quinta-feira, 29 de março de 2018


Banco Central do Brasil Reduz percentual dos depósitos compulsórios

O Banco Central decidiu ontem em uma reunião conturbada reduzir de 40% para 25% a alíquota de recolhimento compulsório pelos bancos nos depósitos à vista, esta medida visa liberar ao mercado cerca de R$ 25,7 bilhões e ainda pode haver diminuição dos juros bancários para empréstimos pessoais.

No caso da poupança, o recolhimento passou de 21% para 20%, na modalidade rural, e de 24,5% para 20%, nas demais modalidades. De acordo com o Banco Central, o novo patamar de recolhimento nos depósitos na poupança voltou ao nível anterior à crise de 2008.

Os novos percentuais entram em vigor em abril.

Quando um correntista faz depósitos à vista, à prazo ou na poupança, o banco é obrigado a guardar parte desse montante em uma conta no BC. Ou seja, esses recursos não podem ser utilizados em outras operações.

O objetivo do depósito compulsório é controlar os recursos disponíveis na economia e, com isso, fazer com que as taxas de juros praticadas pelos bancos fiquem próximas à da taxa de juros básica da economia (Selic).

A redução do percentual do compulsório, portanto, libera mais dinheiro para que os bancos possam, por exemplo, emprestar a seus clientes. Portanto é uma medida animadora para o mercado e certamente é considerada uma medida eleitoreira em plena crise.

Entre os objetivos da medida estão a redução do spread bancário, que é a diferença entre a taxa que o banco paga ao tomar um empréstimo e o que ele cobra ao conceder crédito, e a concessão de crédito mais barato.

De acordo com especialistas do mercado e do próprio BACEN, é sempre mais fácil imaginar a redução no spread com os recursos estando diretamente nas instituições [financeiras] e não [depositadas no Banco Central]. Estando nas mãos das instituições, elas podem estudar a melhor forma de usar esses recursos e acredita-se que uma parte significativa vai para o mercado de crédito, essa é a expectativa.

Além da redução da alíquota, o BC tomou outras medidas em relação ao recolhimento compulsório. Entre elas está o aumento de R$ 70 milhões para R$ 200 milhões de uma espécie de faixa isenta para contabilização de compulsórios. Isto é, o cálculo dos valores que deverão ter um percentual recolhido ao BC só será feito a partir de R$ 200 milhões em depósitos – o que beneficia especialmente os pequenos bancos. Daí vejamos que esta é uma medida capitalista e que certamente irá beneficiar muitos banqueiros contribuintes da nossa política.


segunda-feira, 19 de março de 2018


Custo Brasil, quem paga é o Consumidor

Cliente Itaú no Brasil paga em um Mês o que o do Paraguai paga no ano

Cansado de pagar juros mensais de 8,77% a 13,40% (174,34% a 352,12% ao ano) no cartão de crédito Itaú? Quer pagar bem menos? Que tal, 13,35% ao ano para um cartão da própria bandeira do Itaú, o maior banco privado da América Latina? Pois bem, a situação é muito fácil para quem mora nos estados fronteiriços ao Paraguai. Ou mesmo para qualquer brasileiro, que mora mais distante. Basta uma visita a Foz do Iguaçu.

Além das belezas naturais das Cataratas do Iguaçu, uma simples travessia da Ponte da Amizade pode render boas economias. Não. Não se trata das tradicionais muambas paraguaias. Ou de uma noitada sortuda num dos cassinos do lado de lá da fronteira. Basta uma visita a uma das agências do Banco Itaú em qualquer cidade do Paraguai. 

Lá, o Itaú usa o mesmo slogan que bombardeia os espectadores diariamente na TV. Só que o “Feito para você”, vira “Hecho para vos”. Tem a mesma logomarca da @ com o I imaginário no meio. Mas a realidade é muito melhor do que sonha a nossa vã imaginação. 


Cliente do Itaú no Paraguai tem as mesmas facilidades eletrônicas, mas a grande vantagem está nos juros, bem mais baixos do que no Brasil

Os juros que o Itaú cobra dos nossos “Hermanos” paraguaios são muito menores do que pagamos por aqui. No Brasil, paga-se em um mês, o que os donos de cartão do Itaú Unibanco pagam em um ano. Ou seja, em um ano, os clientes paraguaios ganham, na conta de juros do cartão, nada menos que 11 meses em relação aos clientes brasileiros. Uma diferença de 161 a 338,77 pontos percentuais, conforme o emissor do cartão dentro da Organização Itaú Unibanco. 

No Paraguai o custo anual do financiamento do cartão de crédito é menor do que 13,35% ao ano. Ou seja, menor que a taxa mensal de um dos cartões operados pelo oligopólio do Itaú no Brasil. Conheço um amigo brasileiro que está vivendo de comprar artigos “made in” Paraguai para revender no Brasil. Os ganhos são duplos: nas taxas de juros do cartão e nas pechinchas de qualidade duvidosa... 

Mas terá o Paraguai algum segredo econômico? Além dos juros baixos, uma tributação bem menor que a nossa. Resultado: muitos empresários brasileiros mudaram para lá para produzir e exportar para o Brasil. O país de pouco mais de 6,8 milhões de habitantes (quase igual ao total do município do Rio de Janeiro), tem uma inflação anual na faixa 4% (o Brasil fechou 2017 com 2,95% e deve fechar 2018 entre 3,5% e 4%) e o piso dos juros anuais é de 5,25%.  No Brasil, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deve reduzir nesta quarta-feira a taxa Selic (o piso bancário brasileiro) para 6,50% ano. 

