quarta-feira, 26 de setembro de 2018


Recuo de 1% no Dólar e expectativas sobre juros e eleições

O dólar fechou em queda hoje 26/9, após subir a R$ 4,09 mais cedo, com o mercado financeiro de olho em pesquisas eleitorais e depois de o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) subir as taxas de juros e deixar praticamente inalterados os próximos passos da política monetária.

A moeda norte-americana caiu 1,34%, vendida a R$ 4,0275. Na mínima do dia, chegou a ser negociada a R$ 4,0101; e na máxima, a R$ 4,0938.

O Fed decidiu nesta quarta-feira elevar a taxa de juros pela terceira vez no ano, saindo do intervalo de 1,75% a 2% ao ano para a faixa de 2% a 2,25%. A alta já era esperada pelo mercado.

O Fed deve subir os juros mais uma vez este ano, na reunião de dezembro. E deve promover mais três altas em 2019.

"Ao Federal Reserve, em território relativamente desconhecido, resta seguir em diante com a normalização das taxas de juros, de modo a evitar uma surpresa inflacionária além do controle, sem, no entanto, travar o atual ritmo da economia", afirmou a gestora Infinity em relatório.

Com taxas mais altas, os Estados Unidos se tornam mais atraentes para investimentos aplicados atualmente em outros mercados, como o Brasil, motivando assim uma tendência de alta do dólar em relação ao real.

Pesquisas eleitorais também estão no radar dos investidores, apontando para um cenário com candidatos mais comprometidos com as reformas sem tração na corrida presidencial.

O Banco Central ofertou e vendeu integralmente nesta sessão 10,9 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. O BC já rolou até US$ 9,265 bilhões em swaps cambiais do total de US$ 9,801 bilhões que vencem em outubro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

Novo patamar e perspectivas

A recente disparada do dólar acontece em meio a incertezas sobre o cenário eleitoral e também ao cenário externo mais turbulento, o que faz aumentar a procura por proteção em dólar.

Investidores têm comprado dólares em resposta a pesquisas que mostram intenção de voto mais baixa para candidatos considerados mais pró-mercado. Na avaliação do mercado, os candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto são menos comprometidos com determinados modelos de reformas econômicas considerados fundamentais para o ajuste das contas públicas.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018


COPOM mantém taxa Selic pela quarta vez consecutiva

Pela quarta vez seguida, o Comitê de Política Monetária (COPOM) decidiu pela manutenção da taxa básica de juros da economia em 6,50% ao ano. Com a SELIC no menor patamar da história, há quem diga que a poupança voltou a ser atrativa, mas um levantamento do site Yubb mostra que, em média, os principais investimentos de renda fixa ainda rendem mais.


O buscador de investimentos comparou o rendimento médio de CDB’s de bancos grandes, CDBs de bancos médios, LCs de financeiras e títulos do Tesouro Direto atrelados à Selic. Os CDBs de bancos médios têm, de longe, as maiores rentabilidades: pagam 9% ao ano, em média.

Atualmente, a poupança paga 4,55% ao ano mais a Taxa Referencial (TR), que atualmente está zerada. O retorno segue a mesma regra em todos os bancos: quando a Selic está abaixo de 8,5% ao ano, a poupança rende 70% da taxa básica de juros, mais a TR.

Em agosto, a captação da poupança chegou a 5,8 bilhões de reais, a maior desde 1995, segundo o Banco Central. Nesse momento, a poupança supera a inflação esperada para o ano, de 4,09%. No entanto, ela ainda rende menos que outros investimentos de renda fixa, que também são seguros e permitem resgatar o dinheiro com facilidade, a qualquer momento.

Além disso, a poupança tem um problema: o dinheiro só rende na data de aniversário da caderneta. Ou seja, se você deixa o valor investido por menos de um mês, ele não rende nada.

A principal vantagem da poupança é a sua isenção de Imposto de Renda, diferente dos outros investimentos. No entanto, as rentabilidades de CDBs, LCs e títulos do Tesouro Selic ainda são maiores do que a da poupança nos prazos de 12 meses ou mais, como mostra o levantamento a abaixo.

Em geral, a poupança só rende mais do que fundos de renda fixa que cobram taxas de administração acima de 1% ao ano ou de CDBs que pagam muito abaixo de 100% do CDI, uma taxa muito parecida com a Selic.

“Só recomendo a poupança para quem não quer ouvir explicação nenhuma sobre outros produtos. Mas, financeiramente, não vale a pena para ninguém, independentemente do prazo do investimento”, diz o planejador financeiro Bruno Mori, da Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar).

A seguir, confira quanto rendem os principais investimentos da renda fixa, em média, em comparação à poupança.



