerrados em julho.

Nesse cenário, o governo terá que controlar gastos, o que tem se mostrado cada vez mais difícil, ou ampliar receitas por meio, por exemplo, de venda de ativos para garantir que esse rombo caia e, com isso, a meta de R$ 159 bilhões para o ano seja atingida.

Segundo levantamento do Tesouro, as despesas obrigatórias tiveram expansão real de 31% de 2010 a 2017 e, no acumulado em 12 meses até julho, somaram R$ 1,147 trilhão. Para piorar a situação, o governo tem controle de fluxo (ou seja, pode distribuir o pagamento ao longo do ano) de apenas R$ 125,7 bilhões desse valor. O restante das despesas obrigatórias (R$ 1.020 trilhão) se refere a gastos como benefícios previdenciários e pessoal, que precisam ser pagos todos os meses.

Já os gastos discricionários com controle de fluxo, ou seja, o governo pode cancelar e ainda distribuir a liberação ao longo do ano conforme o comportamento das receitas, tiveram queda real de 11,01% somando R$ 129,2 bilhões no acumulado de 12 meses. O patamar dessa despesa é o mais baixo dede pelo menos 2010. O gasto com investimentos não superou o total de R$ 57,4 bilhões, o menor patamar desde 2012. O valor está corrigido pelo IPCA de julho.
 
Um dos programas que mais sofrem com a diminuição dos gastos com investimentos é o Minha Casa Minha Vida, que após atingir seu pico de R$ 19,7 bilhões em 2014, vem minguando aos poucos. No acumulado em 12 meses, a destinação de recursos do governo para o programa foi de apenas R$ 7,1 bilhões. Na conservação de estradas/obras em andamento, o dispêndio em 12 meses até julho foi de R$ 12,3 bilhões – menor patamar desde 2010, quando a destinação chegou a R$ 25,8 bilhões.

Os números reforçam o discurso da equipe econômica sobre a necessidade de aprovação de reformas, como a da Previdência e de uma discussão futura sobre o tamanho do Estado. “O Orçamento está engessado por dispositivos legais. Com isso, a sociedade brasileira perdeu o espaço para fazer escolhas”, e isso que as autoridades econômicas estão falando no governo, destacando que a sociedade vai precisar discutir uma reforma de Estado e as vinculações orçamentárias, assim como a indexação de programas à inflação, tudo isso é o governo que fala.

A reforma Previdenciária é considerada pelo Governo como fundamental para o controle das despesas e para o cumprimento do teto dos gastos. Sem mudanças nas regras de concessão de aposentadorias e pensões no setor privado e público, os gastos com Benefícios de Prestação Continuada (BPC) vão comprometer mais de 60% do teto em 2020. Em 2017 essas despesas consomem 54,5% do teto.

Mas também tem um alternativa que o Governo ignora e que pode ser muito boa para diminuição dos gastos, mas que dependem da aprovação do Congresso Nacional, neste caso não é fazer reformas que diminuem ainda mais o que se chama de renda do trabalhadores e muito menos aumentando impostos e ou diminuindo os Benefícios dos velhinhos e velhinhas sem renda e sem responsáveis como é o caso dos beneficiários do BPC, mas sim diminuindo os inúmeros benefícios das autoridades do judiciário e também do executivo, pode-se com isso reverter muitas dessas despesas em receitas para o Orçamento e aumentar os investimentos, neste país temos muitos benefícios para o executivo e para o judiciário cujos salários são altíssimos e não justifica tanta despesa para essas categorias.


Para tentar reverter esse cenário, que cai comprimi ainda mais os investimentos, a esperança do governo é que as discussões da reforma da Previdência sejam retomadas neste mês para que seja aprovada na Câmara em outubro. Mas a matéria ainda enfrenta resistência devido, principalmente, à proximidade das eleições.

Legendas importantes para o entendimento

As despesas obrigatórias são aquelas cujo pagamento está definido na Constituição ou outra legislação infraconstitucional. É o caso dos pagamentos de duração continuada como pessoal e encargos sociais, benefícios da previdência, transferências constitucionais a Estados e municípios como o Fundo de Participação dos Estados e o Fundo de Participação dos Municípios.

Superávit PrimárioO superávit primário é basicamente um resultado positivo nas contas do governo. Se depois de fazer a conta de receitas menos despesas, o governo consegue um saldo positivo, a gente diz que houve um superávit primário em suas contas. Em outras palavras, é quanto o governo conseguiu economizar em um período.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Como um líder pode motivar sua equipe sem estímulo financeiro?

 Sofia Esteves
Em tempos de crise econômica, muitas empresas quebram a cabeça para encontrar formas de motivar as pessoas que integram seus times. Isso acontece porque grande parte delas está acostumada a promover a felicidade por meio de recompensas financeiras. Mas será mesmo que essa é a única forma de fazer com que um colaborador se sinta motivado e engajado?
A resposta para essa pergunta é não, por mais estranho que isso possa parecer. Claro que dinheiro é importante e as pessoas valorizam e precisam disso, porém, existem várias outras formas de motivar as equipes. Inclusive, a edição de 2017, da nossa pesquisa Carreira dos Sonhos fala justamente sobre isso: o que as empresas podem fazer, gastando pouco, para deixar as pessoas felizes.
O primeiro ponto importante para motivar e engajar as pessoas é trabalhar a liderança e a equipe, como um todo, para aumentar o nível de confiança na empresa e entre as pessoas. Para que isso seja possível, é fundamental entender que confiança não se ganha na declaração, mas em um processo de construção que envolve comportamentos consistentes. Ou seja, basicamente, é preciso ter coerência entre fala e prática: falar o que se faz e fazer o que se fala.
A segunda coisa que uma empresa pode fazer para que as pessoas se sintam mais felizes tem a ver com empoderamento, ou seja, elas querem poder vir inteiras para o trabalho, poder ser quem elas são e ter mais autonomia no seu dia a dia, para decidir quando, onde e com o que trabalhar.
Por último, mas não menos importante, está o valor do aprendizado e existem muitas formas de se trabalhar essa questão na empresa. Uma delas é por meio de treinamentos, que podem ser no estilo mais formal, ou não. Imagine como pode ser gratificante para o time interno se a organização opta por usar aquilo que as equipes já conhecem, já sabem e podem ensinar para mais gente. Além de ser eficiente é recompensador para as pessoas envolvidas.
Como você pode ver não é tão difícil fazer com que o time se sinta feliz e motivado, mesmo que não aja recompensas financeiras. Muito mais que dinheiro, as pessoas querem sentir que há um propósito naquilo que fazem, que o tempo que dedicam ao trabalho trará satisfação pessoal, ou seja, elas querem ter certeza de que tudo o que fazem tem algum sentido.
Olhe mais para o seu time e perceba o que está faltando para que o engajamento se instaure e a motivação aconteça. Quando você fizer isso, será muito mais fácil entender quais ações são necessárias para fazer as pessoas mais felizes.
(*) Sofia Esteves é presidente do conselho do Grupo Cia de Talentos.
Fonte: Exame.com, por Sofia Esteves (*), 04.09.2017
http://exame.abril.com.br/carreira/como-um-lider-pode-motivar-sua-equipe-sem-estimulo-financeiro/

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Privatização da Casa da Moeda do Brasil

Com a privatização da Casa da Moeda, anunciada nesta quarta feira pelo Governo Federal, o Brasil seguirá modelo de fabricação de papel-moeda já adotado por outros países como Reino Unido, Canadá, Suíça, Nova Zelândia e Chile, onde ao menos parte da produção já é feita por empresas privadas.

Não há um modelo único e predominante entre as maiores economias do mundo, segundo um levantamento da consultoria legislativa da Câmara dos Deputados.

Em países como Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Austrália e África do Sul, o processo de fornecimento de cédulas e moedas permanece inteiramente estatizado.

O estudo "Fornecimento de papel-moeda e moeda metálica: a experiência de outros países" disponível em: http://bd.camara.gov.br/bd/handle/bdcamara/32140 , do consultor legislativo Fabiano Jantalia, realizado em outubro de 2016, mostra que de 18 países da América Latina, 10 são abastecidos por empresas privadas, 5 por órgão ou ente público, 2 por importações de numerário fabricado por outros países e 1 por produção pública e privada. 

Modelos em outros países

Uma característica comum pelo mundo, segundo o estudo, é a fabricação de cédulas e de moedas metálicas por empresas ou órgãos distintos. É o contrário do que é feito no Brasil. Aqui tanto a produção de cédulas quanto a de moedas são feitas pela Casa da Moeda.

"Na grande maioria dos modelos pesquisados, o que se observa é que, mesmo quando produção de numerário é inteiramente estatizada, os processos fabris de cédulas e de moedas metálicas são confiados a empresas ou órgãos diferentes", destaca o relatório.

Medida provisória aprovada em dezembro pela Câmara, autorizou o Banco Central a comprar no exterior papel-moeda e moeda para abastecer a circulação de dinheiro no país, abrindo caminho para a importação de cédulas impressas em outros países.

Após uma série de problemas com fornecimento no ano passado, o Banco Central fechou contrato com a empresa sueca Crane AB para receber 100 milhões de cédulas de R$ 2 ao custo de R$ 20,2 milhões, segundo reportagem de abril da Revista Época Negócios disponível para consulta livre na url abaixo: (http://epocanegocios.globo.com/Economia/noticia/2017/04/epoca-negocios-bc-importa-100-milhoes-de-cedulas-de-r-2-da-suecia.html). O Brasil já havia feito encomendas de papel-moeda no exterior em 1994, quando o Plano Real foi lançado. Na ocasião, as notas foram impressas pela gigante alemã Giesecke & Devrient.


A Casa da Moeda também já fabricou notas para outros países, como Argentina e a Venezuela.

Não podemos esquecer ainda que este Governo tem pretensões de privatizar outras empresas, isto é, como se tem chamado, desestatizar, veremos cenas dos próximos capítulos.