quarta-feira, 14 de março de 2018


Mercado dá como certo que taxa básica de juros (SELIC) cairá para 6,5% aa na próxima reunião

Diante de uma inflação abaixo do patamar esperado para o começo deste ano, o mercado já dá como certo que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai diminuir a taxa básica de juros (Selic) de 6,75% para 6,5% em sua próxima reunião, marcada para os dias 20 e 21 de março. Caso a redução se confirme, será o 12.º corte consecutivo na taxa, que voltará a bater mínima histórica. O resultado do IPCA de fevereiro, que será divulgado hoje, poderá indicar se haverá espaço para mais um corte da Selic em maio, de acordo com economistas.
A possibilidade de a taxa cair a 6,5% neste mês chegou a 88% esta semana, conforme precificação feita pelo mercado nos contratos de juros futuros de curto prazo. Há um mês, logo após a última reunião do Copom, essa probabilidade era de 30%. No dia em que a ata do Copom foi divulgada, porém, o porcentual já subiu para 45%, em decorrência de o documento afirmar que um novo corte não estava descartado e que poderia ocorrer caso a inflação se mantivesse “em níveis confortáveis”.
No início desta semana, o mercado elevou ainda mais suas apostas em uma nova redução da Selic após o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmar que os últimos resultados da inflação vieram abaixo do esperado. No fim do ano passado, o Banco Central projetava uma inflação de 0,53% em janeiro, mas o IPCA veio em 0,29%.
A Tendências Consultoria Integrada e o Banco Pine estão entre os que reviram, depois da fala de Ilan, suas projeções para a Selic. “Vínhamos trabalhando com a expectativa de 6,75%, mas, nas últimas semanas, a inflação surpreendeu para baixo. Até o Banco Central se mostrou surpreendido”, disse um especialista da consultoria Tendências.
Maio

Os economistas que estão antenados no assunto dizem que há ainda chances de que, na reunião deste mês, o Copom sinalize que poderá haver um novo corte em maio. “Apesar da recuperação da atividade econômica, a velocidade está menor do que se esperava. Também há um descolamento da inflação esperada em relação à meta. Isso justifica manter essa possibilidade (de redução da Selic em maio)”.

Há ainda a possibilidade de que o Copom poderá deixar as portas abertas para outro corte, apesar de não trabalhar com esse cenário como base. Essa decisão do Copom dependerá dos próximos resultados da inflação, Outros especialistas vem prevendo uma Selic a 6,5% há cerca de duas semanas.
Já para os economistas, do Banco Santander, dizem que a redução na taxa de juros que deverá ocorrer em março marcará o fim do ciclo de quedas. “Projetamos que a Selic se mantenha em 6,5% até meados deste ano”, “É pouco provável estender esse ciclo, dado que sua trajetória já é bastante longa. Uma redução em maio só acontecerá se houver mais uma surpresa inflacionária”,
Os economistas também reduziram, nas últimas semanas, suas projeções para a taxa de inflação de 2018. A Consultoria Tendências, por exemplo, previa que os preços avançassem 4,1% neste ano; agora, estima uma alta de 3,8%. A Modal Asset diminuiu sua projeção de 3,7% para 3,4%. “Pode ser que fique até abaixo disso (3,4%). Os alimentos continuam surpreendendo e recuando”, o que surpreende.



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