Investimento
Rentabilidade bruta média
Lucro bruto acima da poupança
Retorno líquido médio
CDB de banco grande
5,1% ao ano
18%
R$ 3.153
CDB de banco médio
9,23% ao ano
113%
R$ 3.229
LC de financeira
7,83% ao ano
74%
R$ 3.192
Tesouro Selic
6,5% ao ano
48%
R$ 3.191
Poupança
4,55% ao ano
R$ 3.129


sexta-feira, 14 de setembro de 2018


Brasil segue estagnado na 79º posição do IDH

A queda no rendimento bruto nacional em 2015 fez que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) estagnasse, apesar da pequena melhora em indicadores como expectativa de vida e escolaridade. O IDH, índice usado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), foi divulgado nesta semana.

De acordo com o PNUD, considerado o recálculo feito periodicamente para ajustar os indicadores a novos dados internacionais e eventuais mudanças de metodologia, o Brasil se manteve na 79ª posição em um ranking de 188 países, com 0,754 ponto.

O resultado é fruto do cruzamento de dados de vários organismos nacionais e internacionais. Quanto mais próximo de 1 ponto, melhor a colocação na tabela, que há anos é encabeçada pela Noruega, país escandinavo que, entre 2014 e 2015, passou de 0,944 ponto para 0,949 ponto, o que o coloca à frente dos 50 países que o Pnud considera de desenvolvimento humano muito alto – e entre os quais só há dois latino-americanos: Chile (38ª posição) e Argentina (45ª).

O Brasil faz parte do grupo de 55 países considerados de alto desenvolvimento humano. Na América Latina e no Caribe, além de Chile e Argentina, o Brasil fica atrás de Barbados e do Uruguai (empatados na 54ª posição); de Bahamas (58ª); do Panamá (60ª); de Antígua e Barbuda (62ª); Trinidad e Tobago (65ª); da Costa Rica (66ª); de Cuba (68ª); da Venezuela (71ª) e do México (77ª).

Atrás do Brasil, mas ainda entre os países e territórios latino-americanos de alto
desenvolvimento humano, estão Peru (87ª); Equador (89ª); Santa Lúcia (92ª), Jamaica (94ª); Colômbia (95ª); Suriname (97ª); República Dominicana (99ª); São Vicente e Granadinas (99ª); e Belize (103ª).

As demais nações latino-americanas, como Paraguai (110ª), El Salvador (117ª) e Bolívia (118ª), figuram entre os grupos de médio ou baixo IDH.

Crise econômica

No caso brasileiro, os resultados indicam os efeitos das crises econômica e política que afetam o País desde 2014. De acordo com o Pnud, mais de 29 milhões de pessoas saíram da pobreza entre 2003 e 2013.

No entanto, o nível de pobreza voltou a crescer entre 2014 e 2015, quando cerca de quatro milhões de pessoas ingressaram na pobreza.

No mesmo período, a taxa de desemprego também voltou a subir, atingindo mais de 12 milhões de pessoas. E a situação é mais grave entre jovens e mulheres.
Diante de situações como essa, verificada também em outros países, inclusive em economias desenvolvidas, o Pnud recomenda a adoção de políticas públicas universais afirmativas, que fortaleçam a proteção social e deem voz aos excluídos.

Andréa Bolzon - ONU/PNUD
É preciso garantir a consistência das melhorias [sociais e econômicas] de forma a proteger uma pessoa que tenha melhorado de vida para que ela não volte à situação de pobreza em caso de uma recessão econômica ou choque“, disse a coordenadora do Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional, Andréa Bolzon, argumentando que, no mundo inteiro, as redes de proteção social e ações de transferência de renda condicionada ajudam a aliviar as condições em que vivem as pessoas mais pobres.

Não adianta pensar apenas em crescimento econômico a qualquer preço. No passado, o Brasil cresceu a taxas altíssimas, mantendo uma taxa de pobreza alta. Agora, o País precisa voltar a crescer com muito cuidado, incluindo as pessoas e não concentrando o resultado desse crescimento“, disse Andréa.

O Brasil tem que retomar a atividade econômica sem perder de vista a necessidade de manter um piso de proteção social. E, se for necessário rever esse piso, fazê-lo com cuidado, pois essas políticas e ações são como um colchão para momentos de crise como este. Preteri-las devido à necessidade de o país voltar a crescer de qualquer jeito pode resultar em um preço muito alto a ser pago lá na frente“. – Andréa Bolzon, coordenadora do Relatório do Desenvolvimento Humano.

Coordenador residente do Sistema ONU e representante do PNUD no Brasil,
Niky Fabiancic - ONU/PNUD - Brasil
Niky 
Fabiancic disse, durante a apresentação do relatório, que o Brasil tem avançado de maneira consistente nos últimos 20 anos, mas que muito ainda precisa ser feito.


Hoje, muitos assuntos são urgentes. E estamos atentos às propostas de reformas do ensino médio, trabalhista, da Previdência e tributária.”

Cenário global

Em termos globais, o Informe sobre Desenvolvimento Humano do Pnud mostra que, apesar de avanços mundiais, há ainda uma enorme quantidade de pessoas sendo deixadas para trás, em todos os países, inclusive nos de alto desenvolvimento humano.
Apesar dos progressos, as privações humanas persistem. Há grupos inteiros de pessoas sendo excluídos, o que exige um olhar cuidadoso para com os grupos vulneráveis. A própria situação das mulheres ainda é muito desigual“, afirmou Andréa Bolzon, destacando que os níveis de desigualdade em todo o mundo não param de aumentar.