A economia paraguaia é bem mais modesta do que a brasileira. Seria equivalente à de um estado médio do Nordeste, mas seu grau de endividamento público é bem menor. A dívida pública equivale a 22,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraguai. No Brasil, a dívida pública bruta está na faixa de 74% do PIB. 

Um banco por R$ 1 

Vale lembrar que o Itaú Unibanco conseguiu abrir as operações no Paraguai pagando o valor simbólico de R$ 1. A rede de agências do Paraguai pertencia ao antigo Interbanco, que foi criado no país vizinho, nos anos 80 e 90 pelo extinto Banco Nacional. O Nacional foi comprado em 1995 pelo Unibanco pelo valor simbólico de R$ 1. E o Itaú fez uma fusão com o Unibanco (na qual passou a deter quase dois terços da nova instituição líder do mercado brasileiro) no final de 2008, quando a crise financeira mundial atingiu as linhas de crédito externas do banco da família Moreira Salles.  

A concentração bancária que se acelerou no Brasil nos últimos 15 anos, também ocorreu na América Latina. O motivo externo são as exigências de capitalização dos bancos pelo Acordo de Basileia, regulado pelo PIS, o Banco Central dos Bancos Centrais. 

Nos últimos anos, o Itaú consolidou sua presença na Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. Com a fusão entre o Itaú Chile e o CorpBanca, o grupo chegou à Colômbia e ao Panamá.  O ItaúUnibanco tem operações na Europa (França, Alemanha, Portugal, Reino Unido, Espanha e Suíça), nos Estados Unidos (Miami e Nova Iorque), e nos paraísos fiscais do Caribe (Ilhas Cayman e Bahamas), do Oriente Médio (Dubai) e da Ásia (Hong Kong), além de agências em Xangai (China) e Tóquio (Japão). São centros financeiros que facilitam captar recursos para o Brasil a custos mais baixos e ampliar os ganhos de arbitragem nas taxas de juros com as elevadíssimas taxas praticadas no Brasil.


quarta-feira, 14 de março de 2018


Mercado dá como certo que taxa básica de juros (SELIC) cairá para 6,5% aa na próxima reunião

Diante de uma inflação abaixo do patamar esperado para o começo deste ano, o mercado já dá como certo que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai diminuir a taxa básica de juros (Selic) de 6,75% para 6,5% em sua próxima reunião, marcada para os dias 20 e 21 de março. Caso a redução se confirme, será o 12.º corte consecutivo na taxa, que voltará a bater mínima histórica. O resultado do IPCA de fevereiro, que será divulgado hoje, poderá indicar se haverá espaço para mais um corte da Selic em maio, de acordo com economistas.
A possibilidade de a taxa cair a 6,5% neste mês chegou a 88% esta semana, conforme precificação feita pelo mercado nos contratos de juros futuros de curto prazo. Há um mês, logo após a última reunião do Copom, essa probabilidade era de 30%. No dia em que a ata do Copom foi divulgada, porém, o porcentual já subiu para 45%, em decorrência de o documento afirmar que um novo corte não estava descartado e que poderia ocorrer caso a inflação se mantivesse “em níveis confortáveis”.
No início desta semana, o mercado elevou ainda mais suas apostas em uma nova redução da Selic após o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmar que os últimos resultados da inflação vieram abaixo do esperado. No fim do ano passado, o Banco Central projetava uma inflação de 0,53% em janeiro, mas o IPCA veio em 0,29%.
A Tendências Consultoria Integrada e o Banco Pine estão entre os que reviram, depois da fala de Ilan, suas projeções para a Selic. “Vínhamos trabalhando com a expectativa de 6,75%, mas, nas últimas semanas, a inflação surpreendeu para baixo. Até o Banco Central se mostrou surpreendido”, disse um especialista da consultoria Tendências.
Maio

Os economistas que estão antenados no assunto dizem que há ainda chances de que, na reunião deste mês, o Copom sinalize que poderá haver um novo corte em maio. “Apesar da recuperação da atividade econômica, a velocidade está menor do que se esperava. Também há um descolamento da inflação esperada em relação à meta. Isso justifica manter essa possibilidade (de redução da Selic em maio)”.

Há ainda a possibilidade de que o Copom poderá deixar as portas abertas para outro corte, apesar de não trabalhar com esse cenário como base. Essa decisão do Copom dependerá dos próximos resultados da inflação, Outros especialistas vem prevendo uma Selic a 6,5% há cerca de duas semanas.
Já para os economistas, do Banco Santander, dizem que a redução na taxa de juros que deverá ocorrer em março marcará o fim do ciclo de quedas. “Projetamos que a Selic se mantenha em 6,5% até meados deste ano”, “É pouco provável estender esse ciclo, dado que sua trajetória já é bastante longa. Uma redução em maio só acontecerá se houver mais uma surpresa inflacionária”,
Os economistas também reduziram, nas últimas semanas, suas projeções para a taxa de inflação de 2018. A Consultoria Tendências, por exemplo, previa que os preços avançassem 4,1% neste ano; agora, estima uma alta de 3,8%. A Modal Asset diminuiu sua projeção de 3,7% para 3,4%. “Pode ser que fique até abaixo disso (3,4%). Os alimentos continuam surpreendendo e recuando”, o que surpreende.