terça-feira, 28 de agosto de 2018

Preço da gasolina da Petrobras bate recorde de aumento de preço


O preço médio da gasolina praticado pela Petrobras nas refinarias alcançou nesta terça-feira o segundo maior nível da era de reajustes diários, a 2,0829 reais por litro, apenas ligeiramente abaixo do recorde de 2,0867 reais registrado em maio, durante os protestos dos caminhoneiros.

A empresa informou em seu site que tal cotação será mantida também na quarta-feira.
Em agosto, o valor da gasolina já acumula alta de quase 6 por cento e reflete tanto a firmeza das referências do petróleo no mercado internacional quanto a disparada do dólar ante o real, parâmetros estes utilizados pela petroleira em sua política de formação de preços de combustíveis, em vigor há pouco mais de um ano.
A valorização do derivado de petróleo também se segue a uma interrupção de produção na Replan, a maior refinaria da Petrobras, localizada em Paulínia (SP), que sofreu uma explosão no último dia 20 de agosto.
Na véspera, a empresa informou que a reguladora ANP interditou parcialmente a unidade, cuja capacidade é para processar mais de 400 mil barris por dia, e que já começou a importar diesel para compensar a perda de refino.
Procurada para comentar a alta da gasolina nas refinarias, a Petrobras não respondeu de imediato.
Em campanhas recentes, a companhia vinha destacando que o preço do combustível fóssil por ela praticado representava cerca de um terço do valor final nas bombas dos postos, sobre o qual incidem tributos e é formado conforme estratégia de distribuidores e revendedores.
Além disso, a Petrobras também frisa que não tem o poder de formação de preços da gasolina, que oscilam ao sabor de outras variáveis.
A política de reajustes da Petrobras esteve no cerne dos protestos de caminhoneiros, uma vez que o diesel, combustível mais consumido do país, atingiu patamares recordes pouco antes das manifestações.
Desde junho, o diesel está com seu valor congelado nas refinarias, a 2,0316 reais por litro, graças a uma subvenção econômica oferecida pelo governo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018


Dilema Econômico
A dificuldade de voltar ao mercado de trabalho vs lentidão da recuperação da economia

A combinação de uma recessão profunda e prolongada (a economia encolheu quase 8% em 2015 e 2016) com uma recuperação muito lenta (crescimento de 1% no ano passado e apenas um pouco mais esperado para este ano) cria dificuldades adicionais para o mercado de trabalho, que vão além da taxa de desemprego e do número de desempregados.

O tempo que o trabalhador demora para encontrar outro emprego passa a ser muito maior. E quanto mais tempo fora do mercado, mais dificuldade terá para encontrar uma nova vaga.

No momento em que a economia readquirir fôlego, novos padrões de gestão e de tecnologia podem ser fatores excludentes para quem ficou um longo período sem trabalhar.

Em um levantamento feito com base na pesquisa Pnad Contínua que fora divulgada ontem dia 16/08 pelo IBGE, mostrando a evolução desse fenômeno: o desemprego de longa duração. No segundo trimestre deste ano, 5,1 milhões de brasileiros estavam procurando uma vaga de trabalho há um ano ou mais.

Isso significa que praticamente dois em cada cinco desempregados do país estavam nessa situação. Na comparação com o mesmo período de 2014 - considerado o início da crise - o aumento é de 120%.

Desse total, 1,9 milhão estavam buscando recolocação, sem sucesso, por um período entre um e dois anos. Enquanto outros 3,2 milhões estavam na fila do desemprego há dois anos ou mais (veja o gráfico abaixo).



Atualmente, 4,8 milhões de desempregados simplesmente desistiram de procurar vagas - são os chamados desalentados. É o maior contingente da série histórica do IBGE, que começou em 2012.

A situação varia de acordo com o estado. O Amapá é atualmente o local mais difícil para o desempregado se recolocar: 62% dos desocupados têm de esperar um ano ou mais para conseguir um novo posto de trabalho. O Rio de Janeiro vem logo na sequência (veja o gráfico abaixo).