Temos um problema estrutural. A desigualdade tem aumentado no mundo inteiro. A impressão é que encontramos formas de aliviar os efeitos da pobreza e das privações, mas a desigualdade não está diminuindo, pois o ritmo com que a riqueza está sendo concentrada no topo da pirâmide é acelerado“, disse Andrea, lembrando que 46% de toda a riqueza global está nas mãos de apenas 1% da parcela mais rica da população mundial.

A partir de dados de diferentes entidades internacionais e organismos oficiais nacionais, o relatório do Pnud mostra que os “impressionantes progressos” em termos de desenvolvimento humano registrados nos últimos 25 anos não enriqueceram a população global em termos igualitários. Cerca de 766 milhões de pessoas vivem com menos de US$ 1,90 por dia (o equivalente a cerca de R$ 5,90/dia).

Aproximadamente 385 milhões dessas pessoas são crianças. Além disso, só nos países desenvolvidos há algo em torno de 300 milhões de pessoas consideradas pobres. No mundo, os países que mais perderam posições no ranking entre 2010 e 2015 foram Líbia e Síria. Ruanda e Zimbábue foram os que mais cresceram no IDH no mesmo período.

O outro lado

O Palácio do Planalto soltou uma nota após a divulgação dos dados do PNUD. Leia:

Os dados divulgados pela agência da ONU ilustram a severidade da crise da qual apenas agora o País vai saindo.

O resultado do conjunto de transformações em curso sob a liderança do Presidente Michel Temer deve refletir-se, ao longo das próximas edições do índice, em uma melhoria, tanto absoluta, como relativa de nosso número.

Medidas como o controle das contas públicas, garantia dos gastos em saúde e educação, garantia do acesso à água por meio da conclusão do Projeto São Francisco, retomada do crescimento e do emprego se combinam para recolocar o País nos trilhos e criar uma realidade que logo será refletida nos indicadores internacionais.”

terça-feira, 4 de setembro de 2018


Dólar fecha com leva alta e com tendência de queda

O dólar perdeu força no começo da tarde desta terça-feira (4/9), mas terminou o dia em leve alta, depois de bater os R$ 4,19. Os mercados seguem atentos à guerra comercial e com países emergentes e em meio à expectativa pelos números da pesquisa de intenção de votos do Ibope após o fechamento do mercado.

A moeda norte-americana subiu 0,04%, a R$ 4,152, novamente no maior valor desde 2016. Na máxima do dia, o dólar chegou a R$ 4,1922 e na mínima, a R$ 4,1388. No ano, o dólar já acumula alta de mais de 25,3% sobre o real.

A maior cotação de fechamento já registrada foi a do dia 21 de janeiro de 2016, quando a moeda dos EUA encerrou o pregão a R$ 4,1631. Já a máxima de negociação foi registrada no dia 24 de setembro de 2015, quando o dólar foi a R$ 4,2484.

Já o dólar turismo era vendido perto de R$ 4,33 nesta terça, sem considerar o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF).

O Banco Central anunciou para esta sessão leilão de até 10,9 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares para rolagem do vencimento de outubro, no total de US$ 9,801 bilhões.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

Novo patamar e perspectivas

A recente disparada do dólar, que voltou a romper a barreira dos R$ 4 após 2 anos e meio, acontece em meio às incertezas sobre o cenário eleitoral e também ao cenário externo mais turbulento, o que faz aumentar a procura por proteção em dólar.

Investidores têm comprado dólares em resposta a pesquisas que mostram intenção de voto mais baixa para candidatos considerados mais pró-mercado e comprometidos com a agenda de reformas e ajuste das contas públicas.

As incertezas e o nervosismo geram maior demanda por proteção em dólar, o que pressiona a cotação da moeda. Importadores, empresas com dívidas em dólar e turistas preocupados passam a comprar mais dólares também e contribuem para elevar o preço da moeda norte-americana.

Outro fator que pressiona o câmbio é a elevação das taxas básicas de juros nas economias avançadas como Estados Unidos e União Europeia, o que incentiva a retirada de dólares dos países emergentes. O mercado tem monitorado ainda a guerra comercial entre Estados Unidos e seus parceiros comerciais e a crise na Argentina.
A visão dos analistas é de que o nervosismo tende a continuar e que o mercado ficará testando novas máximas até achar um novo piso ou até que se tenha uma maior definição da corrida eleitoral.

A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2018 foi elevada de R$ 3.75 para R$ 3.80 por, segundo boletim Focus divulgado ontem dia 3 de setembro pelo Banco Central. Para o fechamento de 2019, ficou estável em R$ 3,70 por dólar.

Os analistas destacam que, embora todas as moedas de países emergentes estejam sendo fortemente desvalorizadas, o Brasil se encontra em melhor situação em razão dos mais de R$ 382 bilhões em reservas e que, até o momento, não tem sido observada falta de liquidez ou fuga de dólares do país.