terça-feira, 11 de fevereiro de 2020


Mais uma queda na Taxa Básica de Juros da Economia

Na quarta-feira passada dia 5/02, O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central cortou mais uma vez a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, e com isso a taxa foi de 4,5% para 4,25% ao ano. Agora esta taxa é o menor patamar desde o início da série histórica, que se iniciou em 1996. Com esta queda o que se pode perceber é que foi o quinto corte seguido, e a decisão dos especialistas do COPOM foi unânime.

Em comunicado à imprensa, o Copom indicou que deve parar de baixar os juros por enquanto. "Considerando os efeitos defasados do ciclo de afrouxamento iniciado em julho de 2019, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária", diz o comunicado.

Os próximos passos, ainda segundo o comitê, continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas para a inflação. Essa foi a primeira reunião do Copom no ano. No último encontro, que foi realizado em 11 de dezembro, o Banco Central havia reduzido a Selic de 5% para 4,5% ao ano.

Ciclo de cortes da Selic iniciou em 2016

Em outubro de 2016, o Banco Central deu início a uma sequência de 12 cortes na Selic. Neste período, a taxa de juros caiu de 14,25% ao ano para 6,5% ano. De maio de 2018 até junho de 2019, a taxa foi mantida no mesmo patamar. Foram dez encontros do Copom sem mudanças na Selic.

No final de julho do ano passado, o Copom reduziu a Selic em 0,5 ponto percentual, para 6% ao ano. O último corte foi feito em dezembro, de 5% para 4,5% ao ano.

Juros ao consumidor são mais altos

Essa queda na Selic não representa uma diminuição dos juros cobrados diretos ao consumidor. A Selic é a taxa básica da economia e serve de referência para outras taxas de juros (financiamentos) e para remunerar investimentos corrigidos por ela. E sendo assim, a Selic não representa exatamente os juros cobrados dos consumidores, que são muito mais altos.

Segundo os últimos dados divulgados pelo Banco Central, a taxa de juros média do cheque especial, por exemplo, foi de 302,5% ao ano em dezembro, enquanto a do rotativo do cartão foi de 318,9.

Poupança rende menos

Com os juros baixos, a poupança rende menos devido a uma regra criada em 2012. Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a rentabilidade da poupança é de 6,17% ao ano (0,5% ao mês) mais TR (Taxa Referencial). Porém, quando a Selic é igual ou menor que 8,5%, a poupança passa a render 70% da Selic mais TR.

Juros x inflação

Os juros são usados pelo Banco Central servem como uma ferramenta para tentar controlar a inflação. De modo geral, quando a inflação está alta, o Banco Central sobe os juros para reduzir o consumo e forçar os preços a cair. Quando a inflação está baixa, o BC derruba os juros para estimular o consumo.

A meta é manter a inflação em 4% este ano, mas há uma tolerância de 1,5 ponto para cima e para baixo, ou seja, pode variar entre 2,5% e 5,5%. A inflação fechou 2019 em 4,31%, dentro da meta do governo para o ano passado, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)

Queda na Dívida Pública brasileira

Na esteira da queda dos juros básicos nos últimos anos, o custo da dívida pública brasileira terminou 2019 no menor nível da história. Dados do Banco Central mostram que a taxa de juros implícita da dívida bruta do País no acumulado de 12 meses fechou o ano passado em 7,8%. Um ano antes, estava em 8,3%.

Cálculos do Ministério da Economia indicam que a redução da Selic gerou, apenas no ano passado, uma economia de R$ 68,9 bilhões no serviço da dívida. O montante é superior a todo o investimento feito pelo governo federal em 2019, de R$ 56,6 bilhões. Em quatro anos, até 2022, sem mudanças nas condições, essa economia seria de R$ 417,6 bilhões, sendo R$ 120 bilhões só neste ano.

Composição do COPOM

O Copom é composto pelos oito membros da Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil, com direito a voto, sendo presidido pelo presidente do Banco Central, que tem o voto de qualidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário