sexta-feira, 12 de maio de 2017

Petrobras tem lucro de R$ 4,45 bi no 1º trimestre, melhor resultado desde 2015

Trata-se do segundo lucro trimestral seguido e o melhor resultado desde o 1º trimestre de 2015; endividamento líquido recua para R$ 300,9 bilhões.

A Petrobras registrou lucro de R$ 4,45 bilhões no 1º trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 1,25 bilhão registrado nos 3 primeiros meses do ano passado, informou a estatal nesta quinta-feira 11 de maio.. Trata-se do segundo lucro trimestral seguido e o melhor resultado desde o 1º trimestre de 2015.

O resultado positivo veio acima das previsões de analistas compiladas pela Reuters, que apontavam um lucro de R$ 3,773 bilhões no período.

O presidente Petrobras, Pedro Parente, afirmou em coletiva de imprensa realizada após a divulgação do balanço que o desempenho atingido pela companhia no primeiro trimestre de 2017 resulta de uma conjunção de redução nos gastos, aumento da produtividade e manutenção da curva de produção.

"O controle de custos e a redução de gastos respondem por esse resultado", afirmou Parente, em entrevista coletiva na sede da empresa, no Centro do Rio. Ele destacou que o único dado negativo é a queda de 5% nas vendas de derivados de petróleo, causadas pela retração do mercado e pela forte concorrência.

O resultado do 1º trimestre também superou o dos 3 meses anteriores, quando a petroleira reportou lucro de R$ 2,51 bilhões. A Petrobras acumulou em 2016, entretanto, prejuízo de R$ 14,8 bilhões, no 3º ano seguido de perdas.

A estatal atribuiu o resultado do 1º trimestre à redução de gastos com importações do petróleo e gás e pelo aumento de 72% das exportações. Segundo a petroleira, as despesas administrativas e com vendas 27% menores também ajudaram o resultado.

A receita da companhia somou R$ 68,36 bilhões no trimestre, queda de 3% ante o faturamento de R$ 70,34 bilhões do mesmo intervalo de 2016.

A produção média de petróleo da companhia no Brasil no 1º trimestre foi de 2.182 mil barris por dia (bpd), 10% acima do registrado 1 ano antes. Já a produção total de petróleo da Petrobras nos 3 primeiros meses do ano subiu 9% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Maior Ebidta da história

O resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado somou R$ 25,254 bilhões, ante R$ 21,193 bilhões no mesmo período do ano passado.

Parente ressaltou que o resultado do primeiro trimestre trouxe o maior Ebitda trimestral da história da Petrobras, com resultado é 19% superior ao do mesmo período de 2016, com margem de 37%.

Endividamento cai 4%

No final de março, a dívida líquida da Petrobras somou R$ 300,9 bilhões, o que representa queda de 4% ante os R$ 314,1 bilhões do final de 2016.

No balanço, a Petrobras destacou que o fluxo de caixa livre ficou positivo pelo 8º trimestre consecutivo, atingindo R$ 13,37 bilhões, mais de 5 vezes maior o registrado 1 ano antes. "Esse resultado reflete a combinação entre a melhora expressiva da geração operacional da empresa e a redução de investimentos", informou.

Fluxo de caixa

No balanço, a Petrobras destacou que o fluxo de caixa livre ficou positivo pelo 8º trimestre consecutivo, atingindo R$ 13,37 bilhões, mais de 5 vezes maior o registrado 1 ano antes.

"Esse resultado reflete a combinação entre a melhora expressiva da geração operacional da empresa e a redução de investimentos", informou.

Redução de custos

A estatal apontou uma expressiva redução de despesas. Os custos de produtos vendidos foram de R$ 44,5 bilhões, valor 6% inferior ao quarto trimestre, refletindo menos gastos com atividades no exterior, com a produção de petróleo e a importação de gás natural, diz a estatal.

As despesas tributárias também caíram, em 66%, em função, principalmente, das "menores despesas de imposto de renda sobre remessa ao exterior e pelo efeito da adesão aos programas de anistia estadual de débitos de ICMS no quarto trimestre", diz a Petrobras.

Outras despesas operacionais recuaram 61%, para R$ 3.895 milhões, em relação ao trimestre anterior. As despesas financeiras, contudo, subiram 46%, para R$ 7,7 bilhões. Segundo a petroleira, o resultado foi puxado por variações no câmbio.

Segundo o diretor financeiro Ivan Monteiro, a redução de 17% nos custos com pessoal, de 18% nos custos operacionais e de 27% nas despesas gerais mostra que a Petrobras está entregando tudo aquilo com o que se comprometeu ao apresentar seu plano de negócios, impactando o bom resultado do trimestre.

"Nossa percepção é de que, com os resultados que estamos entregando, o interesse pelos próximos leilões de blocos de exploração é enorme, como pudemos verificar em recentes visitas a Tóquio e a Pequim. Hoje, a Petrobras tem à disposição todas as fontes de financiamento disponíveis no mercado: capitais, agências de fomento, bancos nacionais e estrangeiros. E vamos utilizá-las de acordo com o melhor interesse da companhia", explicou Monteiro na entrevista coletiva após a divulgação do balanço, lembrando que a venda do gasoduto NTS por R$ 6,7 bilhões já representa uma expectativa de resultado positivo no segundo trimestre.

Ações e valor de mercado

As ações da Petrobras fecharam em leve alta nesta quinta, ao redor de 0,4%. No ano, os papeis acumulam queda ao redor de 1%, após terem acumulado ganhos de 121% no ano passado.

A petroleira segue como a 3ª maior em valor de mercado na Bovespa, com os papéis avaliados em cerca de R$ 196 bilhões. A máxima histórica foi registrada no dia 21 de maio de 2008, quando a estatal atingiu na Bovespa valor de mercado de R$ 510,3 bilhões, segundo a Economatica.

Número de empregados cai 17% em 1 ano

As despesas de vendas caíram 22%, a R$ 2,3 bilhões, refletindo cortes de pessoal, principalmente, “pelo impacto dos desligamentos de empregados pelo plano de incentivo ao desligamento voluntário”.

A empresa informou também no balanço que o número de empregados no final de março totalizou 65.220 trabalhadores, o que corresponde a uma queda de 17% em comparação ao final de março de 2016, em decorrência do plano de demissão voluntária (PDV).

O presidente da Petrobras citou a redução nos quadros de pessoal da empresa como fator sigiificativo para o bom resultado do trimestre.

Crise e venda de ativos

Em meio à crise detonada pela Lava Jato e pela queda dos preços internacionais do petróleo, o endividamento líquido da Petrobras passou de um patamar de R$ 100 bilhões no final de 2011 e chegou a R$ 392 bilhões no final de 2015.

Para melhorar suas finanças, a estatal cortou investimentos e iniciou um programa de venda de ativos. O plano de negócios da Petrobras prevê arrecadar mais US$ 21 bilhões com a venda de ativos (os chamados desinvestimentos) e parcerias entre 2017 e 2018. Até março, o valor total de transações já assinadas somava US$ 13,6 bilhões.

Nesta semana, a Petrobras anunciou que inclui na sua carteira de ativos à venda a refinaria de Pasadena, nos EUA, que em 2006 levantou suspeitas de superfaturamento e de evasão de dividas, além da Petrobras Oil & Gas B.V., que detém ativos na África.

Em março, a empresa apontou que deveriam também ser colocadas à venda a sua participação na BR Distribuidora; a concessão dos campos de Baúna e Tartaruga Verde; a participação no campo de Saint Malo, no Golfo do México; a cessão de concessões em águas rasas nos Estados de Sergipe e Ceará e a cessão de um conjunto de campos terrestres.

Em comunicado nesta quinta-feira, a estatal informou que vai contabilizar para o 2º trimestre o recebimento de R$ 6,7 bilhões pela venda de 90% das ações da unidade de gasodutos Nova Transportadora do Sudeste (NTS).

Sobre o plano de desinvestimentos, Parente disse que os critérios para venda ainda serão definidos e apresentados à diretoria, para só então levar esses e outros ativos como itens da empresa na África, Pasadena (EUA) e a BR Distribuidora ao mercado. "Cada ativo terá seu modelo de venda definido. Após essa definição, apresentaremos ao mercado um fato relevante específico para cada ativo. E isso será feito o mais rapidamente possível. Se o resultado melhora sem aquele ativo, faz todo o sentido vender".

Lava Jato

Diretor de governança da petrolífera, João Elek reforçou o compromisso da empresa em colaborar com investigações de corrupção, como as da operação Lava-Jato, e disse que as apurações internas já levaram à aplicação de 594 sanções diversas e à demissão de 37 funcionários por envolvimento em malfeitos. O diretor ressaltou que não há nenhum fato concreto que desabone o ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine, que teve o nome citado por delatores da Lava-Jato.

Elek explicou que os critérios para suspender o bloqueio a empresas envolvidas em escândalos de desvios de dinheiro público e operações ruinosas para a Petrobras já estão em vigor. "Temos como exigências principais a celebração de acordo de leniência com o poder público e o compromisso com uma série de boas práticas de governança. Já há acertos em andamento para retirar algumas empresas dessa 'lista negra'".


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